Nomadismo digital: Isto do horário flexível

Por a 23 de Setembro de 2018

SofiaSempre que se fala de horário flexível, é ver caras a contorcer-se, olhares em forma de pontos de interrogação e boquinhas com tique nervoso – sobretudo quando se faz parte da chefia. Para o resto do mundo é mais um “humm, pois, abelha, não fazes é nada!”
Das melhores coisinhas que se há nesta vida de ser nómada digital é a flexibilidade horária. A ideia se ser dono e senhor do seu tempo e ritmos. O controlo.
No meu caso, e pela minha sanidade mental, trabalho oito horas por dia. No inicio punha-me a responder emails às dez da noite e tive de colocar termo a isso. Hoje em dia faço oito horas de trabalho apenas. A diferença é que muitos dias não começo às nove. Começo quando eu quero!
Em Agosto cheguei ao Japão, mais concretamente a Okinawa, uma ilha situada a sul, a norte de Taiwan. A ilha é linda e muito procurada para férias na praia, graças aos recifes de coral. Sabem aquela água azul clarinha? Ali é real – #semfiltros como se diz agora!
Ora, como depois das sete da tarde ficava de noite, ir à praia depois de trabalhar não era uma opção. Por essa razão, a rotina passou a ser: praia pela manhã, com passagem pelo mercado de peixe para comer algo e depois trabalhar.
Agora, em Kyoto, faço a mesma coisa: adaptar o meu horário ao que quero fazer. Por exemplo, ir a um museu pela manhã, fazer uma tour às 14h, enfim: adaptar o trabalho à vida e às coisas que eu gosto/quero fazer, em vez de fazer do trabalho o centro das atenções.
Flexibilidade de horário no trabalho é isto: é permitir programarmos o nosso dia em função das nossas necessidades e desejos.
Muitas empresas, já permitem alguma flexibilidade, como a hora de entrada, em que permitem aos trabalhadores começarem entre as oito e as dez da manhã. Todavia, será que não se pode fazer mais?
Obviamente que há trabalhos que exigem um horário certo, como serviços de atendimento ou transportes. Não ponho isso em causa, no entanto outros não. A flexibilidade horária é ideal para dar mais espaço e liberdade aos funcionários, para que façam aquilo que mais gostam e necessitam. E isto é tão válido  como para uma manhã no ginásio, uma ida ao museu, um brunch com a família ou simplesmente acompanhar os filhos à escola.
Esta ideia de que todos temos de seguir um horário tem de mudar. Acaba por ser desgastante e pouco produtivo, até porque cada pessoa tem horários próprios.
Recordo-me de quando trabalhava em Berlim e de me sentir frustrada quando no inverno aparecia o sol e eu ali, fechada no escritório! Só pensava “Quando eu sair, vai estar noite e eu não aproveitei nada!” Semanas inteiras assim, custam.
Ter flexibilidade de horário ou gerir o próprios tempo não deveria, de todo, ser um luxo. E muito menos, deveria ser encarada como um capricho.
Neste caso, ninguém está a pedir aos patrões mais dinheiro ou mais dias férias, apenas que se aposte num sistema mais flexível, onde cada um possa gerir o seu tempo, de modo a aproveitá-lo da melhor forma que pode/sabe. Empregados felizes são mais produtivos e também mais leais à empresa. Ou seja, temos todos a ganhar!

Artigo de Sofia Macedo (Sofiamacedo.com). Sofia Macedo partilha, todos os meses, a sua experiência como nómada digital.

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