Liberdade para a publicidade

Por a 19 de Maio de 2000

A publicidade não força ninguém a comprar produtos. É esta a mensagem que o European Publishers Council quer fazer passar, de forma a evitar mais proibições de certas mensagens publicitárias

Membros do European Publishers Council (EPC), entidade presidida por Francisco Pinto Balsemão e constituída por um grupo de administradores e executivos de 27 grupos de comunicação social europeus, estão a disponibilizar espaços gratuitos nas suas publicações e sites, por forma a promover a liberdade na publicidade. A campanha, desenvolvida pela Grey Bruxelas e iniciada nesta sexta-feira, consiste num conjunto de anúncios para imprensa e internet e irá prolongar-se durante os próximos dois meses. Os responsáveis pretendem mostrar que os consumidores de hoje estão suficientemente instruídos para decidirem aquilo que é ou não bom para eles. Recorde-se que a publicidade ao tabaco foi declarada proibida pela União Europeia, numa directiva que entra em vigor a partir de 2001. Segundo os responsáveis por esta iniciativa, existem outra categorias sob a ameaça de virem a ser banidas, como é o caso do álcool e da publicidade dirigida ás crianças. Em relação a esta última, é sabido que o Governo sueco – que irá presidir á União Europeia em 2001 -pretende que a legislação seja revista. Foram desenvolvidos vários anúncios, tanto para imprensa como para internet. Em ambos os casos, a mensagem é a mesma: “No fim, é você quem sabe o que é bom para si.” No caso das peças destinadas á imprensa, cada anúncio foi desenvolvido em forma de teaser, remetendo os consumidores para o site da campanha. Neste, os visitantes são convidados a participar numa sondagem, cujos resultados serão apresentados aos principais decisores da União Europeia. Assim, frases como “nenhuma mulher foi á falência por ver um anúncio de moda” acompanham peças que recriam as várias situações do dia-a-dia em que os consumidores entram em contacto com a publicidade. O objectivo é estimular o diálogo, via internet, entre os anunciantes, o EPC e o público em geral. Uma iniciativa que se espera vir a ser bem sucedida, tal como aconteceu num passado recente: em 1991, uma campanha similar levou o EPC ao diálogo com o então presidente da Comissão Europeia, Jacques Delors, traduzindo-se numa diminuição das “ameaças” a algumas áreas da publicidade. De acordo com Francisco Pinto Balsemão, a presente iniciativa «pretende mostrar aos decisores da UE os benefícios sociais e económicos da publicidade». O presidente do EPC acrescenta que «a publicidade é uma poderosa ferramenta de comunicação, mas não força as pessoas a fazer ou a comprar coisas que não queiram. Os legisladores não vão diminuir o número de fumadores ou alcoólicos ao banirem a publicidade a produtos legalmente disponíveis». Em jeito de conclusão, Pinto Balsemão defende que «é preciso recordar aos legisladores que a publicidade não só financia uma imprensa pluralista, como também facilita o desenvolvimento da internet e do comércio electrónico e ajuda as publicações europeias a tornarem-se competitivas no mercado global».

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