DN aquém das estimativas e novos negócios do GMG ainda sem retorno segundo o SJ

Por a 28 de Novembro de 2018

DNO Diário de Notícias, alvo de uma reformulação que transformou a edição impressa em semanário, não estará a corresponder às expectativas da administração do Global Media Group, com as vendas da edição de domingo a ficarem aquém das estimativas. O desempenho do título na sequência da reformulação terá sido comentado por Vítor Ribeiro, administrador do grupo, numa reunião com o Sindicato dos Jornalistas, onde, apesar disso, assegurou que o Diário de Notícias “vai ter sempre de existir em papel, mas tem de crescer no digital”.

Durante a reunião, solicitada pelo Sindicato depois de ter sido comunicado aos colaboradores da Global Media o adiamento do pagamento do subsídio de Natal, Vítor Ribeiro foi questionado sobre os investimentos realizados pelo grupo desde a entrada no capital da empresa, há um ano, do empresário de Macau Kevin Ho. Investimentos que incluem a área do gaming e gambling com uma plataforma de jogos e apostas online ou o lançamento do projecto de vídeo V Digital, financiado pelo Google. Em ambos os casos, Vítor Ribeiro admite, de acordo com o comunicado emitido pelo SJ, que os novos investimentos ainda não trouxeram retorno financeiro, no primeiro caso fruto de dificuldades burocráticas para arrancar com o negócio, no segundo pelo pouco tempo para que o projecto de imponha já que “tem só quatro meses de actividade”.

Segundo o Sindicato dos Jornalistas, o administrador do Global Media Group “confirmou as dificuldades de tesouraria, mas garantiu que não está em causa o pagamento de salários e que o subsídio de Natal será pago até ao dia 7 de Dezembro, cumprindo o Contrato Colectivo de Trabalho de Imprensa e de Radiodifusão em vigor”. “O administrador do Global Media Group disse que as dificuldades de tesouraria decorrem da conjuntura do mercado dos media, em Portugal e no mundo, afectado pela diminuição da circulação paga, pelo aumento do custo do papel e pela perda de receitas publicitárias, decorrentes também da absorção de receitas por parte de gigantes tecnológicos mundiais como a Google e o Facebook, que usam conteúdos dos órgãos de comunicação social sem pagarem por isso”, pode ler-se no comunicado do organismo sindical.

Perante a situação reportada, o Sindicato mostra-se preocupado “com o futuro dos trabalhadores do grupo” uma vez que “as empresas nas quais trabalham já foram alvo, ao longo dos anos, de vários processos de despedimento, justificados por problemas financeiros decorrentes do decréscimo de receitas publicitárias e vendas de jornais, da venda de posições accionistas e da conjuntura económica desfavorável”. “No entender do SJ, a essas juntam-se actos de gestão tomados sem uma avisada avaliação de risco, que acabaram por comprometer a saúde financeira das empresas e, sobretudo, os postos de trabalho”, acrescenta o Sindicato, revelando que “o administrador admitiu que há apostas a rever e alterar e garantiu que todas as decisões foram tomadas tendo por base estudos de mercado”.

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