ERC quer mais ponderação na cobertura informativa de incêndios e calamidades

Por a 19 de Julho de 2018

ERCMais ponderação no recurso a transmissões em directo e na recolha de imagens e declarações de vítimas ou familiares na cobertura de incêndios e outras calamidades são algumas das directivas do Guia de Boas Práticas agora publicado pela ERC. O organismo regulador da comunicação social recorda que tem, “ao longo dos seus 12 anos de existência, recebido diversas queixas e participações sobre a cobertura jornalística de incêndios florestais e outras calamidades em programas de informação e/ou espaços de opinião na imprensa, rádio, televisão e internet”.

O documento, explica-se em comunicado, “sublinha o papel dos media no alerta e informação ao público e recorda que as práticas jornalísticas adoptadas neste tipo de circunstâncias se devem pautar por um tratamento informativo rigoroso e isento, garantindo o cumprimento das normas ético-legais próprias da actividade jornalística e o respeito pelos direitos fundamentais dos visados”.

Ao mesmo tempo que faz saber que se encontra “a preparar uma directiva mais exaustiva sobre estas temáticas”, a ERC deixa um conjunto de 10 directivas. Entre elas estão várias recomendações com o intuito de mitigar o sensacionalismo que por vezes pauta este tipo de cobertura, aconselhando, por exemplo, a que a “o recurso a transmissões em directo deve ser ponderado em função do valor informativo das imagens, evitando-se o seu prolongamento ou constante repetição”. Também “a utilização de determinados recursos técnicos – efeitos de som, música de fundo e outros – o recurso a frases estereotipadas, o uso excessivo de adjectivação e lugares comuns/generalizações que possam contribuir para empolar o acontecimento e/ou para agravar a dor de vítimas e familiares devem ser evitados”, pode ler-se no documento.

A ERC alerta ainda que “os órgãos de comunicação social devem abster-se de recolher imagens e declarações de vítimas, familiares ou pessoas em manifesto estado de vulnerabilidade psicológica, emocional e física, independentemente do consentimento dado pelas mesmas”, devendo ser também “garantido o direito à imagem das vítimas, mesmo post mortem, assegurando a sua privacidade”.

O Guia de Boas Práticas elaborado pelo regulador dos media chama ainda a atenção para a utilização de vídeos amadores e conteúdos recolhidos nas redes sociais, sublinhando que “deve ser evitada a divulgação de imagens fotográficas e de vídeos de vítimas de calamidades retirados das redes sociais” e que “o recurso a imagens de vídeo amador e a todo o tipo de conteúdos captados pelo cidadãos deve assegurar a validação do seu conteúdo, acrescentar valor à informação a divulgar, de forma contextualizada e claramente identificável enquanto tal, devendo a sua exibição ser sujeita a tratamento editorial de forma a respeitar as regras que regem a produção jornalística”.

Um comentário

  1. vulkon

    20 de Julho de 2018 at 15:07

    Os incendiários adoram ver os fogos na tv e ainda mais os seus próprios fogos no telejornal das 20 horas.. É incrível como quando não há fogos os canais de tv vão buscar fogos no estrangeiro para meter nos telejornais… como que para instigar os incendiários a irem atear fogos nas florestas. Os editores de telejornais adoram meter fogos florestais nos noticiários e quanto maiores forem mais eles metem.

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