Portugal ainda de fora do investimento em produções europeias do Netflix

Por a 7 de Novembro de 2018

30826857297_7b978c0fc9_z“As grandes séries podem vir de qualquer lugar e ser produzidas em qualquer língua”. A ideia foi repetida várias vezes durante a intervenção de Greg Peters, chief product officer do Netflix, mas por enquanto Portugal fica de fora da rota de investimentos da plataforma. A Web Summit, em Lisboa, foi o palco escolhido pelo serviço de streaming para reafirmar a aposta na produção de séries europeias com o anúncio de duas novas séries produzidas em Espanha e na Noruega. Alma, descrita como um “drama sobrenatural de jovens adultos” escrito por Sergio G. Sánchez (Marrowbone, The Orphanage), dá continuidade ao investimento do Netflix no mercado espanhol no rescaldo do sucesso alcançado por La Casa de Papel. Já Ragnarok, inspirada na mitologia nórdica e apontando igualmente a um público mais jovem, é assinada por Adam Price, argumentista responsável por Borgen, que foi emitida em Portugal pela RTP2. A produção é da dinamarquesa SAM Productions e a série será filmada entre a Noruega e a Dinamarca. Ambas entrarão em produção no próximo ano e terão lançamento global no Netflix em 2020.

Greg Peters reforça que as “grandes histórias surgem em qualquer lugar e podem também chegar a qualquer lugar desde que a tecnologia seja utilizada para apresentar a história certa à pessoa certa”, dando como exemplo aquela que terá sido a primeira produção numa língua diferente do inglês a ganhar tracção a nível global: 3%. A distopia produzida no Brasil, destacou o chief product officer do Netflix, “foi a série brasileira mais vista de sempre pelo mundo e chegou a ter grandes volumes de visualizações em países tão distantes com a Austrália”. Um fenómeno que, revelou, terá contribuído para dar continuidade à aposta em conteúdos produzidos noutras geografias e noutras línguas e que confirmou a tendência com o sucesso alcançado mais tarde por séries como a alemã Dark, que “por cada hora vista na Alemanha é visionada nove horas noutros mercados, ou a espanhola La Casa de Papel, que começou por ter legendagem em nove línguas e dobragem áudio apenas em inglês e conta hoje com dobragem para 10 línguas e legendagem em 26 línguas.

“Isto não são apenas boas notícias para os subscritores da Netflix. Quanto mais os criadores tenham possibilidade de encontrar novas audiências, mais o mundo se abrirá para novas histórias e perspectivas diferentes”, salientou Greg Peters, numa apresentação em que destacou ainda a estreia ainda este ano da série polaca 1983, da alemã Dogs of Berlim, da italiana Baby, da francesa Plan Couer ou da série turca Protector. A aposta na produção de séries europeias é reafirmada pelo Netlfix numa altura em que tem em produção originais em vários países, com destaque para cinco novos títulos produzidos na Alemanha e sete em França.

Não tendo até agora sido feita qualquer aposta em conteúdos produzidos em Portugal, o M&P tentou perceber junto do Netflix se, numa altura em que a empresa sublinha o investimento conteúdos originais de línguas que não a inglesa com vários projectos produzidos em diversos países europeus, há perspectivas de isso vir a acontecer em breve. Fonte oficial da plataforma de streaming escusou-se a comentar o tema.

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