Conclusões…

Por a 24 de Março de 2000

Em tom irónico, Américo Guerreiro apresentou as conclusões do X Congresso da APAP. Opiniões que, como salienta, representam apenas o seu ponto de vista. Aqui fica um resumo. «Sobre a TV Data: foi um estudo efectuado por uma empresa que comercializa espaço em televisão no Reino Unido. Um estudo decerto polémico pelas razões dos outros media. Um estudo que custou 4 milhões de libras, mais de 1,2 milhões de contos. É verdade que pago em três anos… mas é muito dinheiro. É um trabalho útil pelo exemplo. É possível extrapolar os resultados para o nosso mercado. De qualquer forma, a televisão funciona. Quanto ao retalho: de facto, o futuro não parece ser das grandes superfícies. A relação dos consumidores com o retalho… o futuro o dirá, e ditará. O futuro no século XXI não será uma incógnita mas certamente uma surpresa. Em Portugal, os supers mostraram mais vigor que os hipers, mas provavelmente por razões legais, não tanto por razões valorativas. Promoções, sim ou não. Umas comem-se ás outras. Lealdade mas pouco. São centros de “desfidelização”. O comércio tradicional nunca morrerá, recuperará um espaço esquecido pela relação pessoal? Quanto á criatividade e globalização, a Lowe Lintas atacou o problema pelos produtos alimentares, os mais sensíveis porque têm a ver com a cultura. Provavelmente, os estrangeiros adorarão o nosso peixe com azeite. Nós não adoramos a sua carne de porco, que é 90% da sua alimentação. Aqui já não há globalização. “Globar” sem violentar as culturas, esta é a questão, como diria Shakespeare. Bom senso, precisa-se. As bebidas e a Coca-Cola: as 11:30 deles não são as nossas 16:30, mais uma vez uma questão de cultura independentemente das marcas ou produtos. Nós não almoçamos ás 14 horas nem jantamos ás 22 horas como os espanhóis, e já não dormimos a “siesta”. Budweiser, talvez; Omo, outra questão de cultura á “old fashion”. Nós, consumidores, não queremos ser um número mas sim indivíduos. Esta é a subtil generalização das culturas via consumo em que também se impõem regras técnicas e práticas. Cuidado, já somos pobres na “culturazinha”, que pelo menos se preserve isso… Caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Sejamos prudentes á portuguesa. Global, sim, á “globaleza”. Quanto á pesquisa, pesquisar mais é preciso… para ser mais preciso. Vemos muita televisão mas não lemos, e até já os estrangeiros se aperceberam disso, como também de como é bom viver em Portugal. As acções combinadas é o que está a dar. Não esqueçam a hora do stress, que é mais ou menos entre as 17 e as 18 horas… A autodisciplina. O Instituto do Consumidor tem de contra-ordenar, tem de fazer cumprir os regulamentos. É assim e ainda bem que actua, se não isto era, como diz o outro, uma “República das Bananas”. Auto-regular é prevenir, auto-regular é isso mesmo, é controlo de nós próprios por nós próprios. É, acima de tudo, uma atitude civilizada num país civilizado que se quer maduro também na sua comunicação social. Assim, recorra-se ao ICAP. Tem experiência, é rápido, sai barato e poupam-se milhões.»

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