O leão espirrou. E agora?

Por a 21 de Junho de 2018

diegoNo último dia do Lions Health aqui em Cannes consegui bater um papo e arrancar alguns dados dos seus dois presidentes de juri. Depois de tanta especulação sobre a saúde do festival achei que a visão deles seria um bom termômetro, e não estava errado. Juntas, as duas categorias perderam cerca de 30% do número de inscritos em comparação ao ano passado. Os números assustam, mas a pior notícia é que – ao que tudo indica – a queda vale para o festival como um todo.
Claro que os números não contam toda a história e mesmo com o tropeço na contabilidade, continuamos vendo trabalhos arrebatadores em todas as categorias. O Palais, mesmo um bocado mais vazio, permanece enchendo nas palestras do famosos e o Gutter Bar continua oferendo sua cerveja morna de madrugada para um público que agora já não chega ao calçadão.
Por isso, mesmo sem o press release oficial, já é possível dizer que este está sendo um ano bastante difícil para o festival. A mudança no modelo de inscrições e a queda dos preços nos passes parece ter ajudado a conter a sangria mas ainda estão longe de receberem alta.
Na medicina moderna podemos sempre contar com um simples exame de sangue para descobrirmos uma infeção ou um raio-x para descartarmos um braço quebrado, mas para muitas doenças os médicos ainda fazem seus diagnósticos baseando-se na observação dos sintomas. E é exatamente esse momento que parece estarmos vivendo. Sem saber se é gripe ou dengue. Fadiga ou anemia. Ressaca ou enxaqueca.
Eu particularmente acho que o leão estava ficando fora de forma e um pouco sedentário em alguns aspectos.
Eu particularmente acho que o leão estava ficando fora de forma e um pouco sedentário em alguns aspectos. Junto com os sintomas também vieram a dieta forçada e os novos hábitos. Já sabemos que no ano que vem teremos a volta de grandes agências e criativos ausentes nessa edição. O diagnóstico não está claro, mas o rei dos festivais não vai se deixar abater tão facilmente.

Artigo de opinião de Diego Freitas. O criativo passou em Portugal pelas agências FunnyHow, Ray Gun e Maria Design. No Brasil foi country manager da Funnyhow, director criativo da Ponto e Vírgula e está desde 2015 na Havas Life São Paulo como director criativo

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