Do cinema para a publicidade

Por a 9 de Junho de 2000

Júlio Alves Realizador da Shots

Cecília Arroja Trabalha em publicidade há apenas dois anos, mas confessa-se completamente rendido á nova área. De tal modo que acaba de assinar contrato com a Shots. Júlio Alves é o novo realizador da produtora, tendo, neste último mês, já realizado dois filmes: o primeiro (“McGolo”) para a agência Guerreiro DDB e para a McDonald’s e, agora, para a TBWA/EPG e PizzaHut. Antes de assinar pela Shots, Júlio Alves trabalhou dois anos como freelancer. «Primeiro como assistente de realização, em que fiz entre 30 e 40 filmes para a Shots, Tangerina e Ministério dos Filmes, e depois como realizador. Nesta última função realizei, para a Shots, os anúncios do Turismo dos Açores e, para a Tangerina, o filme dos Leigos para o Desenvolvimento», relembra Júlio Alves. Quanto a objectivos, o novo realizador da Shots é comedido, mas garante que «sempre criou metas a atingir. Enquanto fui assistente de realização tentei sempre trabalhar com os melhores realizadores e actores. Trabalhei nomeadamente com o Mastroiani durante oito semanas. Como realizador, procurei fazer curtas-metragens tendo em conta os orçamentos de que dispunha e, agora, os objectivos passam por fazer anúncios com qualidade». Entre o cinema e a publicidade existem muitas coisas em comum, «embora os posicionamentos sejam diferentes. A publicidade envolve muito mais pessoas, nomeadamente o cliente, a agência criativa e a produtora, o que faz com que o trabalho do realizador esteja mais protegido. Comum, além de ser utilizada uma câmara, é que em ambos os casos é contada uma história. Antes contava uma história em 16 minutos e agora conto-a em 20 segundos». Diferente é também o posicionamento do realizador. De acordo com Júlio Alves, «enquanto no cinema somos a primeira figura do filme, na publicidade ninguém sabe quem realizou o filme. É sempre o anúncio da marca». No seu percurso pelo cinema, sempre como freelancer, Júlio Alves foi responsável por cerca de 12 longas–metragens, quer como assistente de realização quer como assistente de produção. Realizou três curtas-metragens: “A Fachada”, em 1995, “O Despertador”, um ano depois, e “O Alferes”, em 1999. O cinema é, assim, alvo de um carinho especial. «Obviamente que quero voltar a fazer cinema e preparo uma longa-metragem para fazer nos próximos três ou quatro anos», garante Júlio Alves, que conclui: «Quando era pequeno queria pintar, mas depressa percebi que não tinha muito jeito. Neste momento, a realização é a minha grande aposta e estou contente porque tenho 28 anos e sei o que quero fazer. E, o mais importante, é que estou claramente a fazer o que quero».

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