15 anos de Rock in Rio-Lisboa: desafios de identidade da marca

Por a 27 de Agosto de 2019
Academy_Brasil_Roberta MEdina, Ricardo Acto e Agatha Areas em Lisboa, Portugal a 24 de Junho de 2019. Foto: AgenciaZero.net

Roberta Medina

Este ano o Rock in Rio-Lisboa saiu do Parque da Bela Vista para ocupar diversos espaços de Lisboa, dando nova vida a conteúdos nascidos na Cidade do Rock. Encontros inéditos entre artistas portugueses e brasileiros que tiveram lugar no Capitólio; a criação – arrojada – da primeira cidade de Gaming do país; iniciativas ligadas à inovação e à educação. Estas são, apenas, algumas das apostas que em 2019 conquistaram o seu espaço, preenchendo um calendário que, a partir de agora, se torna bianual (existindo em ano ímpar).

2019 é também o ano em que comemoramos 15 anos da chegada do maior evento de música e entretenimento do mundo – que teve origem no Brasil – a Portugal. E com esta data, chega um novo posicionamento, de que agora “o Rock in Rio não pára”!

Depois de oito edições, como se mantém a identidade de um evento e de uma marca fora do seu habitat natural?
Acreditamos que cada novo produto deve ter a sua própria personalidade, mas que há um factor determinante, capaz de transmitir a marca Rock in Rio, mais do que o nome, o lettering ou a imagem da emblemática guitarra vermelha. É o cuidado e o detalhe com que desenvolvemos os projectos que deixam a nossa marca. A equipa núcleo é sempre a mesma, portanto, o nível de detalhe, a forma de entrega, o traço mainstream, o registo de entretenimento e a experiência que proporcionamos em tudo o que fazemos, são elementos-chave que mantêm o registo da marca Rock in Rio. Sobretudo nos eventos de menor dimensão, o segredo está em manter o mesmo padrão de qualidade. O contacto próximo com as marcas patrocinadoras – algumas presentes no naming dos eventos – é determinante para que tudo seja desenvolvido com a mesma linguagem e com o foco principal na experiência. Trabalhar em conjunto, num ambiente de parceria com as marcas patrocinadoras, debater e construir as ideias em conjunto, mantendo sempre um espírito de abertura, é essencial para que todas as decisões finais façam sentido.

Quando chegámos a Portugal, disseram-nos que era impensável organizar um festival da dimensão do Rock in Rio destinado a um público tão transversal. Os festivais que existiam em 2004 eram focados no rock, pensados para um público jovem. Quando começámos a comunicar que éramos um festival para várias gerações, encontrámos muito cepticismo quanto à presença de um público mais velho, de crianças ou de famílias. Com a evolução da oferta dentro da Cidade do Rock, fomos conquistando esse lugar de evento transgeracional: para todas as idades, para famílias, para amigos, no fundo, para viver uma experiência em conjunto com quem partilha o gosto pela música e pelo entretenimento. Isto acontece porque soubemos olhar para o consumidor. Outra das “lutas” que combatemos sempre que chegamos a um novo país é a explicação do nosso nome e porque não o adaptamos a cada local. O facto de sermos Rock in Rio-Lisboa e não “Rock in Lisboa” é uma escolha pensada e estratégica, foi o caminho que escolhemos para a construção da nossa marca.

Os desafios para manter a notoriedade e a identidade de uma marca nunca terminam. Ao longo de 15 anos enfrentámos vários. Fomos desconstruindo a ideia de não sermos um festival exclusivamente de rock, não ser sempre no Rio de Janeiro e não sermos apenas um festival. Este ano fomos ainda mais longe e reinventámo-nos. Saímos da Bela Vista e demos vida a novos conteúdos fora da Cidade do Rock, apostando em novas áreas de entretenimento que farão o seu caminho. Daqui a 15 anos estaremos certamente a falar dos desafios de identidade da Worten Game City, das Galp Music Valley Sessions ou do Rock in Rio Innovation Week. Que venham eles!

Artigo de opinião de Roberta Medina, vice-presidente executiva do Rock in Rio

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