Leo Burnett: o balanço de seis meses

Por a 21 de Julho de 2000

A Leo Burnett é uma casa nova. Depois da reforma levada a cabo em Janeiro, chegou o momento de fazer o balanço da agência de Anthony Gibson, numa altura em que os Sugos passam a fazer parte da sua carteira

Os recursos humanos são agora a principal máxima da Leo Burnett, uma preocupação que nasceu com a reforma na agência de Anthony Gibson, iniciada em Janeiro passado. Nessa ocasião, as principais mudanças traduziram-se na contratação de um novo director criativo, Leandro Alvarez, proveniente da então Ammirati Puris Lintas. Uma aposta clara da agência na criatividade, ao ir buscar ao mercado um dos publicitários mais premiados e conceituados. Foram ainda criados dois departamentos: o de planeamento, dirigido por Jeremy Sharp, e o de gestão de contas/serviço a clientes, liderado por Peter Rodenbeck. Estes quatro elementos passaram a constituir a nova comissão executiva da Leo Burnett Portugal. A partir desta fase, os objectivos passaram a traduzir-se pela expressão “põr a casa em ordem”. O modelo de gestão adoptado baseou-se, segundo Peter Rodenbeck, «em dois formatos de empresa. As dot.com de Silicon Valley e as Hot Shops norte-americanas». Dos departamentos criativo e de contacto saíram cerca de dezena e meia de pessoas. «Às que ficaram corrigimos os salários», acrescenta Peter Rodenbeck. Os resposáveis introduziram ainda aquilo a que chamaram “compensação variável” – ou seja, prémios financeiros pelo trabalho, tanto criativo como estratégico – e instituíram as medalhas de Ouro, Prata e Bronze para as melhores iniciativas por semestre. Seguindo esta gestão, foram estabelecidos acordos para estágios com universidades portuguesas e criados cursos internos para melhorar o desempenho dos Leo trabalhadores. Contratações e contas No plano das contratações, Peter Rodenbeck e Leandro Alvarez garantem que estas são efectuadas tendo em conta os melhores do mercado – uma espécie de “dream team” que os gestores pretendem construir. Recentemente foram contratadas Luísa Teófilo – que vem da Lintas para dirigir um departamento, ainda sem nome, direccionado ao design e ao below-the-line – e Ana Rondão, também ex-Lintas, para TV Producer. Os responsáveis são bem claros nas contas que agora querem para a agência: «Queremos a McDonald’s e uma empresa de telecomunicações. São contas que nos podem permitir fazer sair mais trabalho – mais criativo – em televisão». “Beerstorm” e acções afins Outro novo conceito introduzido na Leo Burnett é a “Beerstorm”. Todas as sextas- -feiras ao final da tarde, as várias equipas da agência juntam-se na varanda de acesso ás instalações e, ao sabor de umas cervejas, discutem ideias e apresentações. Segundo Peter Rodenbeck, «das “Beerstorm” já saíram 20 a 25 apresentações. Uma delas resultou na campanha que agora está no ar para a Galp Energia». Quem não gostar de beber pode sempre discutir ideias durante um jogo de ping-pong numa mesa colocada no mesmo local. Uma clara preocupação com os recursos humanos, tanto que um dos objectivos é agora a mudança de instalações para um local onde o verde e o espaço são características indispensáveis. Nesse sentido, estão neste momento a negociar dois palacetes, um deles dentro de Lisboa. Já durante este mês, a agência vai inaugurar um novo espaço físico nas suas instalações. Trata-se da Livraria Leo, uma sala com apresentações, jornais e revistas da área. Desde que este plano foi iniciado, a agência ganhou as contas da Novartis, Galp Energia, Ariston, Museu do Brinquedo e agora Sugos, uma marca que a Leo Burnett passa a trabalhar por atribuição directa da conta. O crescimento em 1999 fez com que passasse a ser a décima agência portuguesa, segundo o ranking APAP. Para este ano, o crescimento previsto é de 20%.

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