Lucros da Cofina sobem 31,3% e chegam aos 6,7 milhões de euros

Por a 14 de Março de 2019
Octávio Ribeiro, Luís Santana e Paulo Fernandes (Cofina)

Octávio Ribeiro, Luís Santana e Paulo Fernandes (Cofina)

O resultado líquido da Cofina atingiu os 6,7 milhões de euros em 2018, valor que traduz um crescimento de 31,3% dos lucros do grupo dono do Correio da Manhã face aos 5,1 milhões alcançados em 2017. Fechadas as contas do último ano, o resultado positivo é conseguido apesar de uma quebra de 0,5% nas receitas operacionais, sendo explicado sobretudo pela redução dos custos operacionais e pelo facto de os números de 2018 serem comparados com um ano de 2017 em que o grupo havia registado custos de reestruturação na ordem dos 2,4 milhões de euros. Ainda que com menos expressão comparativamente aos custos de reestruturação, o registo de perdas de imparidade no valor de 800 mil euros acabou, contudo, por puxar para baixo os resultados do último ano.

“Em Setembro de 2017, a revista mensal de moda Vogue deixou de incorporar o portfólio da Cofina, o que afecta a comparabilidade com o exercício de 2018”, recorda o grupo no comunicado enviado à CMVM, onde explica que “em 2018, a Cofina registou uma perda de imparidade de 0,8 milhões de euros referente ao goodwill associado ao portfólio de revistas detidas pelo grupo”. Com base nestes valores, a performance financeira do grupo em 2018 apresenta-se positiva, com o EBITDA consolidado, excluindo as perdas de imparidade, a fixar-se nos 14,9 milhões de euros, o que representa uma melhoria de 12,2% comparativamente aos 13,3 milhões de euros registados em 2017, valor onde estão excluídos os custos de reestruturação. Caso fossem considerados quer as perdas de imparidade em 2018 quer os custos de reestruturação em 2017, o crescimento do EBITDA seria de 30,2%, passando dos 10,9 milhões de euros para os 14,1 milhões de euros.

Além destes ajustes, o resultado líquido apresentado pela Cofina é consolidado após considerado o impacto de 454 mil euros das operações descontinuadas em 2018. “Os resultados das operações descontinuadas em 2018 referem-se ao impacto da alienação da operação que o grupo Cofina detinha no Brasil, através da subsidiária AdCommedia e da associada Destak Brasil”, esclarece o grupo no comunicado enviado à CMVM, informando que esses “investimentos foram alienados no final de 2018” pelo que “a demonstração dos resultados do exercício de 2017 foi re-expressa de modo a segregar numa linha autónoma os resultados atribuíveis àquelas unidades em descontinuação”.

Analisando as receitas operacionais, fixadas em 89,3 milhões de euros (ligeiramente abaixo dos 89,7 milhões de euros obtidos em 2017), a Cofina regista perdas tanto nas receitas de circulação como nas publicitárias. Nas primeiras, a quebra foi mais expressiva, com os 43,1 milhões de euros alcançados a representarem uma descida de 6,1% face aos 45,8 milhões de euros registados no ano anterior. Ao nível das receitas publicitárias, entre os meses de Janeiro e Dezembro de 2018 o grupo encaixou 28,1 milhões de euros, valor que traduz um recuo de 5,3% já que compara com 29,7 milhões de euros no período homólogo em 2017. A quebra nas receitas totais foi, ainda assim, amenizada por um crescimento na ordem dos 27,6% nas receitas de produtos de marketing alternativo e outros, onde estão incluídas as receitas correspondentes à presença do canal CMTV nas plataformas de cabo, que passaram dos 14,2 milhões de euros para os 18,1 milhões. Do lado dos custos operacionais, o grupo regista um corte de 2,7%, reduzindo dos 76,4 milhões de euros em 2017 para os 74,4 milhões de euros no último ano.

Separando a análise por segmento, a área de televisão regista uma evolução positiva das receitas, ao contrário do segmento de imprensa. No negócio de televisão, onde a Cofina detém a CMTV, as receitas operacionais fixaram-se nos 12,4 milhões de euros, disparando 42,9% em comparação com os 8,7 milhões de euros reportados pelo grupo em 2017. Para isso contribuíram crescimentos de 45,4% nas receitas publicitárias (de 2,8 milhões para 4,1 milhões de euros) e de 41,7% nas receitas de produtos de marketing alternativo e outros (de 5,9 milhões para 8,3 milhões de euros). Do lado dos custos, regista-se igulamente um aumento significativo: passaram dos 7,8 milhões de euros em 2017 para os 9,3 milhões de euros, um incremento de 19,4%. O EBITDA do segmento de televisão fica assim nos 3,1 milhões de euros, uma melhoria de 258,2% face aos 852 mil euros apresentados no relatório e contas da Cofina em 2017.

Já no segmento de imprensa, o EBITDA regista um recuo de 4,6%, descendo dos 12,5 milhões de euros para os 11,9 milhões. Resultado que fica a dever-se a uma quebra de 5,1% nas receitas operacionais, que passaram dos 81,1 milhões de euros para os 76,9 milhões de euros em 2018. Neste segmento, o maior impacto em termos percentuais vem das receitas publicitárias, que recuam 10,5% (de 26,9 milhões de euros para 24 milhões de euros), com quebra semelhante em termos absolutos do lado das receitas de circulação, que descem dos 45,8 milhões de euros para os 43,1 milhões (-6,1%). No total, são cerca de 5,8 milhões de euros a menos, que não foram compensados pela subida de 17,8% nas receitas de produtos de marketing alternativo e outros, de 8,3 milhões para 9,8 milhões de euros, e pela redução de 5,2% nos custos operacionais do segmento, que passaram dos 68,6 milhões de euros para os 65,1 milhões.

Encerradas as contas de 2018, a dívida nominal líquida da Cofina situa-se agora nos 39,7 milhões de euros, valor que representa uma diminuição da dívida em 9,9 milhões de euros relativamente ao endividamento na ordem dos 49,6 milhões de euros reportado pelo grupo no fecho de contas de 2017.

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