RGPD: “O desespero está a levar à destruição das bases de dados”

Por a 25 de Maio de 2018
Tiago Vidal (Llorente & Cuenca), Teresa Carvalho (Liberty Seguros), Gabriel Coimbra (IDC) e António Rapoula (APCE)

Tiago Vidal (Llorente & Cuenca), Teresa Carvalho (Liberty Seguros), Gabriel Coimbra (IDC) e António Rapoula (APCE)

No início do ano, o tema do Regulamento Geral de Protecção de Dados (RGPD) parecia estar afastado das preocupações dos gestores. Um estudo encomendado pela Microsoft Portugal à IDC e que envolveu 600 empresas nacionais indicava que, em Janeiro, apenas 2,5 por cento dos decisores consideram que as suas empresas estão preparadas para lidar com o RGPD. Mais de 40 por cento afirmavam que a sua organização ficaria preparada só depois de Maio e mais de metade dos inquiridos admitia não conhecer bem o regulamento.
“Nas últimas semanas começamos a receber os milhares de e-mails e SMS, que é precisamente aquilo que não se quer do RGPD. Achamos completamente errado enviar e-mails ou SMS aos clientes a perguntar se devemos continuar a comunicar com eles, quando eles são já clientes. Está explícito que devemos comunicar porque são nossos clientes. Como há uma falta de conhecimento, não temos ainda a lei portuguesa, não há jurisprudência e temos uma maturidade muito baixa no mercado, começamos a ver coisas absurdas como estas”, comenta ao M&P Gabriel Coimbra, country manager da IDC Portugal. O RGPD entra em vigor esta sexta-feira, 25 de Maio, mas a proposta de lei destinada a efectivar as novas regras europeias em Portugal ainda não foi aprovada no Parlamento. Aliás, no contexto da União Europeia, apenas seis países aprovaram a legislação.
O regulamento vem determinar que o consumidor precisa de dar consentimento a cada propósito para o qual uma empresa deseja processar os seus dados pessoais. Além disso, qualquer pessoa pode pedir o acesso aos dados que as empresas detêm sobre si ou pedir para não usá-los. “Se as empresas estão a fazer algo com a informação para o qual não foi dado consentimento, aí é que é preciso um novo consentimento. Por exemplo, se pretenderem passar os dados pessoais a terceiros”, ilustra o líder da consultora em market intelligence. “Imagine que subscrevi uma newsletter. Na minha perspectiva, não faz sentido enviar um e-mail a perguntar se se pode continuar a enviar. Faz sentido deixar muito claro junto dos clientes e subscritores que se está a cumprir o novo regulamento e dar a conhecer qual é a política de privacidade. Com clientes essa questão é ainda mais evidente. Se tenho um contrato com um fornecedor, tenho de receber comunicações desse fornecedor. Essa questão nem se põe”, refere ao M&P.
É neste contexto que Gabriel Coimbra é directo na consequência dos esforço dos últimos dias de muitas empresas em actualizarem as suas bases dados, enviando newsletters onde pedem aos subscritores que confirmem que querem continuar a receber informações: “O desespero está a levar à destruição das bases de dados, já que apenas cinco por cento das pessoas vão responder a esses e-mails”, declara.
Gabriel Coimbra participou esta quarta-feira no debate O Impacto do Digital: RGPD e Reputação, promovido pela APCE, com Teresa Carvalho (Liberty Seguros), Tiago Vidal (Llorente & Cuenca) e que foi moderado por António Rapoula (APCE). O tema do RGPD será desenvolvido na próxima edição do M&P.

Um comentário

  1. Jols

    26 de Maio de 2018 at 21:21

    Algo que o Rgpd permitirá ao tecido empresarial português é a optimização dos seus efectivos recursos de marketing. A falta de qualidade e lastro de algumas letárgicas e obsoletas gestões de BDs praticados por diversas PMEs hesitantes em ver que a sua projecção e sucesso de campanhas é bastante mais efectiva quando o target é receptivo e espelha dados concretos, é agora forçosamente adereçada.

    A Operação, Manutenção e Tecnologia também beneficia.

    Limpem as BDs, deixem de pagar fortunas para listas externas com rácios de concretização dúbio e livrem-se de software fraco e Exceis.

    Filtrem as BDs, semear antes de 25 e colher depois de 26. Lembre-se que gostamos de si, clique aqui se gosta de mim.

    Não exitem… ;)

    Angariar é o mote…

    Há que aproveitar este momento em que a confusão real é imaginária, quem considera que estas oportunidades dos apertos legais são contraproducentes, não compreende mercados, mas tem boas intenções.

    Destruam as BDs

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