Revisitar a APAP

Por a 26 de Maio de 2000

Face aos desafios que se aproximam na nossa área de negócio, só falta um pouquinho mais de esforço na melhoria da nossa consciência de grupo e do espírito da nossa classe para que o resultado final seja superior á soma das partes

No passado dia 11 de Abril recebi um telefonema do João Carlos Oliveira. Há cerca de um ano e meio que, por afazeres mútuos, não falávamos. Antes de atender pensei rapidamente qual seria a razão da chamada, já que não temos clientes em comum nem afinidades internacionais, não estava a contratar nenhum quadro da sua empresa, nem supunha que o recíproco estivesse a acontecer. Atendi e percebi que a razão do telefonema não era nenhuma destas. O João tinha um convite, algumas ideias e a vontade de ter um grupo para as executar. Convidou-me então para integrar a lista única que iria concorrer á direcção da APAP. Enquanto a conversa ia decorrendo, pensava eu em paralelo – “Porque é que eu me vou meter nisto?”, “…vou perder imenso tempo…”, “…o âmbito da Associação é mais para agências de publicidade…” -, mas á medida que a conversa avançava sobre as ideias, a equipa, a vontade de construir, o que está feito e o que falta fazer, comecei a ficar interessado. Bastante interessado pelo desafio e pela herança. Aceitei então formar equipa com o João, com o Rui, com o Victor, com o António e com todos os outros que compõem actualmente os órgãos sociais da Associação. No dia 19 de Abril lá fui eu para a eleição. Nesse fim de tarde apenas se encontravam na sede para votar as pessoas/empresas que tinham alguma coisa a ver com a Direcção anterior ou com a nova lista, que, como sabem, ganhou as eleições. Logo ali percebi – julgo que todos percebemos – que uma das primeiras tarefas é a de envolver a APAP com os seus associados e também envolver muito mais os associados com a Associação. Enquanto a primeira parte desta tarefa pode ser rapidamente resolvida, a segunda já é um pouco mais morosa e complexa. Aos poucos, nestas últimas semanas fui tomando consciência do trabalho desenvolvido pelas anteriores direcções até á data, em prol do mercado. É esta consciência que agora me parece que ás vezes não está desperta nalguns dos interessados, sejam eles associados ou não. Eu também não estava. A APAP tem hoje um papel representativo das empresas do sector junto de anunciantes, meios de comunicação, universidades, Governo e outras associações nacionais e internacionais e também participa e organiza eventos ligados á actividade publicitária e de comunicação. Algum desse trabalho tem que ser continuado, algum tem que ser reiniciado e algum tem que ser terminado. Mas tudo isto só faz sentido se as empresas da indústria ajudarem na sua intervenção. Como? Intervindo! Parece-me que o fio do meu raciocínio desde o dia em que o João me telefonou até hoje não é ímpar, nem um caso isolado. As empresas de comunicação – as de publicidade, as de meios e todas as outras do sector – devem potenciar o papel integrador de interesses, de grupo de opinião e de pressão para o exterior da nossa indústria que esta associação tem. O nosso mercado é um somatório de várias actividades que envolvem a comunicação. Por cada sucesso na conquista de um cliente, de uma campanha, ou de um trabalho, coleccionam-se três ou quatro insucessos, nem que seja apenas no saldo dessa conquista, entre quem ganha e os que perdem. É duro, mas é assim. O que na realidade interessa é que o mercado tem crescido em dimensão, qualidade e áreas de intervenção, multiplicando-se as empresas com novas marcas abrangendo novas disciplinas. Sabemos que antes da classe estão as empresas. As empresas onde cada um de nós tem um papel de gestor e é sobre esse desempenho que cada um é avaliado. No entanto, face aos desafios que se aproximam na nossa área de negócio, só falta um pouquinho mais de esforço na melhoria da nossa consciência de grupo e do espírito da nossa classe para que o resultado final seja superior á soma das partes.

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