Desafios da marca Portugal

Por a 23 de Agosto de 2019

Teresa AragonezSem surpresa, o sector do turismo continua a bater recordes e a ser destaque nas notícias e meios digitais, sejam nacionais ou internacionais. O nosso país tem conquistado prémios pelos quatro cantos do mundo, e é certo que, nos últimos anos, Portugal tem-se assumido como um destino irresistível.

Caracterizado como um país autêntico e genuíno, os factores inovação e qualidade são também enaltecidos como diferenciadores por quem nos visita, contribuindo como impulsionadores do aumento e melhoria da percepção da qualidade dos serviços turísticos nacionais, deixando claramente Portugal bem posicionado neste mercado tão competitivo.

Para este crescimento, além das características tão bem conhecidas e reconhecidas por todos do nosso país, o sector beneficiou de desenvolvimentos geopolíticos que aumentaram, junto de diversos públicos, a sua atractividade relativamente a outros destinos concorrentes, e Portugal soube aproveitar essas condicionantes da melhor forma, com os proveitos do sector a crescerem 73 por cento nos últimos cinco anos.

Se falarmos em termos económicos, o sector do turismo reforça a sua importância devido ao forte contributo para o equilíbrio das contas externas, com o peso das exportações turísticas nas exportações totais a registar-se, em 2018, em 19 por cento. Contudo, o impacto do turismo pode também ser avaliado pelo número de empregos na área e, segundo o relatório World Travel & Tourism Council, actualmente, contabilizam-se 1,05 milhões de trabalhadores, um número que representa 21,8 por cento do país.

Outro ponto que importa referir é o facto de o turismo em Portugal estar a registar uma mudança estrutural, deixando de ser uma actividade sazonal, conseguindo alcançar novos mercados e abrir novos caminhos neste crescimento, que se quer sustentável. Este é um dos pontos mais importantes quando falamos de marketing. Uma parte significativa desse crescimento é fruto de uma estratégia de crescimento, desenvolvida desde há vários anos, que abrange não só a vertente quantidade, mas também valor/qualidade.

O posicionamento da marca Portugal foi reforçado positivamente junto de diversos públicos, somos um destino recomendado por várias revistas de referência internacional, conseguimos, de forma gradual aumentar o fluxo de turistas durante todo o ano, contribuindo assim para “combater” a tradicional sazonalidade.

Outro ponto a ter em consideração, quando falamos de turismo e da forma de promover um destino como Portugal, são as redes sociais e o peso que estas têm, cada vez mais notório, na tomada de decisão e, naturalmente, na divulgação e promoção do destino enquanto experiência. As novas formas de comunicação, às quais Portugal não ficou indiferente e tem conseguido alcançar algumas conquistas, desenvolvendo campanhas especificamente para o online, permite-nos chegar a mais públicos, de forma menos dispendiosa e focada.

Ora, neste contexto de crescimento do turismo, e numa lógica de gestão do ciclo de vida, para além do foco na sustentabilidade económica e do próprio destino, devem os gestores do destino Portugal e também os agentes económicos e restantes intervenientes, preocupar-se com o possível amadurecimento da procura. Será que esta fase gloriosa de crescimento não irá abrandar nos próximos anos? Será que estamos preparados para este abrandamento e para um turismo mais sofisticado? Será que as estratégias de marketing usadas hoje, numa fase de crescimento, se manterão nos próximos anos?

Estas últimas questões devem servir de reflexão sobre o futuro das estratégias para a área do Turismo em Portugal.

Artigo de opinião de Teresa Aragonez, directora da licenciatura de Gestão de Marketing do IPAM Porto

 

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