“Queremos no primeiro ano chegar perto dos níveis da TSF” em Lisboa e no Porto

Por a 10 de Setembro de 2019

Fernando TavaresA Rádio Estádio nasceu no dia 25 de Maio e conta agora com frequências em Lisboa e no Porto e uma equipa que, entre jornalistas, colaboradores e comentadores, totaliza cerca de 40 profissionais. Arrancou com parcerias com a TVI24, para a transmissão em simultâneo do programa Prolongamento, além do canal Eurosport, do site ZeroZero e da Bandnews Rádio do Brasil. A expectativa, adianta ao M&P Fernando Tavares, director-geral da estação, é atingir no espaço de quatro anos o break-even do investimento na ordem dos 2,8 milhões de euros envolvidos no projecto.

Entre os principais investidores estão Bruno Costa Carvalho, ex-candidato à presidência do Benfica que esteve ligado à fundação da NTV e do Porto Canal, onde Fernando Tavares foi durante vários anos director de informação, João Espírito Santo, médico dentista da rubrica Sr. Doutor da TVI, além da empresa Braver Media Group, que opera em áreas como comunicação multimédia, representação de atletas e influenciadores ou organização de eventos, estando ligada a projectos como o RFM Somnii ou a cobertura da fase final da Taça da Liga CTT.

Meios & Publicidade (M&P): Como surge o projecto de criar uma rádio exclusivamente dedicada ao segmento desportivo?
Fernando Tavares (FT): Não tem segredos. Pela necessidade de ter informação desportiva no único meio que permite fazer outras tarefas sem pedir a nossa atenção total. As rádios de desporto existem em muitos países mas, mesmo que fossemos o primeiro caso no mundo, seríamos com toda a certeza seguidos. Este é um meio de comunicação muito procurado. Nem o vídeo matou a rádio, nem a televisão, nem a internet. Esta última, pelo contrário, só fortaleceu o meio rádio.

M&P: Num mercado pequeno mas com vários jornais/sites desportivos e com uma presença extensa do futebol na programação dos canais de informação na televisão, além de dois canais de informação desportiva, há espaço para uma rádio como a Estádio?
FT: A pergunta acaba por ter boa parte da resposta. Existirá outro conteúdo informativo que mereça tanto espaço nos meios de comunicação? Até os clubes apostam em canais de televisão. Somos uma rádio sobretudo de futebol, embora tenhamos sido os únicos a transmitir na integra todos os jogos de Portugal no Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, todos os jogos da decisão do campeão nacional de basquetebol, da decisão do Campeonato de Futsal, da consagração do apuramento para o Europeu de Andebol de 2020. Em parceria com a Eurosport, transmitimos os principais jogos do CAN, até à final, e também no caso da Copa América.

M&P: Quem identifica como principais concorrentes? É com os canais de informação e formatos de debate desportivo que disputam a atenção dos ouvintes?
FT: Não temos concorrência directa. Mas, sabemos bem, todos concorremos com todos, independentemente do meio de distribuição. Temos a vantagem de ter o espaço todo livre para os temas desportivos e isso faz a diferença. Não estamos dependentes da hora certa diária, como acontece com as rádios generalistas ou de informação. Viemos para responder a uma necessidade, a um apelo do mercado. Somos complementares, queremos ser o local onde as notícias chegam primeiro, onde os assuntos se debatem, onde se fala de futebol, das polémicas, claro, mas também de análise à táctica e à estratégia.

M&P: Quem acredita ser a audiência da Rádio Estádio? Onde esperam ir buscar ouvintes?
FT: O nosso objectivo é muito amplo. Quem não gosta de futebol, de desporto? Posicionamo-nos claramente nas classes A, B e C1 e sabemos que todos os outros estão lá também, mas queremos um perfil elevado. Temos a vantagem de que, no futebol e no desporto, ao contrário de outras áreas, somos milhões a perceber do que se fala ou, pelo menos, a ter opinião fundada. Vamos buscar ouvintes a todo o lado, somos uma rádio para uma imensa maioria. A nossa assinatura é clara: Desporto com frequência. Estou convencido de que iremos trazer mais gente para o meio rádio.

M&P: Ao nível da programação e formatos, como se caracteriza a Rádio Estádio e o que diferencia o projecto da oferta existente, por um lado no panorama da rádio e, por outro, no segmento da informação desportiva em geral?
FT: Desde logo porque aqui temos todo o tempo do mundo para falar de futebol e desporto, 24 horas por dia. A nossa programação não é estanque, temos uma grelha guia, com noticiários de hora a hora, mas a actualidade impõe regras. A qualquer momento pode surgir um debate especial, um fórum. Fazemos relatos de todos, da primeira e segunda ligas, até dos Campeonatos de Portugal e camadas jovens. Relatos da liga inglesa, espanhola, italiana e brasileira. Ainda bem que não havia informação para dar no defeso, como algumas pessoas nos diziam. Havia tanto para dar que teríamos de fazer um segundo canal, a Estádio 2. Temos programas de debate e de informação das outras modalidades, da formação, dos portugueses espalhados pelo mundo. A programação destina-se aos fãs e adeptos mas com um perfil de discussão elevado. Não somos inócuos, não evitamos as polémicas, mas também não andamos a espremer sangue. O jogo é tão bonito e alegre, as pessoas gostam disso e é isso que as leva aos estádios, neste Estádio também é assim. O que tem que ser dito é dito, não temos amarras nem compromissos. O nosso compromisso é com o jornalismo, com a verdade, para os ouvintes. Temos comentadores/adeptos residentes de todos os clubes da Primeira Liga, somos claramente o Estádio de todos. Fomos a única rádio a transmitir na integra os quatro jogos da Liga das Nações. Somos a rádio dos adeptos e fãs.

M&P: Actualmente estão a emitir com frequências em Lisboa e Porto. O alargamento a outras zonas do país está em cima da mesa? Quais são os objectivos para a projecto no médio prazo e quais as expectativas me termos de audiência?
FT: Não é importante. Importante é o conteúdo. Mesmo assim, chegamos potencialmente a cerca de sete milhões de pessoas. Não sou eu quem o diz, é o presidente da Associação Portuguesa de Geógrafos. Segundo ele, as cidades/metrópoles, a partir do centro, têm uma influência de 50 km de raio. É a nossa área de cobertura. Vamos para lá de Setúbal, chegamos a Braga, Guimarães, Famalicão, Santarém. É uma vasta maioria da população. Claro que não podemos esquecer que a nossa emissão online chega a todo o mundo. Muito em breve iremos apresentar e lançar a nossa plataforma digital em pleno. Queremos fazer algo que deixe a diferença, tal como a rádio. Quanto a audiências, porque somos um produto único, queremos no primeiro ano chegar perto dos níveis da TSF nestes pólos urbanos. Quanto à expansão de cobertura, teremos novidades. O caminho está a ser feito.

Entrevista publicada na edição desta quinzena do M&P no âmbito de um dossier especial dedicado ao segmento desportivo

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