NOS sobe resultado líquido para 124 milhões de euros

Por a 12 de Março de 2018
Miguel Almeida, CEO da NOS

Miguel Almeida, CEO da NOS

A NOS apresentou em 2017 um resultado líquido positivo de 124 milhões de euros, traduzindo um aumento de 37,3 por cento face aos 90,4 milhões de euros registados no ano anterior.
O grupo de telecomunicações registou um EBITDA de 580,6 milhões de euros, um aumento 4,3 por cento em relação aos 556,7 milhões de euros de 2016.
Com estes resultados, foi proposto o pagamento de um dividendo de 30 cêntimos por acção, mais 50 por cento do que o pago aos accionistas em 2016. “Foi um ano desafiante, com uma intensidade competitiva anormal. Foi um ano de grande intensidade competitiva. Esperamos que 2018 também o seja. Registou-se um crescimento do número de clientes, um aumento das receitas e um aumento da quota de mercado”, começou por dizer na apresentação de resultados anuais Miguel Almeida, CEO da NOS. “Houve uma melhoria do resultado operacional. A disciplina financeira levou a um crescimento significativo do free cash flow”, acrescentou.
A base de decisão para a apresentação deste dividendo, explicou Miguel Almeida, esteve relacionada com a “sólida estrutura de capital” da empresa e “com o cash flow que libertámos”. “A geração de caixa aumentou de forma significativa”.
O free cash flow subiu para 133,4 milhões de euros, mais 146,6% relativamente aos 54,1 milhões de euros de 2016. As receitas de exploração, de cerca de 1.562 milhões de euros, registaram um aumento de 3,1% face ao ano anterior. “Apesar do aumento de dividendos, a estrutura de capitais mantém-se muito sólida e com um perfil conservador”, acrescentou José Pedro Pereira da Costa, administrador financeiro da NOS.
A dívida financeira do grupo era, em final de 2017, de 1.085 milhões de euros, sendo o custo médio da dívida de 2 por cento.
O CAPEX total do grupo situou-se nos 380,6 milhões de euros. José Pedro Pereira da Costa adiantou ainda que a NOS vai continuar a investir no reforço da rede de nova geração, que vai subir de 4,1 milhões para 4,4 milhões de casas.
As casas passadas subiram 8,5%, fixando-se nos 4,1 milhões. Os subscritores móveis subiram em 4,9 por cento, situando-se em cerca de 4,7 milhões. Os clientes de televisão por subscrição aumentaram 1 por cento para 1,6 milhões. Os clientes de voz fixa cresceram 1,9 por cento, sendo de cerca de 1,8 milhões. Já os subscritores de banda larga aumentaram 5,4% para 1,3 milhões.

NOS mantém posição sobre entrada da Altice na Media Capital

Sobre a entrada da Altice na estrutura accionista da Media Capital, negócio que está dependente da aprovação dos reguladores, Miguel Almeida referiu que a NOS mantém a mesma posição que já manifestara publicamente. “A nossa posição é conhecida. Não alterámos a opinião que temos vindo a dar conta aos reguladores, nomeadamente à Autoridade da Concorrência (AdC). Compete aos reguladores tomarem uma decisão”.
A NOS, que também pronunciar-se-á sobre o tema na Assembleia da República, irá transmitir aos deputados a posição deixada já expressa aos reguladores. “Nada no contexto se alterou. A operação coloca em causa o pluralismo e coloca em causa a concorrência”, afirmou o CEO da NOS.
Miguel Almeida, porém, evitou falar sobre a possibilidade de o grupo vir a investir na entrada na estrutura de capital de um grupo de media, nomeadamente a Impresa, caso a entrada da Altice na Media Capital seja aprovada pelos reguladores.
Quanto às alterações que o PS pondera fazer à lei das comunicações electrónicas, relacionadas com a fidelização dos clientes às operadoras, Miguel Almeida deixou bastantes críticas: “Põe em causa um modelo que tem servido os consumidores e não as operadoras. Como cidadão preocupa-me ver essas coisas. Há cada vez uma maior atracção pelo populismo”.
As recentes polémicas relacionadas com o futebol foram também abordadas, uma vez que o grupo NOS é o patrocinador da 1ª Liga e anunciou em 2015 a compra dos direitos de transmissão televisivos ao Sporting e ao Benfica. “O futebol é algo muito positivo e fonte de emoções positivas para as pessoas. É nessa perspectiva que estamos associados ao futebol. A partir do momento em que se passam a discutir outros problemas, isso não é motivo de regozijo para nós. Temos, no entanto, um compromisso que iremos cumprir. Ao contrário de outros, não saímos a meio”.
Os contratos com os clubes estão a ser analisados há “dois anos e quatro meses” pela AdC. “Não temos qualquer pista sobre se vai acontecer alguma coisa e o quê”, esclareceu ainda Miguel Almeida.

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