Nova grelha da RTP carimba aposta na ficção nacional

Por a 14 de Setembro de 2018
Gonçalo Reis, presidente do Conselho de Administração da RTP, durante a apresentação da nova grelha

Gonçalo Reis, presidente do Conselho de Administração da RTP, durante a apresentação da nova grelha

Com seis séries portuguesas a estrear até ao final deste ano, distribuídas entre a emissão da RTP1 e da RTP2, a nova grelha apresentada esta quinta-feira carimba a aposta da estação pública no domínio da ficção nacional. “A RTP é, neste momento, a maior sala para ver ficção em português”, garantiu José Fragoso, novo director de programas da estação pública, durante a apresentação da nova grelha de programação à imprensa. Uma apresentação que, na realidade, dá conta das “novidades para o trimestre já que nos seis meses seguintes haverá ainda mais estreias e mais novidades em grelha”, antecipou Gonçalo Reis, presidente do Conselho de Administração da RTP.

A produção de séries portuguesas contará assim com um ritmo de estreias mais acentuado, com todas as seis produções apresentadas a irem para o ar até ao próximo mês de Dezembro, quatro na RTP1 e outras duas na RTP2, onde ocuparão a faixa horária das 22h15, que tem sido até aqui ocupada por séries europeias, que se manterão mas partilharão o espaço com produções nacionais. A grande aposta aqui vai para Sara, uma série de oito episódios realizada por Marco Martins e protagonizada por Beatriz Batarda, contando com um elenco de peso onde se incluem nomes como Nuno Lopes, José Raposo, Miguel Guilherme, Bruno Nogueira, Albano Jerónimo, Rita Blanco, Tonan Quito ou Cristovão Campos. Criada a partir de uma ideia original do humorista Bruno Nogueira, a série é uma sátira ao próprio meio audiovisual português e ocupará os serões de domingo da RTP2 a partir do próximo dia 7 de Outubro. Também no segundo canal e já a partir de 20 de Setembro estreia Os Idiotas, Ponto – série de humor protagonizada por Duarte Grilo, André Nunes e Salvador Sobral. Ficção é também teatro e a RTP2 volta a dar palco à representação com a exibição de Clarabóia, baseada na obra homónima de José Saramago, com encenação e dramaturgia de Maria do Céu Guerra, numa altura em que se assinalam os 20 anos do Nobel.

Circo Paraíso, que já está em exibição desde esta quarta-feira, é a primeira de quatro séries nacionais a ocupar a grelha da RTP1. Seguem-se entre Novembro e Dezembro as três grandes apostas da estação: Soldado Milhões, em Novembro, e 3 Mulheres e Teorias da Conspiração, ambas com estreia prevista para o último mês do ano. A primeira é a versão mini-série do filme de Gonçalvo Galvão Teles e Jorge Paixão da Costa que acompanha a história do soldado Milhais e que irá para o ar a par do centenário da Batalha de La Lys, que marcou a participação de Portugal na Primeira Grande Guerra. Teorias da Conspiração, protagonizada por nomes como Carla Maciel, Ruben Gomes, Gonçalo Waddington, Pedro Laginha, Dinarte Branco ou João Lagarto, entre outros, retrata uma investigação jornalística e uma teia de influências no centro de uma série de escândalos que vão da falência de um banco às jogadas políticas para encobrir a corrupção.

Dezembro marca também a estreia da já anunciada produção 3 Mulheres, que retrata as vidas da poetisa Natália Correia, da editora “Snu” Abecassis e da jornalista Vera Lagoa (pseudónimo de Maria Armanda Falcão, representadas respectivamente pelas actrizes Soraia Chaves, Victoria Guerra e Maria João Bastos. A ficção portuguesa contará ainda com espaço para o cinema, com a RTP1 a prometer a exibição de um filme português por mês, arrancando já em Outubro com São Jorge, de Marco Martins e protagonizado por Nuno Lopes.

Para lá da ficção, o entretenimento na estação pública volta a colocar em destaque mais uma temporada do talent show The Voice Portugal, que ocupará o prime time de domingo da RTP1 a partir do próximo dia 23 de Setembro. Também com direito a nova temporada, a segunda, está o talent show de costura Cosido à Mão. Entre as novidades está o novo concurso Joker, apresentado por Vasco Palmeirim, e O Artesão, formato apresentado por Sílvia Alberto e com estreia prevista para Novembro, que colocará jovens aprendizes nas mãos de mestres que lhes ensinarão as artes tradicionais em risco de cair no esquecimento.

Na área da informação, ao contrário das notícias que têm dado conta do fim do formato, Prós e Contras é para continuar. Entre as novidades estão o formato Outras Histórias, a cargo da jornalista Estela Machado e em que o destaque vai para a reportagem , bem como Tempo Limite, que ocupará o final de noite dos dias de semana da RTP3 com espaço para o desporto, não só o futebol mas também para dar espaço às várias modalidades desportivas, sob a condução da jornalista Inês Gonçalves.

Destaque ainda para a série documental sobre língua gestual Acende a luz para eu te ouvir bem. Com produção da Mola Filmes para a RTP2, são 13 episódios para ver aos domingos a partir das 19h50 em que tudo se desenrolará em língua gestual e, ao contrário do habitual, o pequeno quadradinho no canto inferior direito do ecrã será destinado aos falantes e não aos surdos.

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