Carlos Daniel deixa Canal 11 e regressa à RTP

Por a 3 de Abril de 2019

Carlos-Daniel-860x507O jornalista Carlos Daniel, que estava a colaborar no lançamento do Canal 11, vai deixar o projecto televisivo da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) para regressar à RTP. O regresso do profissional, cuja licença sem vencimento chegou a ser alvo de um pedido de esclarecimentos por parte da Comissão de Trabalhadores da RTP, surge na sequência da extinção do memorando de entendimento que havia sido estabelecido entre a FPF e a estação pública. “O presidente da FPF informou o presidente do Conselho de Administração da RTP que era entendimento da FPF que a licença sem vencimento do jornalista Carlos Daniel deixaria, naturalmente, de fazer sentido, com a extinção do memorando”, refere ao M&P fonte oficial do Canal 11, confirmando que “nesses termos, a FPF acertou ontem a desvinculação com o jornalista Carlos Daniel, a quem agradece profundamente, o empenho nestes meses de preparação do lançamento da plataforma 11”.

A reintegração do jornalista nos quadros da RTP foi entretanto já confirmada por fonte da estação pública à Lusa, adiantando que a empresa “recebeu o pedido do jornalista Carlos Daniel para terminar a licença sem vencimento e regressar” pelo que “a administração confirma o regresso do jornalista, que assim continuará a contribuir para a valorização do serviço público prestado pela RTP”.

Recorde-se que, como tinha avançado o M&P, a FPF decidiu desobrigar a RTP do memorando de entendimento assinado a 9 de Janeiro por considerar que o espírito e os objectivos do memorando não têm sido compreendidos. “A FPF tem enorme respeito pela RTP e por todos os seus trabalhadores. A FPF continuará a estar disponível para analisar as oportunidades de cooperação com a RTP caso a caso, como sempre sucedeu, nomeadamente as que permitam desenvolver o futebol e permitir o acesso dos portugueses, aos que vivem lá fora e na diáspora, aos jogos das selecções nacionais”, justificava então ao M&P fonte oficial da FPF. Na altura, a saída de Carlos Daniel do projecto não foi equacionada uma vez que a FPF entendia que a decisão de fazer uma pausa na estação pública era anterior à assinatura do memorando.

O memorando vinha a ser contestado pela Comissão de Trabalhadores da RTP junto do conselho de administração da estação pública e do Ministério da Cultura, tendo chegado a ser abordado no debate quinzenal com o governo no Parlamento, tanto por António Costa como por Catarina Martins. O primeiro-ministro revelou que os ministérios das Finanças e da Cultura tinham questionado a administração da RTP sobre o acordo. Já a líder do Bloco de Esquerda considerou que o acordo punha “em causa o equilíbrio da comunicação social. A RTP deve defender o serviço público e não ajudar a criar mais canais concorrentes”.

O documento previa a criação e promoção de conteúdos, a partilha de direitos, de meios e de recursos, assim como o acesso recíproco a arquivos e a cedência de colaboradores, por mútuo acordo, para projectos específicos, além de permitir ainda que a FPF pudesse aceder ao centro da RTP no Monte da Virgem. A estação pública teria prioridade na escolha de competições da FPF, e podia transmitir jogos ou programas do canal 11 na RTP África e Internacional.

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