APCT: Imprensa generalista continua em quebra e digital não descola

Por a 30 de Outubro de 2018

JornaisAs quebras na circulação impressa paga continuam a fustigar a imprensa generalista e o tímido crescimento do digital revela-se insuficiente para colocar o segmento em números positivos. Nenhum dos títulos generalistas conseguiu escapar à erosão da sua circulação paga, quer no que diz respeito à circulação impressa paga quer ao nível do balanço final contabilizando também a evolução da circulação digital paga, de acordo com os dados APCT relativos aos meses de Janeiro a Agosto de 2018. Comparativamente ao período homólogo em 2017, o conjunto dos jornais generalistas em Portugal viu a sua circulação impressa paga cair 8%.

O Correio da Manhã continua a liderar destacado ao vender em média 81.744 exemplares por dia, com este número a representar, contudo, uma quebra de 7,8% relativamente aos 88.670 exemplares vendidos em média por cada edição do jornal detido pelo grupo Cofina Media entre os meses de Janeiro e Agosto do último ano. O segundo diário mais vendido do país continua a ser o Jornal de Notícas, título do Global Media Group que sofreu uma quebra de 7,1% ao passar de uma circulação impressa paga de 46.177 exemplares/dia em Janeiro-Agosto de 2017 para 42.897 exemplares/dia em igual período deste ano. O terceiro lugar é ocupado pelo Público com 17.700 exemplares vendidos em média por cada edição publicada no período em análise este ano. O diário da Sonaecom foi o título que melhor resistiu, apresentado a quebras mais baixa ao perder 1,9% da sua circulação impressa paga comparativamente aos 18.038 exemplares que vendia em média entre Janeiro e Agosto do último ano. O Diário de Notícias, que iniciou o ano como título diário mas passou a ser publicado exclusivamente aos domingos nos últimos dois meses do período em análise, regista uma quebra de 16,4%, passando de 10.168 exemplares vendidos por edição para os 8.498 exemplares/edição. O título passou a semanário em Julho, mês em que o número de exemplares vendidos por edição situou-se acima da média, com 10.607. Em Agosto, o DN vendeu em média 8.993 exemplares por edição.

Se o cenário não é animador para os títulos diários, alargando a análise aos títulos semanais a situação também não apresenta sinais muito positivos. O Expresso regista uma quebra de 2,3%, fixando-se numa média de 61.754 exemplares vendidos por edição entre os meses de Janeiro e Agosto deste ano, que comparam com os 68.052 exemplares/edição em igual período do último ano. Nas newsmagaines, a Visão segura a liderança do segmento apesar de uma quebra de circulação impressa paga na ordem dos 28,9%, descendo dos 57.810 exemplares vendidos por edição para os 41.104 exemplares. Ao título que passou das mãos da Impresa para a Trust in News seguem-se a newsmagazine da Cofina, Sábado, com 38.986 exemplares/edição, número que traduz uma diminuição de 5,3%.

A circulação digital paga continua a não ser suficiente para assumir o papel de balão de oxigénio da imprensa generalista, com números de crescimento tímidos. Na soma dos cinco jornais generalistas auditados pela APCT, a circulação digital paga regista um crescimento de apenas 1,5% comparando os períodos de Janeiro a Agosto de 2017 e 2018, com alguns dos títulos a verem inclusivamente a sua circulação digital paga diminuir. São os casos do Público, que lidera entre os diários, mas regista uma circulação digital paga de 12.109 que representa uma quebra de 13,2%, e do Diário de Notícias, que desce 0,9% para os 3.377.

O Correio da Manha regista o maior crescimento percentual (+27,3%) mas continua a ser o generalista com pior desempenho ao registar uma circulação digital paga de apenas 1.359, enquanto o maior crescimento absoluto pertence ao semanário Expresso, que salta de uma circulação digital paga de 22.674 entre Janeiro e Agosto de 2017 para os 24.619 em igual período deste ano, um crescimento de 8,6%. O Jornal de Notícias cresce 7,1%, fixando-se nos 5.697.

Feitas as contas, o balanço final é negativo para todos os títulos de informação geral. O Expresso, que lidera em circulação total paga com 86.373 e foi o título que mais cresceu em termos absolutos no digital, não teve nesse crescimento o volume suficiente para fazer face às quebras na edição impressa e regista ainda assim uma quebra de 4,8% na soma da circulação impressa paga e da circulação digital paga, comparativamente aos 90.726 que registava entre Janeiro e Agosto de 2017. Seguem-se o Correio da Manhã com 83.102 (-7,4%), o Jornal de Notícias com 48.594 (-5,6%), o Público com 29.809 (-6,9%) e o Diário de Notícias com 11.875 (-12,5%).

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