Nomadismo digital: Vamos falar de burocracia?

Por a 23 de Fevereiro de 2018

SofiaO mundo está pouco preparado para esta coisa de se ser nómada digital. E quando falo do mundo, refiro-me ao mundo fantásticos dos papéis e das burocracias e sistemas legais e finanças e segurança social – e poderia continuar…
Se bem que, sejamos honestos, o resto do mundo pouco ou nada preparado está. Esta coisa de que ter alguém que opta por andar de mochila às costas e a ver coisas, em vez de se estabelecer, investir na carreira, enquanto compra carro e paga casa até 2068 faz ainda confusão a muitas pessoas! E, sendo eu mulher na casa dos 30, ainda mais numa relação estável, a estranheza vem sempre acompanhada com um “e os filhos?” Mas, adiante!
Depois de tomada a decisão, vêm as dúvidas e os dramas legais! Onde ser freelancer? Qual o melhor sistema de descontos? Qual o país com um sistema de segurança social mais vantajoso? Pagar menos taxas e ter menos regalias ou pagar mais e estar mais assegurado – seja lá o que isso for nos dias de hoje! Que tipo de facturas usar?
Como se sabe, mesmo na Europa comunitária, o sistema e as respectivas leis variam de país para país.
Se por um lado em Portugal, no primeiro ano como freelancer (aka recibos verdes), as taxas até são simpáticas; as garantias sociais (baixa, reforma, etc.) são poucas! Em Espanha a coisa melhora um bocadinho, mas depois dos dois primeiros anos é um roubo! No Reino Unido, mais de metade do dinheiro vai para o Estado! No Chipre, é tudo maravilhoso, mas benefícios nada – nicles, rien de rien! Na Alemanha, a burocracia é tanta, que dá vontade de chorar! E claro, se uma pessoa ganha pouco, são uns fofos! Já para aqueles que ganham mais, é uma autêntica roubalheira. O mesmo se pode dizer da Áustria!
Após resolvido este capítulo, segue-se a questão dos seguros. Encontrar um bom seguro médico com cobertura internacional, a um preço decente!
A isto, seria bom juntar um seguro por causa dos roubos! Outro para voos em atraso! Outro ainda, caso o computador se estrague!
Outro tema importante é o da internet. Aliás, conseguir encontrar um serviço de Internet bom e eficiente, que funcione bem ao virar na esquina e também do outro lado do mundo! É que mais do que funcional, a Internet tem de ser boa. Muito boa! E rápida. Muito rápida!
Na hora de cobrir a Europa, as opções até existem, mas e o resto do mundo? Pois é, é aqui que entra a letra pequena e as 723 mil condições.
Ainda assim nada é tão complexo como a questão da residência fiscal. Até porque para receber e emitir facturas e pagar impostos, todos precisamos de uma.
Claramente há aqui um nicho de negócio com potencial e que merece ser explorado – fica a ideia. Esta ideia de que nómadas digitais são gente leviana, é falsa.
Deixar o escritório e um trabalho das 9 às 6 não significa não pensar no futuro, nem deixar de contribuir socialmente!
Das taxas da segurança social à reforma, tudo importa! É bom saber que podemos ficar doentes e ter acesso a bons cuidados médicos, sem ter que fazer contas à vida ou vender um rim ou que chegando aos 70 anos, as nossas taxas podem ser usadas numa reforma decente!

Artigo de Sofia Macedo (Sofiamacedo.com). Sofia Macedo promete partilhar, a cada 15 dias, a sua experiência como nómada digital.

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