A publicidade é muito mais imediata

Por a 25 de Agosto de 2000

Patrícia Vasconcelos Directora da Patrícia vasconcelos casting

“Sinais de Fogo”, “Adeus Pai”, “Tentação”, “Zona J”, “Jaime”, “Fátima” e “Rainha Margot” são apenas alguns dos filmes em que Patrícia Vasconcelos foi a responsável pelos castings dos participantes. Há 11 anos no meio, a responsável pela Patrícia Vasconcelos Castings ambiciona agora criar uma escola de formação em televisão e cinema. Como define a Patrícia Vasconcelos Castings? Como os trabalhos são assinados exclusivamente por mim não a posso definir como uma empresa. É um trabalho específico feito apenas por uma pessoa. O espaço e a própria denominação foram apenas uma necessidade. Sou apenas uma pessoa que faz castings. Sou paga para fazer esse trabalho e não ganho uma comissão, o que aconteceria se fosse uma agência. Sou, isso sim, cliente das agências. É através delas que selecciona os candidatos? O meu ficheiro tem vindo a crescer á medida dos pedidos. Mas, sempre que necessário, tenho que ir á procura, seja nas escolas, na rua ou através de anúncios. Só quando não tenho tempo de fazer eu própria a procura é que recorro ás agências. A forma como é feita uma selecção depende dos objectivos. Se estamos a falar de um filme, curta ou longa metragem, os candidatos só têm de fazer um teste se o personagem for muito diferente daquilo a que o actor está habituado. No caso da publicidade, esse teste é obrigatório, porque as exigências são diferentes. A diferença entre o cinema e a publicidade é assim tão significativa? Embora também goste, a publicidade é um trabalho completamente diferente do cinema. É muito mais imediata: entra hoje, faz-se amanhã e entrega-se no dia seguinte. Porque é que ainda se recorre com frequência a profissionais estrangeiros? O que acontece é que só existe uma grande agência de modelos em Portugal, a Central Models. E o resultado é que quando se faz um casting para um anúncio aparecem sempre as mesmas caras. O mercado já está saturado e é natural que uma marca não queira utilizar a mesma pessoa que a sua concorrente. No entanto, cabe ás agências de modelos irem para a rua procurar novas caras. Tendo em conta a sua experiência no meio, como encara o mercado actual? Julgo que tanto em publicidade como no cinema, as coisas têm mudado de uma forma impressionante. Quem não conseguir acompanhar, fica para trás. O português tem tendência para pensar que o que vem de fora é que é bom, no entanto, esse sentimento tem vindo a diminuir. Algumas marcas, que antes importavam a maioria dos anúncios, hoje recorrem ás agências nacionais. Objectivos? Criar uma escola profissional de cinema e televisão. Foi um projecto discreto durante muitos anos, mas agora decidi ir para a frente com ele. Principalmente porque em Portugal só existem duas opções: ou o Conservatório, que oferece exclusivamente uma formação em teatro, ou pequenos cursos. O que é uma lacuna tendo em conta que o trabalho de um actor hoje em dia é 80% de cinema e televisão.

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