Lucros da Media Capital com quebra de 44% para 5,9 milhões de euros

Por a 26 de Julho de 2019
Este é o último exercício de Rosa Cullell, até ao início do mês CEO da Media Capital

Este é o último exercício de Rosa Cullell, até ao início do mês CEO da Media Capital

A Media Capital fecha o primeiro semestre com lucros de 5,9 milhões de euros, números que devolvem o grupo a terreno positivo depois dos prejuízos registados no primeiro trimestre mas que, em termos homólogos, traduzem uma quebra na ordem dos 44%. O resultado líquido agora reportado pelo grupo dono da TVI, segundo o relatório enviado esta sexta-feira à CMVM, compara com lucros a rondar os 10,5 milhões de euros no primeiro semestre de 2018. O segundo trimestre, com um resultado próximo dos 7,3 milhões de euros, equilibrou as contas do grupo depois de um primeiro trimestre em terreno negativo, com prejuízos na ordem dos 1,4 milhões de euros. No entanto, também o resultado registado neste segundo trimestre representa uma quebra de 15% na comparação com o trimestre homólogo no último ano, período em que a Media Capital alcançou lucros de aproximadamente 8,6 milhões de euros.

A evolução negativa dos resultados do grupo neste primeiro semestre de 2019 fica a dever-se sobretudo a uma subida de 7% do lado dos gastos operacionais, que passaram de 67,4 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2018 para os 72,1 milhões de euros, com este valor a incluir as os gastos com reestruturação, que dispararam 94% no período, de 353 mil euros para 686 mil euros. Mesmo excluindo estes gastos, a subida foi de 6%, fixando os custos operacionais nos 71,5 milhões de euros. No entanto, ao contrário do primeiro trimestre, cujo resultado negativo foi registado apesar de as receitas terem crescido 1%, no encerramento das contas dos primeiros seis meses do ano também os rendimentos operacionais registam uma descida de 1%, passando dos 86,9 milhões de euros para os 86,4 milhões. Descida que ficou a dever-se a uma redução de 3% no item Outros Rendimentos (produção audiovisual, serviços multimédia e rendimentos de cedência de sinal), fixados em 27,4 milhões de euros, já que as receitas publicitárias cresceram 1% para perto de 59 milhões de euros.

Com estes resultados, o desempenho financeiro alcançado pela Media Capital neste primeiro semestre de 2019 traduz-se num EBITDA de 14,2 milhões de euros, valor que representa uma quebra de 27% face ao EBITDA de 19,4 milhões de euros registados pelo grupo no semestre homólogo em 2018. Mesmo excluindo os gastos com reestruturação, o EBITDA ajustado da Media Capital rondaria os 14,9 milhões de euros, o que ainda assim corresponde a uma quebra na ordem dos 25%.

Separando a análise aos resultados do grupo por segmento, verifica-se que a quebra das receitas do grupo no primeiro semestre foi travada pelo bom desempenho do sector da rádio, cujas receitas cresceram 23%, já que as áreas de negócio de televisão e produção audiovisual encerram os primeiros seis meses de 2019 com quebras nas receitas de 2% e 3%, respectivamente. O segmento de televisão, onde está concentrada a grande maioria das receitas da Media Capital, fecha o semestre com rendimentos de 70,3 milhões de euros, com a publicidade a descer 1%, passando de 48 milhões de euros para 47,3 milhões de euros, enquanto o item Outros Rendimentos desce 2% para cerca de 22,9 milhões de euros. Além da descida nos rendimentos operacionais, a área de televisão, que além da TVI conta com canais cabo como TVI24, TVI Ficção e TVI Reality, viu os gastos operacionais subirem 9%, passando de 56,6 milhões de euros no primeiro semestre de 2018 para os 61,5 milhões de euros entre Janeiro e Junho deste ano, incluindo 414 mil euros de gastos com reestruturações.

Números que fazem com que a área de televisão, que neste primeiro semestre viu a liderança da TVI nos últimos 14 anos escapar para a SIC, encerre o exercício do primeiro semestre com o resultado operacional a cair 50%, de 13,6 milhões de euros para 6,8 milhões, e com o EBITDA a sofrer uma quebra de 41%, passando dos 14,8 milhões de euros no primeiro semestre do último ano para 9,1 milhões este ano.

À semelhança da área de televisão, o segmento de produção audiovisual, onde o grupo detém a Plural, regista uma evolução negativa. Os rendimentos operacionais desta área de negócio rondaram os 15,3 milhões de euros nestes primeiros seis meses de 2019, o que representa uma descida de 3% face às receitas de 15,7 milhões de euros em igual período de 2018. A par desta perda, do lado dos gastos operacionais há um aumento de 6%, passando dos 15,6 milhões de euros para os 16,6 milhões apesar de uma descida nos gastos com reestruturações (-10%), fixados em 172 mil euros. O grupo atribui a diminuição dos rendimentos neste segmento “à menor actividade em Espanha, que se encontra em níveis residuais”, assegurando que “a actividade em Portugal recuperou bastante no segundo trimestre, depois de uma quebra acentuada nos primeiros três meses do ano (sobretudo novelas). Do lado dos gastos, o aumento, justifica o grupo, surge “em virtude do esforço colocado na qualidade dos conteúdos” e também “da maior actividade de produção em Portugal”.

Números que explicam o resultado no vermelho, com o EBITDA a fixar-se em 1,3 milhões de euros negativos (1,1 milhões excluindo os gastos com reestruturação), que comparam com resultados positivos de 103 mil euros no primeiro semestre do último ano. O mesmo se passa no resultado operacional registado por esta área de negócio no fecho do exercício para o primeiro semestre, cujo resultado negativo em 851 mil euros reportado no semestre homólogo em 2018 é agora agravado com uma quebra de 232% para um resultado negativo de 2,8 milhões de euros.

Melhores resultados apresenta o segmento de rádio, que continua a ser o terceiro na linha de receitas da Media Capital mas muito aproximado do peso do segmento de produção audiovisual neste primeiro semestre de 2019 ao ver os seus rendimentos operacionais crescerem 23%, passando dos 9,8 milhões de euros alcançados no último ano para os 12,1 milhões de euros. Nesta área de negócio, as receitas publicitárias cresceram acima do mercado, subindo 10% dos 9,1 milhões de euros para 9,9 milhões de euros. Já o item Outros Rendimentos disparou 173%, passando de apenas 793 mil euros para 2,2 milhões de euros, “beneficiando não só da actividade de eventos e produção de spots, mas sobretudo da alienação de activos tangíveis, com um impacto de um milhão de euros no primeiro trimestre”. Números que fazem com que a performance financeira desta área de negócio, constituída pela Media Capital Rádios, dona das estações Comercial, M80, Cidade FM, Smooth FM e Vodafone FM, resulte num EBITDA de 5,8 milhões de euros, um crescimento de 65% face ao EBITDA de 3,5 milhões de euros registado no período homólogo.

No segmento que inclui as restantes actividades, como a operação digital, a holding e os serviços partilhados, o grupo encerra este primeiro semestre com um EBITDA de 726 mil euros, uma melhoria de 194% face ao período homólogo em 2018, quando este segmento apresentava um EBITDA de 247 mil euros. O segmento viu os rendimentos operacionais subirem 4%, de aproximadamente 7,7 milhões de euros para 1,9 milhões de euros. A contribuir para este resultado esteve sobretudo um crescimento das receitas publicitárias na ordem dos 10%, passando de 1,7 milhões de euros para 1,9 milhões de euros, a par de uma diminuição dos gastos operacionais, de 7,5 para 7,3 milhões de euros (-3%). O item Outros Rendimentos situou-se em 6,1 milhões de euros (+2%).

Encerradas as contas do primeiro semestre, a dívida líquida da Media Capital situa-se nos 80,9 milhões de euros, menos 9 milhões de euros face à dívida reportada no final do primeiro trimestre e uma melhoria de 4,8 milhões de euros relativamente ao endividamento do grupo no encerramento do exercício de 2018. Uma evolução que seria ainda mais significativa, salienta o grupo, já que “se se aplicasse o impacto do IFRS 16 ao valor de 2018, a dívida líquida nessa altura seria acrescida de 7,2 milhões de euros, colocando-a em 92,9 milhões euros”. “Ajustando para este efeito, a dívida líquida teria, então, recuado 12 milhões de euros”, destaca o grupo em comunicado enviado à CMVM, onde assegura que “mantém assim uma confortável estrutura de capital, perspectivando a manutenção da performance de geração de cash flow operacional e a redução da dívida financeira em 2019”.

Deixe aqui o seu comentário