Novos estúdios da SIC puxam resultados da Impresa para o vermelho

Por a 2 de Maio de 2019
Francisco Pedro Balsemão, CEO da Impresa

Francisco Pedro Balsemão, CEO da Impresa

A Impresa fechou as contas do primeiro trimestre com prejuízos na ordem dos 1,2 milhões de euros, resultado negativo que o grupo liderado por Francisco Pedro Balsemão atribui ao projecto de expansão do edifício de Paço de Arcos para receber os novos estúdios da SIC. “O aumento nas depreciações para 1,8 milhões de euros, devido ao projecto de expansão do Edifício Impresa e ao investimento em tecnologia nos novos estúdios fez com que a Impresa registasse um resultado líquido negativo de 1,2 milhões de euros”, justifica o grupo, cujo relatório enviado esta quinta-feira à CMVM dá conta de uma queda de 91,5% em comparação com os prejuízos de 632 mil euros registados no exercício do período homólogo em 2018.

“A mudança das instalações da SIC e o investimento em tecnologia nos novos estúdios levaram a um resultado líquido negativo da Impresa no trimestre. Essas alterações eram absolutamente decisivas para o cumprimento dos nossos objectivos estratégicos”, explica Francisco Pedro Balsemão, CEO do grupo dono da SIC e do Expresso. O responsável salienta, por outro lado, que “foram essas mudanças e o consequente aumento da competitividade da nossa grelha que permitiram que a SIC voltasse a ser líder de audiências 12 anos e meio depois”. “Essa liderança contribuiu já para um crescimento de quase 5% nas receitas totais, incluindo as publicitárias, bem como para um aumento de 18,3% no EBITDA”, destaca o CEO da Impresa, afirmando estar convicto de que “vamos melhorar os nossos resultados em 2019, aumentando não só o EBITDA como ainda os resultados líquidos, e mantendo igualmente a tónica na redução da dívida, que reduzimos em 8,7 milhões de euros neste primeiro trimestre”.

Analisando as contas enviadas pelo grupo à CMVM, o EBITDA situa-se agora nos 2,3 milhões de euros, com esta performance dos primeiros três meses de 2019 a comparar com os 1,9 milhões de euros registados em igual período do último ano, o que traduz uma melhoria de 18,3%. Um desempenho financeiro assente no crescimento de 4,8% nas receitas, que subiram dos 38,9 milhões de euros para os 40,8 milhões neste primeiro trimestre, alavancado pelas subidas das receitas publicitárias, de circulação e do item Outras Receitas, onde se incluem as receitas de IVR (chamadas de valor acrescentado). Com um encaixe de 23,7 milhões de euros, o grupo viu as receitas publicitárias crescerem 3,7% face aos 38,9 milhões de euros investidos nos meios do grupo entre Janeiro e Março de 2018. Já as receitas de circulação situaram-se neste arranque do ano em 2,4 milhões de euros (+7,4%), enquanto as outras receitas subiram 41,5%, de 4,1 milhões de euros para 5,7 milhões. Em sentido contrário estiveram as receitas de subscrição de canais, fixadas em 8,9 milhões de euros, o que corresponde a uma quebra de 8,7%. Do lado dos custos operacionais, o grupo regista um aumento para os 38,5 milhões de euros (+4,1%) neste primeiro trimestre, que é apontado como “uma consequência do aumento de actividade da área dos IVR”.

Separando a análise por segmento, o negócio da televisão encerra as contas do primeiro trimestre com um EBITDA de 3 milhões de euros, valor que traduz uma subida de 21,5% face aos 2,5 milhões registados no período homólogo. As receitas do segmento totalizaram 34,2 milhões de euros, um crescimento de 5,5% comparativamente aos 32,4 milhões de euros alcançados no último ano. Neste área, o principal crescimento acontece as receitas de IVR, que dispararam 98,1% dos 1,7 milhões para os 3,4 milhões de euros. As receitas publicitárias cresceram 4,3%, passando de 19,9 milhões de euros para 20,8 milhões enquanto o item Outras Receitas do segmento ficou próximo dos 1,1 milhões de euros (+7,4%). Pelo contrário, as receitas de subscrição de canais desceram 8,7%, para os 8,9 milhões de euros, quebra que o grupo diz ter ficado “a dever-se essencialmente à negociação de contratos nacionais e essencialmente ao fim de contratos internacionais”. Os custos operacionais subiram 4,2%, para os 31,1 milhões de euros, como já referido em consequência do próprio aumento das receitas de IVR.

Menos positivos são os resultados do lado do segmento de publishing, que reporta um EBITDA negativo a rondar os 267,6 mil euros, uma queda na ordem dos 938,1% em comparação com o EBITDA próximo dos 32 mil euros que apresentava nos primeiros três meses de 2018. A evolução negativa fica a dever-se essencialmente à subida de 6% nos custos operacionais, que passaram dos 5,8 milhões de euros para os 6,1 milhões, já que do lado das receitas o segmento de publishing regista uma ligeira melhoria ao fixar-se nos 5,9 milhões de euros (+0,9%). Esta subida dos custos, explica o grupo, “deve-se a custos com indemnizações”.

Do lado das receitas, a subida de preço de capa do Expresso foi um dos factores decisivos para um crescimento de 7,4% nas receitas de circulação, que passaram dos 2,3 milhões de euros para os 2,4 milhões. Já as receitas publicitárias estiveram praticamente em linha com o primeiro trimestre de 2018, situando-se nos 2,9 milhões de euros (-0,1%), embora o grupo destaque o crescimento de 12% nas receitas de publicidade digital, que “representam 31,6% das receitas de publicidade da área do publishing”. Em sentido descendente estiveram as receitas de produtos alternativos (-21,6%) e as outras receitas (-17,1%). “As vendas de produtos extensão de marca estão inferiores aos valores do primeiro trimestre de 2018 devido à edição 2019 do Guia Boa Cama Boa Mesa, que foi editado em Abril, quando em 2018 foi em Março”, justifica a Impresa.

No que diz respeito à dívida, a Impresa encerra o primeiro trimestre com uma dívida remunerada líquida na ordem dos 176,9 milhões de euros, valor que traduz uma redução de 4,7%, ou seja, menos 8,7 milhões de euros, face à dívida que o grupo apresentava em termos homólogos. Este valor representa ainda uma diminuição de 2,3 milhões de euros relativamente à dívida de 179,2 milhões de euros com que o grupo liderado por Francisco Pedro Balsemão encerrou as contas de 2018. No entanto, recorde-se, a dívida continua ligeiramente acima dos 178,4 milhões de euros com que havia sido encerrado o exercício de 2017, situação que o grupo atribuía, no último exercício, ao “ao financiamento do projecto de expansão do edifício Impresa, tendo no entanto beneficiado em parte do encaixe da alienação das revistas”.

Para este ano, o plano estratégico da Impresa aponta a “melhorar os resultados, tanto no que respeita a fazer crescer receitas como numa maior e melhor eficiência operacional, com vista a aumentar o EBITDA e os resultados líquidos, mantendo-se igualmente a tónica na redução da dívida, com vista a melhorar o rácio dívida líquida/EBITDA”.

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