Nicolau Santos: “Pela primeira vez em duas décadas a Lusa não cumprirá o Plano de Atividades e Orçamento”

Por a 24 de Julho de 2019

Nicolau SantosO presidente do Conselho de Administração da Lusa assegura que o corte de 463 mil euros no orçamento da Lusa é “incongruente” e anunciou que não o vai cumprir, sujeitando-se às consequências.
“Se não houver qualquer evolução nesta decisão, então é evidente que pela primeira vez em duas décadas a Lusa não cumprirá o Plano de Actividades e Orçamento, sujeitando-se o presidente do Conselho de Administração às respectivas consequências”, lê-se num comunicado assinado por Nicolau Santos e distribuído aos trabalhadores da agência de notícias e tornado público pela agência de notícias.
Nesse mesmo comunicado, Nicolau Santos declara que o Conselho de Administração foi surpreendido na passada assembleia-geral “com uma declaração de voto do accionista Estado, impondo a limitação da verba destinada a Fornecimentos e Serviços Externos (FSE) no valor máximo de 3,6 milhões“. Trata-se do “valor mais baixo desde 2000, onde essa verba ultrapassava os cinco milhões de euros e o contrato de prestação de serviços exigia bastante menos à Lusa do que o atual”, refere.
Para Nicolau Santos, o facto de o Plano de Actividades e Orçamento deste ano “só ter sido aprovado em 19 de Julho torna impossível a redução dos FSE em 463 mil euros até ao final do ano face ao que estava orçamentado, já que nos cinco meses que restam a compressão de gastos teria de rondar quase os 100 mil euros por mês”. O responsável indica que “muito mais importante, a alternativa seria então proceder ao despedimento generalizado dos jornalistas que trabalham na rede nacional e internacional da agência e cujos encargos rondam os 1,2 milhões por ano”.

Segundo Nicolau Santos, “não faz qualquer sentido que o corte agora imposto pelo Estado em matéria de FSE se venha a repercutir no emprego ou no rendimento destas pessoas, que são absolutamente cruciais para que a agência possa cumprir a sua missão no país e no estrangeiro”, dando como exemplos a cobertura das “deslocações do Presidente da República e outros altos dignitários do Estado, bem como de diversos agentes políticos, até aos incêndios que assolam o país, passando pela actividade nas autarquias ou nas comunidades portuguesas no exterior, além de múltiplos acontecimentos na área da política, saúde, economia, sociedade, cultura, desporto, acontecimentos internacionais”, entre outros.

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