Estudo da consultora EY em parceria com a APIT aponta medidas para assegurar futuro do audiovisual

Por a 1 de Março de 2018

televisãoA sustentabilidade do ecossistema audiovisual português exige medidas como a revisão das grelhas de programação dos canais FTA, a procura de novos espaços para emissão dos conteúdos como canais pagos ou plataformas OTT ou a produção adaptada aos mercados internacionais. Estas são algumas das estratégias apontadas como necessárias para assegurar a reinvenção do sector audiovisual português segundo um trabalho desenvolvido pela consultora EY em parceria com a Associação de Produtores Independentes de Televisão (APIT), que aprofunda as recomendações do Estudo Estratégico do Sector de Produção de Conteúdos Audiovisual em Portugal, realizado entre 2016 e 2017 pela sociedade de consultores Augusto Mateus & Associados.

Para lá dos incentivos regulamentares, financeiros e fiscais, de apoio à produção nacional, que se defende do lado das políticas públicas de apoio ao sector, o estudo coloca uma grande ênfase ao nível dos conteúdos. Além da inovação nas formas de os distribuir, a par de uma estratégia online “aguerrida”, “a consultora apela para a importância do desenvolvimento de conteúdos apelativos que garantam audiências, investimento publicitário e sustentabilidade imediata, bem como a construção de produtos adaptados aos circuitos e mercados internacionais”. “Em termos de estratégias para a reinvenção do sector audiovisual português, a EY recomenda a realização de estudos que permitam conhecer as dinâmicas do mercado e deste modo criarem conteúdos adaptados aos gostos, interesses e rotinas dos consumidores, a fusão de pequenas empresas, visando impulsionar a construção de um tecido empresarial mais sólido e sustentável, com pluralidade e diversidade criativa, bem como a formalização de parcerias entre canais e produtoras”, aponta ainda a consultora.

No que diz respeito à caracterização do mercado, de acordo com o estudo, há um aumento da procura, embora com uma audiência cada vez mais segmentada, por um lado, mas também “mais interessada, dinâmica e participativa”, por outro. Verifica-se ainda uma preferência pelo consumo indoor, em especial de conteúdos audiovisuais, enquanto se constata uma redução do número de idas ao cinema, teatro e exposições. “O aumento da velocidade da circulação dos produtos, da acessibilidade e dos suportes tecnológicos de reprodução, permitiu o reforço das práticas culturais domésticas, indutoras da diminuição das receitas de bilheteira de cinema e, em sequência, da diminuição da presença em recintos culturais”, refere o estudo, acrescentando que “o aumento do poder dos consumidores e a própria produção de conteúdos obrigaram as empresas estabelecidas a adaptar-se ao mercado através do fornecimento de uma oferta integrada e competitiva e obrigou os players a estar onde estão os consumidores e a proceder a uma divisão do investimento em diferentes meios, nomeadamente no online”.

Ainda assim, o estudo considera que “o consumo televisivo continua a desempenhar um papel preponderante na vida dos portugueses” já que o consumo televisivo diário se situa entre as 4 e as 5 horas, além de 70% das pessoas na faixa etária entre os 15 e os 24 anos ver filmes, séries e documentários online, motivos por que, aponta a consultora, “verifica-se um crescimento do product placement como estratégia alternativa à publicidade tradicional”.

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