A vida para além da grande montanha

Por a 3 de Dezembro de 2018
Ricardo Tomé, director coordenador da Media Capital Digital

Ricardo Tomé, director coordenador da Media Capital Digital

No que toca às redes sociais em especial, Portugal vai tendo que espreitar o que de muito se estuda e publica noutros países e sobre outras realidades. Excepção feita, porém, ao estudo “Os Portugueses e as Redes Sociais” que anualmente e pelo quinto ano consecutivo a Marktest publica. Este ano, pela primeira vez, a hegemonia do Facebook é quebrada em vários indicadores, com sinais a corroborar o que lá fora se passa e aqui não será excepção.

Alertas vários para marketeers:
Em primeiro, uma grande surpresa. Chama-se Pinterest. Isso mesmo. Já é a sexta rede social mais utilizada e aquela que mais cresceu nos últimos 12 meses no nosso país. Significa que se a rede continuar neste ritmo vai passar o LinkedIn e ultrapassará um milhão de utilizadores, sendo estes à data transversais nas classes sociais e com maior número nos targets 15-24 e 25-34 anos. Alguém estava a ver isto? Ou continua tudo a apostar só no Instagram?

Em segundo, menos surpreendente, o Whatsapp instala-se confortavelmente na posição de medalha de bronze. Ainda que o estudo seja omisso quanto ao Messenger, pouco deve variar do verificado noutros países, com as plataformas de chat a disparar – não só em utilizadores mas, sobretudo, em tempo de utilização (basta espreitar o seu relatório semanal que agora o iOS lhe oferece e confirmar). Ou seja, em 2019 e sendo ano de eleições, será sem dúvida uma das grandes mudanças na comparação com o passado, a forma como iremos além dos feeds das redes sociais e receberemos e partilharemos opiniões, mensagens, notícias (esperemos que não fake) para debater ideias, partidos, candidatos. Tudo no secreto recanto dos grupos de chat onde nenhum crawler entra. Ou seja, será a primeira vez que teremos uma plataforma de imenso consumo mas… onde pouco conseguimos medir do que lá se fala das nossas marcas de forma orgânica (já que na vertente paga haverá novidades em breve).

Em terceiro, confirmando a sua força, está o Instagram. Rouba pela primeira vez algum protagonismo ao Facebook nalguns critérios (é citado pelos portugueses como o “mais actual”, dando eco às publicações de personalidades que já só por ali publicam – ou maioritariamente) e entra para primeiro lugar como rede mais utilizada (a par do Whatsapp em segundo e do YouTube em terceiro) no target jovem dos 15-24 anos.

Por último de sublinhar o tombo do PC para acesso à rede e a hegemonia do smartphone (48,4% contra 85,4% respectivamente). Ou dito de outra forma: porque continua a avaliar o layout do novo site em belíssimos ecrãs gigantes (já para não falar de bonitas impressões em papel no dossier apresentado) ou o vídeo a publicar no Instagram ou YouTube abrindo no laptop em fullscreen? Aborde o mobile-first como a nova norma.

Em suma, as montanhas não sofrem erosões súbitas e desaparecem. A sua magnitude, feita de rocha, impõe-se. Mas os movimentos tectónicos são subtis e persistentes. Outras montanhas se erguem. E se há quatro ou cinco anos muitos ignoraram como tirar partido e quais os benefícios do Instagram, está na altura de uma vez mais de ir além do óbvio e pensar nos próximos quatro a cinco anos que aí vêm. Porque eles não vão ser iguais. A hegemonia da grande vaga azul não se manterá igual e poderemos ter uma paisagem mais verde, e mais laranja, e mais avermelhada… multicolor. Em vez da targetização dentro da rede, também a targetização pela rede. Pelos conteúdos. Pela mensagem e os targets.

Afinal, se tudo viesse a ser como já é hoje e era antes isto não tinha graça nenhuma. Por isso, de seguida a dica é beber de um trago a chávena de café ou chá e levar à letra a frase do Bono: “I have two instincts: I want to have fun and I want to change the world. Then I think I have a chance to do both”.

*Por Ricardo Tomé, director coordenador da Media Capital Digital

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