O pós-digital já não é o futuro, é o presente

Por a 14 de Junho de 2019

tiago (2)Estar no digital já não distingue nenhuma marca. A presença online é um dado adquirido e não há nada nem ninguém que surpreenda por ter criado um novo site ou por ter aberto um Instagram – nem o papa. O desafio é, e será cada vez mais, fazer para lá do digital. É ser capaz de personalizar, humanizar e individualizar a experiência. Tudo isto, com recurso à mais recente tecnologia.
Nas últimas décadas temos assistido – e participado – numa constante transformação digital. O investimento e o crescimento desta área são indiscutíveis e esta nova fase de inovação não significa, de todo, que este trabalho foi em vão. Pelo contrário, o digital permitiu às marcas aproximarem-se dos consumidores, conhecerem e moldarem-se reciprocamente. Foi o primeiro passo da verdadeira aproximação entre marcas e clientes, quebrou barreiras geográficas e linguísticas e tem permitido construir uma relação entre ambos que até então era impossível.
Mas chegamos a uma fase em que já não é suficiente. Este já não é o presente, muito menos o futuro. Cada vez mais, a estratégia deve e tem de passar por apostar numa experiência individualizada, imediata e sustentada pelas principais tecnologias digitais. Na era do pós-digital, se a experiência proporcionada não for personalizada, com o auxílio da tecnologia, o consumidor deixará de ter interesse na marca. Esta capacidade de adequar a comunicação ao posicionamento marca e a cada consumidor em específico permitirá prolongar a relação, fortalecê-la e responder rápida e adequadamente à sua procura.
Além desta relação entre a personalização aliada à tecnologia, a era da pós-digitalização deve também ser um prolongamento daquilo que se tem vindo a perder e que, como tudo o que é raro, será gradualmente mais valioso: os valores humanos, a confiança, a responsabilidade e o respeito. Os consumidores procuram, cada vez mais, marcas nas quais possam confiar, que garantam a segurança das suas informações, que assumam as suas responsabilidades e que cumpram com as promessas. Que proponham um serviço pensado de forma específica para cada cliente, com uma comunicação e uma relação também elas individualizadas.
Aos poucos, vamos assistindo a pequenos passos nesta direcção. Recentemente, a Lush anunciou que vai abandonar as suas redes sociais no Reino Unido. A marca informou que a partir de agora o contacto com o consumidor passará por interacções individuais, sejam elas por e-mail, por um chat presente no website ou por telefone. Nem os elevados números de seguidores nas redes sociais da marca a demoveram de tomar esta decisão, porque perceberam que este canal de comunicação estava a trazer mais malefícios do que benefícios para a marca.
Se até agora a principal preocupação das marcas era a digitalização, importa agora que olhem para a tecnologia como um meio que lhes irá permitir serem mais humanas, criarem experiências imediatas e personalizadas e serem mais próximas do seu consumidor. O online e o offline deverão estar de tal forma integrados e alinhados, que permitirão ter o melhor dos dois mundos. Por isso, temos de estar atentos ao mundo, ter capacidade de ler os sinais dos consumidores e ajustar a estratégia a esta evolução, para que não percamos o comboio!

Artigo de opinião de Tiago Barquinha, creative executive partner da Mojobrands

Se até agora a principal preocupação das marcas era a digitalização, importa agora que olhem para a tecnologia como um meio que lhes irá permitir serem mais humanas, criarem experiências imediatas e personalizadas e serem mais próximas do seu consumidor.

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