Media Capital com prejuízos de 1,4 milhões no primeiro trimestre

Por a 14 de Maio de 2019
Rosa Cullell, administradora delegada da Média Capital

Rosa Cullell, administradora delegada da Média Capital

O grupo Media Capital encerrou as contas do primeiro trimestre em terreno negativo, reportando prejuízos na ordem dos 1,4 milhões de euros, números que comparam com os lucros de 1,9 milhões de euros alcançados no período homólogo em 2018. Apesar da quebra acentuada na comparação da performance financeira do grupo entre os dos dois trimestres homólogos, a dona da TVI garante que “estes resultados estão em linha com o orçamentado para o primeiro trimestre (com menor impacto no ano, por força da sazonalidade), sendo de perspectivar que no final do ano corrente a performance do grupo esteja em linha com a verificada em anos anteriores”.

O resultado negativo agora registado ficou a dever-se sobretudo a uma subida de 14% do lado dos gastos operacionais, que passaram dos 33,5 milhões de euros nos primeiros três meses de 2018 para os 38,3 milhões neste arranque de 2019, com este valor a incluir as amortizações, depreciações e gastos com reestruturação. Excluindo estes gastos, a subida foi de 13%, fixando os custos operacionais nos 37,7 milhões de euros. Este foi o principal factor a empurrar o grupo para o vermelho já que do lado das receitas se registou um crescimento de 1%, dos 38,7 milhões de euros para os 39,3 milhões, com as receitas publicitárias a crescerem 4%, para os 25,3 milhões de euros. Números que deixam a dona da TVI confiante no regresso aos lucros no decurso do ano, referindo que “para os próximos trimestres, a Media Capital antecipa um crescimento da publicidade em linha com o mercado, e superando-o no digital, num período em que a competitividade vai continuar a níveis elevados”.

Com estes números, de acordo com o relatório enviado esta segunda-feira à noite à CMVM, o desempenho financeiro alcançado pela Media Capital neste primeiro trimestre de 2019 traduz-se num EBITDA de um milhão de euros, valor que representa uma quebra de 81% face ao EBITDA de 5,2 milhões de euros que o grupo apresentava em igual período do ano anterior. Mesmo excluindo os gastos com reestruturação, o EBITDA ajustado da Media Capital rondaria os 1,7 milhões de euros, ainda assim uma quebra na ordem dos 69%.

Para a subida alcançada nos rendimentos operacionais do grupo contribuiu sobretudo o segmento de rádio, onde as receitas dispararam 42%, enquanto as áreas de negócio de televisão e produção audiovisual encerraram os primeiros três meses de 2019 com quebras. Analisando os resultados do primeiro trimestre por segmento, a televisão, onde está concentrada a grande maioria das receitas da Media Capital, encerra o exercício com um EBITDA negativo em 978 mil euros (607 mil euros se foram excluídos os gastos com reestruturações), resultado que compara com lucros de quase 3,4 milhões de euros no período homólogo em 2018. Além da subida de 15% nos gastos operacionais, que passaram dos 28,4 milhões de euros para os 32,6 milhões, a área de televisão, que conta ainda com canais cabo como TVI24, TVI Ficção e TVI Reality, teve uma diminuição de 1% nos rendimentos operacionais, fixados nos 31,6 milhões de euros entre Janeiro e Março deste ano, uma vez que a subida de 1% nas receitas publicitárias, de 19,8 para 19,9 milhões de euros, se revelou insuficiente para compensar uma redução de 3%, de 12 milhões de euros para os 11,6 milhões, no item Outros Rendimentos.

Tal como na área de televisão, o segmento de produção audiovisual, onde o grupo detém a Plural, os resultados são pouco animadores. Os rendimentos operacionais desta área de negócio rondaram os 5,8 milhões de euros nestes primeiros três meses de 2019, o que representa uma quebra na ordem dos 23% face às receitas de 7,5 milhões de euros que o grupo alcançou em igual período de 2018. Uma evolução que explica o resultado no vermelho, com o EBITDA a fixar-se em 1,6 milhões de euros negativos (1,4 milhões excluindo os gastos com reestruturação), que comparam com resultados positivos de 127 mil euros no arranque do último ano.

Cenário bem diferente apresenta o segmento de rádio, que continua a ser o terceiro na linha de receitas da Media Capital mas muito aproximado do peso do segmento de produção audiovisual neste primeiro trimestre de 2019 ao ver os seus rendimentos operacionais dispararem 42%, passando dos 4 milhões de euros alcançados no último ano para os 5,7 milhões de euros. Nesta área de negócio, as receitas publicitárias cresceram acima do mercado, subindo 16% dos 3,9 milhões de euros para perto de 4,5 milhões de euros. Também o item Outros Rendimentos subiu exponencialmente, passando de apenas 173 mil euros para 1,2 milhões de euros, o que representa um crescimento de 610%. A performance desta área de negócio, constituída pela Media Capital Rádios, dona das estações Comercial, M80, Cidade FM, Smooth FM e Vodafone FM, resulta num EBITDA de 2,8 milhões de euros, mais do que duplicando o EBITDA de 1,1 milhões de euros registado no período homólogo (+155%).

No segmento que inclui as restantes actividades, como a operação digital, a holding e os serviços partilhados, o grupo encerra este primeiro trimestre com um EBITDA de 235 mil euros (316 mil euros se excluídos os gastos com reestruturação), uma melhoria face ao período homólogo em 2018, quando este segmento ocupava terreno negativo com um prejuízo de 27 mil euros. O segmento viu os rendimentos operacionais subirem 5%, de aproximadamente 3,9 milhões de euros para 4,1 milhões de euros. A contribuir para este resultado esteve sobretudo um crescimento das receitas publicitárias na ordem dos 34%, dos 694 mil euros para os 930 mil euros, a par de uma diminuição dos gastos operacionais, de 3,9 para 3,8 milhões de euros (-2%). O item Outros Rendimentos situou-se perto dos 3,2 milhões de euros, apresentado uma ligeira descida de 1%.

A dívida líquida da Media Capital situa-se agora nos 89,9 milhões de euros, valor que, apesar de representar uma subida de 4,3 milhões de euros relativamente à dívida de 85,7 milhões de euros reportada pelo grupo no encerramento das contas de 2018, é destacada como uma diminuição. “Se se aplicasse o impacto do IFRS16 ao valor de 2018, a dívida líquida nessa altura seria acrescida de 7,2 milhões, colocando-a em 92,9 milhões”, refere a Media Capital no relatório enviado à CMVM, explicando que “ajustando para este efeito, a dívida líquida teria então recuado 3 milhões”. No mesmo documento, antecipa-se, “o grupo Media Capital mantém assim uma confortável estrutura de capital, perspectivando a manutenção da performance de geração de cash flow operacional e a redução da dívida financeira em 2019”.

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