“Vai ser muito diferente de tudo o que existe”

Por a 29 de Julho de 2019
Nuno Santos, director do 11

Nuno Santos, director do 11

A poucos dias do arranque, Nuno Santos, antecipa o que vai ser o canal que nasce “para trazer mais rapazes e raparigas para o futebol”. 600 transmissões em directo por ano, informação, debate e análise e um late night vocacionado para captar público mais distante do futebol fazem parte da aposta.

 

Meios&Publicidade (M&P): “Não temos nenhuma semelhança com os canais de clube, não somos um canal corporativo e não somos o canal da Federação. Somos a plataforma de conteúdos do futebol português”, disse em entrevista ao Público. Na prática, como é que este conceito se vai traduzir em antena?
Nuno Santos (NS): Este projecto nasce para trazer mais rapazes e raparigas para o futebol. Isso significa mostrar mais o jogo, agregar, criar comunidade e fazê-lo, por certo, com as transmissões, mas também com vídeo, com média e grande reportagem. Há muito futebol que nunca foi visto, que está a ganhar força. Gosto de dar o exemplo do futebol feminino, que hoje é um movimento social e não apenas desportivo e que estará muito presente no 11. Seremos, de resto, o canal que mais desporto feminino mostrará em Portugal. Vamos começar, por exemplo, por mostrar os jogos do campeão nacional, o Sporting de Braga, na Champions feminina. É um sinal forte.

M&P: Como é que vai ser um dia tipo?
NS:
O 11 vai ter muitos dias atípicos, porque a grelha tem uma dinâmica que resulta de dois factores: 600 transmissões em directo por ano implicam ajustar a programação de acordo com as conveniências. Por outro lado, o canal terá uma lógica de eventos ligada com a nossa agenda ou em conexão com a actualidade, mesmo não sendo nós um canal de notícias. Mas não fugirei à pergunta. Teremos programas que se vão adequando aos públicos disponíveis. Um programa quase de talk rádio no arranque da tarde, um registo de talk show a seguir, depois uma matriz mais informativa e de debate e análise no prime time. Diferente do que se vê hoje na oferta que existe. Finalmente, no late night, teremos um programa com o qual queremos cativar públicos que, em tese, estão mais longe do futebol.

M&P: No prime time debate e análise, mas diferente do que se vê na oferta que existe. Significa discutir mais o futebol pela positiva? Mais o jogo dentro de campo e não as polémicas em torno do futebol?
NS:
Significa discutir o futebol. E todo o futebol, incluindo, quero deixar isso claro, as grandes competições da Liga NOS à Champions ou à Liga Europa. Mas sempre pelo ângulo dos protagonistas e das suas acções. Logo aí estamos a falar dos jogadores e dos treinadores. O nosso foco será sempre esse. Vai ser muito diferente de tudo o que existe. Não temos dúvida de que os federados e os antigos federados encontrarão nestes programas muitos pontos de interesse. E estamos a falar de milhares de pessoas. Só em actividade são mais de 215 mil. Este será um canal onde a informação, tratada de forma profunda e reflectida, terá um papel muito relevante.

M&P: Qual é o objectivo em termos de audiência? O potencial do canal? A ideia será “chegar a um número muito significativo de espectadores”. Estamos a falar de que posição nos rankings de audiências?
NS: A resposta é simples: temos de aumentar o número de que falei na resposta anterior. Temos de trazer mais pessoas para a prática do jogo. Temos de ser mais de 215 mil federados nos próximos anos. Se o conseguirmos, o 11 terá sido um sucesso. Podemos combinar já uma entrevista anual de avaliação deste objectivo, no final de cada época. O 11 é um canal de televisão, mas também uma marca com capacidade de chegar às pessoas de outras formas.

M&P: Vamos a essa questão, às outras formas. Para além do cabo, o que é que está pensado para o digital e em especial para as diferentes redes sociais?
NS: As redes sociais não são um espelho do canal, bem longe disso. A marca terá os seus valores próprios, mas o conteúdo será diferente. Com linguagem distinta, ritmo diverso. Será surpreendente. Aliás, acho que já está a ser.

M&P:  O acordo entre a FPF e a RTP terminou em Março. Entretanto, anunciaram na última semana um acordo com a SportTV. A que ajustes é que a quebra do acordo com a RTP obrigou?
NS:
Poucos, sendo claro. É um tema resolvido. O acordo com a SportTV será visível em ambas as antenas e não só.

M&P: O edifício dos estúdios do Canal 11, bem como todos os equipamentos técnicos do canal, serão financiados na íntegra pela UEFA. E a operação? Cerca de 1,5 milhões, para a temporada 2019/2010, serão provenientes da FPF. Em velocidade cruzeiro será este o budget atribuído pela FPF ao 11?
NS
: A FPF investe um valor que é público, está no orçamento para 2019/20. Também é público que os operadores – Meo, NOS e Vodafone – são parceiros decisivos no projecto, isso já foi salientado publicamente pelo presidente da FPF, Fernando Gomes. E iremos, naturalmente, procurar uma fatia de investimento publicitário que esteja em linha com a qualidade do projecto, o seu posicionamento e a capacidade que tiver para gerar audiência. O projecto visa o equilíbrio, trabalhámos de forma prudente, como deve ser.

M&P: Qual é o orçamento do canal? Em termos percentuais, como é que perspectiva a repartição das receitas?
NS: Eu entendo a curiosidade, mas se responder à pergunta inevitavelmente vou estar a falar de outras entidades. Não o vou fazer.

Nuno Santos 2M&P: A FPF tem uma série de sponsors. Estes são em simultâneo patrocinadores do 11?
NS: Esses parceiros estão connosco no arranque do 11, quiseram estar e estamos muito satisfeitos que nos acompanhem num momento tão especial.

M&P: O canal pode ter publicidade de marcas concorrentes às que patrocinam a Federação?
NS: Sim.

M&P:  O 11 arranca na NOS, Meo e Vodafone. As negociações com a Nowo encerraram sem acordo?
NS: Não. Estamos a negociar.

M&P:  Já em Dezembro, numa primeira apresentação do 11 na conferência do M&P Comunicação em Debate, dizia que o objectivo seria também chegar aos mercados internacionais, dando como exemplo França, Angola, Moçambique e África do Sul. Já há alguma coisa nesse sentido?
NS:
Sim, e vamos apresentá-las em breve. Queremos que todos os portugueses, em qualquer parte do mundo, possam ver o 11. Até porque será o canal com mais jogos das selecções nacionais de futebol, futsal e futebol de praia.

M&P: Dizia também nessa conferência que iam ter equipas “em todos os sítios do país”. A equipa é constituída por quantas pessoas? Como é que estão divididas, em termos de funções e também geográficos?
NS: A equipa é pequena. Não conheço nenhuma operação tão pequena, mas está montada para ser eficaz. Estamos de facto no país todo, além de Lisboa e do Porto temos, por exemplo, equipas em Braga e em Coimbra. E temos uma rede de correspondentes ligada às associações de futebol onde já estão a nascer muitas histórias. Aliás, é justo reconhecer que sem o apoio entusiástico de todos os sócios da FPF este projecto, tal como está desenhado, não seria possível.

M&P:  Começou a trabalhar no 11 há cerca de um ano. O canal que vai dia 1 para o ar é próximo do que idealizou?
NS: Eu sou muito exigente. Sempre fui. Comigo mesmo e passo essa exigência às equipas. Gosto do projecto e do conceito, parto satisfeito, sei que vamos melhorar. É um caminho, sabemos para onde vamos e sabemos que há sempre passos para dar.

M&P:  Foi o primeiro director da SIC Notícias, já em 2001. Agora o 11. São tempos e contextos diferentes. Como é que compara as duas experiências?
NS: O ponto de contacto mais forte é o novo. Fazer acontecer é sempre o grande desafio. De facto, são tempos e contextos muito diferentes. Esta indústria está em mutação, a exigência subiu para todos, a fragmentação dos públicos alterou as regras do jogo. Criou, aliás, outro jogo. O digital, que na época era residual, hoje é dominante. Sou um privilegiado porque vivi toda esta mudança e, tendo gostado de tudo o que fiz – no público e no privado, no entretenimento ou na informação, nas plataformas ou com as marcas, em Portugal e fora – interessa-me muito mais o que me falta fazer.

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