Altice culpa Autoridade da Concorrência pelo falhanço da compra da Media Capital

Por a 18 de Junho de 2018

Alexandre Fonseca CEO Altice Portugal (1)A Prisa confirmou a desistência do negócio para a venda da Media Capital à Altice. Numa informação colocada online esta segunda-feira de manhã na Comissão Nacional do Mercado de Valores espanhola (CNMV), a dona da TVI comunicou a “rescisão do contrato de compra celebrado entre a Prisa e a subsidiária da Altice NV, a Meo – Serviços de Comunicação e a Multimédia”. “Tal rescisão decorre de não ter sido cumprida a data final acordada pelas partes, a última das condições de suspensão que estavam pendentes de cumprimento”, refere a mesma nota.

No mesmo comunicado, a Prisa destaca que o fim do acordo com a Altice não altera o acordo de refinanciamento da dívida junto da banca, que implicou no início do ano o alargamento do prazo de vencimento da dívida de 1,4 mil milhões de euros até 2022. A venda da Media Capital à Altice podia representar um encaixe de 440 milhões de euros. A Prisa relembra que no ano passado a Media Capital gerou lucros de 19,7 milhões de euros e um EBIDTA de 40,1 milhões.

A Altice reagiu entretanto, apontando responsabilidades à Autoridade da Concorrência (AdC). “A Altice lamenta que (…) os reguladores não tenham emitido as decisões necessárias à concretização da transacção em tempo útil”, refere a empresa. “Na verdade, os esforços da Altice para obter atempadamente uma decisão favorável incluíram a apresentação de um conjunto muito abrangente de compromissos, com uma vigência alargada, a ser monitorizados por um mandatário independente e sujeitos a um mecanismo acelerado de resolução de litígios, com destaque para a separação das várias áreas de negócio, a implementação de uma oferta a plataformas concorrentes, actuais ou potenciais, do canal generalista TVI a um preço bitolado pelos custos históricos, e a renúncia a conteúdos exclusivos, com atribuição de condições preferenciais aos concorrentes”, destaca em comunicado.

A Altice considera na mesma nota que “se perdeu uma oportunidade crucial para dinamizar o sector das telecomunicações e dos media em Portugal, bem como para a criação de valor neste sector, resistindo-se, injustificadamente, e em prejuízo da atractividade da oferta no mercado nacional, à tendência global para a consolidação entre telecomunicações, media, conteúdos e publicidade digital”. A empresa aponta como exemplo deste movimento a aquisição da Time Warner pela AT&T, fusão que foi agora aprovada nos Estados Unidos.
Recorde-se que em Abril a Altice e Prisa tinham decidido estender a data limite do negócio por mais dois meses por considerarem que estavam “reunidas todas as condições da perspectiva das partes, nomeadamente convicção e capacidade financeira, para que o mesmo se concluísse com sucesso”. O prazo terminava a 15 de Junho.

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