Sobre José Carlos Botelho Moniz

Por a 30 de Abril de 2018
José Carlos Botelho Moniz

José Carlos Botelho Moniz

Conheci-o como o herdeiro do Rádio Clube Português, em reuniões com o Pai e o Telmo Protásio, em que o nosso “contributo” era apoiar as suas opiniões. Éramos os apoios… Fiz programas no RCP com o seu apoio e algumas facilidades; o “Nocturno” e “Presença Coimbrã”.
Veio o 25 de Abril e já eu só na Publicidade, dono da Markimage, e aí o vejo aparecer na EPG, publicitário como eu…
Admirável com os seus funcionários, a deixá-los trabalhar, a acompanhar os seus problemas.
A determinada altura associámo-nos para a compra de espaço; com o Luís Miguel e o…. . Nunca houve problemas…eu era o elo de ligação dele ao grupo, mas conhecia a honestidade de todos os intervenientes.
Com a crise, convidou-me para a si me associar, com a condição de ser eu a vender a minha cota, caso aparecesse uma multinacional para comprar a E.P.G.
E assim se prolongou e cresceu a nossa amizade, sendo recebido em sua casa e ter o prazer de o receber na minha.
Um exemplo de educação e simpatia. Um sorriso aberto e sincero.
Uma honestidade exemplar.

*Por Adriano Eliseu, publicitário

 

 

O Zé Carlos ou primo como carinhosamente nos tratávamos, foi-me apresentado nos anos oitenta, pelo amigo comum Adriano Eliseu, seu sócio. O mercado publicitário, estava a entrar numa nova fase. As grandes multinacionais tinham regressado. O dinamismo era maior. Havia outros “generais” e outros interesses. Os Media para além dos aspectos qualitativos, começaram a privilegiar a quantidade. Era preciso ser grande para ter grande margem. Era preciso fazer alguma coisa para salvaguardar e melhorar a nossa rentabilidade e dos nossos clientes. O Zé Carlos, pela EPG, o Adriano pela Markimage e eu pela BBDO, decidimos juntar esforços e volumes. Estava dado o primeiro passo para o que veio a acontecer mais tarde, com a criação das Centrais de Meios quantitativos. Foram uns anos interessantes. Havia valores e palavra. Não houve escritura. Eu comprava a Televisão, o Adriano a Imprensa e Zé Carlos a Rádio. No final do ano dividiamos o que havia para dividir. Apenas confiávamos uns nos outros.

jcbm 2Mais tarde O Zé Carlos é abordado pela TBWA, terceira network do Grupo Omnicom, ao qual a BBDO pertencia. Falávamos muito sobre as vantagens de ser ou não Multinacional. Dei sempre o conselho e a opinião amiga e desinteressada. Tempos depois o Zé Carlos assina acordo com TBWA. A Agência pequena ,EPG, transforma-se rapidamente, já com o nome TBWA, numa agência de referência no mercado publicitário. Grande, com muitos prémios nacionais e internacionais. Fez escola. O Homem e o publicitário, os principios e os valores e a visão, por fim,  fizeram parecer fácil este caminho de anos.  Já no final de 99/ 2000, e penso ter sido o seu último feito,  o Zé Carlos abraça o projecto que o Grupo Omnicom tinha para Portugal. A criação da OMD não apenas com a BBDO e DDB mas também com a TBWA. Eu e Américo Guerreiro tivemos algum trabalho para persuadir o Zé Carlos a abandonar outro projecto e juntar-se a nós, também nesta área (lá estavam os principios). Acabou por acontecer e assim está com os retoques do tempo e das pessoas. Menos o Luis Mergulhão que continua, bem e à frente.

Ao “ Primo “ Zé Carlos, nestas curtas palavras, com muita história, deixo a minha sentida homenagem . Foi um Homem e um Publicitário com visão e com palavra. Foi um bom amigo. Tinha estado com ele no Estoril há bem pouco tempo. Estava bem. Aguardava a filha Maria para almoço.  Que descanse em paz.

*Por Luis Miguel Coelho, publicitário
Com o processo de internacionalização da TBWA em Portugal e a convite do José Carlos Botelho Moniz, transitei para o setor da publicidade.

A singular liderança, a atitude integra em relação à empresa e aos seus clientes, a enorme iniciativa e foco no negócio foram inegáveis atributos, visíveis no estilo muito próprio do José Carlos. Num mercado tão competitivo como é o da publicidade, na EPG – mais tarde TBWA, soube identificar no talento da equipa, a vantagem competitiva que lhe permitiu uma ascensão meteórica rumo à liderança do mercado criativo português nos finais dos anos 90. Nesse período a criação de valor era enfatizada na importância de simultaneamente criar valor para os seus sócios e para os seus clientes.

Respeitado quer pelos pares, quer pelo seu público interno, soube, com paixão, valorizar o trabalho dos seus colaboradores e procurava destacá-lo sempre que a oportunidade lhe surgia. O genuino sucesso de líder pode ser vertido no legado que soube construir durante o desempenho da sua missão, e deste facto é inegável que da sua empresa proliferaram para o mercado muitos e respeitosos elementos, que ainda hoje são referencias maiores na publicidade.

O José Carlos soube motivar e alimentar de forma verdadeira a autoestima da sua equipa através de uma comunicação adequada, garantindo a gestão  disruptivas de ideias, sempre com soluções pertinentes.

Obrigado José Carlos.

*Por Luís Quinaz, publicitário

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