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A fantástica aventura de imaterializar uma revista… e ganhar

Por a 14 de Fevereiro de 2018
Luisa Jeremias, directora da Flash

Luisa Jeremias, directora da Flash

Imagine este cenário: uma redacção com jornalistas séniores, craques em entrevistas e reportagens que tanto podiam figurar numa revista de sociedade como num diário generalista, com dois fotógrafos de moda, mais uns tantos de eventos, com produtores, maquilhadores, enfim, uma redacção e respectivos colaboradores habituados a lidar com o dia-a-dia do papel, num produto que sempre foi considerado o “mais bonito” nesse formato. Uma redacção que, porém, não trabalhava online.
Agora imagine esta redacção, viciada em papel, receber a notícia: a Flash! vai deixar o formato papel e passar a ser exclusivamente online.
Consegue imaginar os rostos de espanto, de pânico, de desespero… e ao mesmo tempo de surpresa, de ansiedade, de vontade de mudar o mundo?
Pois este foi o cenário que vivi quando dei a notícia de que o futuro estava a começar naquele momento para a Flash! que assumia ser a primeira publicação a abandonar um formato para assumir outro. Uma decisão pioneira e que, inevitavelmente, colocava uma grande questão pela frente: seríamos nós capazes de tornar vencedor um projecto com esta ambição? Nós, a redacção “do papel”?
Querem a verdade? Nunca tive uma dúvida de que sim. Claro que éramos capazes, claro que sairíamos vencedores deste desafio, claro que estávamos a percorrer um caminho que era o nosso futuro. Nosso, não. Um caminho que É o futuro. E o presente.
Portanto, em tempo recorde, arregaçámos as mangas e começámos e rearrumar a casa.
#thefutureisthenewpresent
Não havia uma dúvida. E tanto para fazer…
Em primeiro lugar desenhar a nova Flash! Poderia ser igual ao formato papel? O que era necessário mudar? Uma perguntar pertinente, neste novo universo online: Flash! era feminino ou mudava de sexo e torna-se masculino? Falaríamos no site Flash! ou na Flash! (como acontecia, antes, com a revista)?
Mas há mais. Conseguiríamos manter a redacção com a mesma dimensão? Conseguiríamos ter ensaios de moda, grandes entrevistas com imagem produzida – a tal “qualidade FLASH!”, uma das bandeiras, durante anos da revista? Como poderia ser?
Nem todas as decisões foram simples de tomar. É claro que numa primeira fase queremos manter tudo e melhorar. Basicamente é como renovar o guarda-roupa, sem prescindir das antigas peças que lá existiam. Depois percebemos que isso não é possível. Porque não há espaço para tudo.
E por muito que custe… é necessário abdicar… para poder renovar e crescer.
Foi o que aconteceu.
Primeira fase: desenho do site. Era preciso fazer ligações à revista. Não estávamos a falar de um produto totalmente novo, mas antes de um seguimento lógico de algo que já existia – mas agora apresentado numa outra plataforma. Como tal era preciso criar uma lógica visual para fazer uma associação directa. O desenho foi fundamental para que isso acontecesse. Uma continuidade em evolução. Como? Simples. Teríamos de ter muitas notícias, exclusivos e investigações (ambos marcas da Flash!), mas também consagrar espaço àquilo que também fazia a revista: moda, estilo, tendências, beleza. E a juntar a isso, uma área em crescimento: lifestyle. Aqui se desvendariam métodos de coaching, seriam desenvolvidos temas ligados à família, aos afectos, sexo. E por que não ter uma especialista em relações a falar no site? Sim! Falar, não escrever.
Foi a partir dessa ideia que nasceu o convite à sexóloga Teresa Leonardo para fazer videos dando conselhos e dicas. Mais uma novidade! E se tínhamos uma sexóloga, por que não ter uma especialista em cirurgia estética? Ana Gonçalves, médica que já era colaboradora da revista, seguiu o caminho de Teresa Leonardo e começou a fazer vídeos explicando técnicas, métodos, dando conselhos. E como estávamos no universo feminino e do bem estar, por que não ter uma personal trainer a dar aulas diárias matinais? Alexandra Moraes assumiu o posto. E os vídeos também começaram.
Não havia cronistas “escritos”? Claro que sim, entre eles os já colaboradores no papel, Pedro Chagas Freitas e Margarida Rebelo Pinto, dois nomes de peso que sempre tiveram tudo a ver com o projecto Flash! – fosse papel ou digital.
Desenhado o site, definidas as novas secções e áreas, distribuindo os jornalistas pelas suas novas (e antigas) áreas de trabalho, passámos à fase dois: linguagem digital.
E ai havia tudo, mas mesmo tudo para aprender. Inclusivamente por mim, que era uma analfabeta total no que toca a termos técnicos. Eu sabia o que queria fazer, sabia o que funcionava mundo fora, aprendi quais as tendências e para onde caminhavam os mercados. Se conseguisse aplicar tudo isso ao site Flash! e fazer com que este tivesse os resultados desejados, seria fabuloso. Mas, para tal ser possível havia muito que aprender… e rápido!
Como poderia ganhar seguidores? Cativá-los? Fazê-los ficar? Ter pageviews? Fazer com que os nossos seguidores percorressem fotogalerias e assistissem a videos? Como conseguiria fidelizar? Esse foi o grande desafio desde o primeiro momento.
A partir daí foi experimentar, começar a tirar conclusões e traçar o nosso próprio percurso.
E, adivinhe a que conclusão cheguei pouco tempo depois de arrancarmos com o site www.flash.pt, a 18 de Janeiro de 2017? Que afinal, e ao contrário do que muito se diz, fazer papel e fazer digital… não é assim tão diferente.
Provas disso? Os resultados do site e o que nos trazia tráfego.
Foram as histórias próprias, as investigações, as matérias exclusivas que se tornaram virais quando partilhadas nas redes sociais e ali se multiplicaram que tornaram o site naquilo que ele é hoje: líder.
Como foi possível isso acontecer num ano?
Muito simples. Comecemos pela primeira questão. Só com 200 por cento de trabalho e dedicação é possível obter resultados. Se houve um ano em que eu não dormi, literalmente, 2017 foi esse ano. Porquê? Porque trabalhar online, pelo menos para quem tem responsabilidades num projecto, é viver obcecado por números. Quantas pessoas tivemos ontem no site? Quantas visitas, quantos utilizadores únicos, quantas pageviews. Quantos temos agora? Menos do que ontem? Impossível! É preciso inverter imediatamente isso.
No mundo digital não existe depois, não existe amanhã, existe agora, neste segundo. No próximo pode já ser tarde. Esta foi a primeira coisa que aprendi. A segunda foi que há técnicas para controlar tudo e que, se aprendermos as “manhas” e, a seguir, a trabalhar com elas, o nosso trabalho está facilitado. A terceira coisa é que uma boa história dá frutos em qualquer plataforma. E essa foi a nossa grande vitória para chegar à liderança. Perceber isso e não ter medo de publicar uma história. Não esperar pelo papel – no nosso caso já não existia, mas mesmo que existisse a questão coloca-se da mesma forma.
E depois testar, testar, testar. Tirar conclusões e fazer, ao segundo, as escolhas e as alterações necessárias. Programar? Nem pensar. É ao segundo. Testar, mudar, manter, somar.
E assim se é líder.
Com um mês de atraso (só começámos a meio de Janeiro) chegámos ao fim do ano líderes na média de pageviews do segmento feminino. Tivemos 23,8 millhões de pageviews por mês em 2017, o que se traduz numa média de 786.165 pageviews por dia. Fechámos o mês de dezembro, juntando à liderança de pageviews a de visitas (3.284/dia). Terminamos 2017 na 13ª posição de pageviews (geral) de acordo com o ranking Netscope, à frente de títulos como o Expresso.
E tudo isto foi conseguido sem nunca alterar o ADN Flash! Histórias, moda, beleza, lifestyle. Tudo com muito glamour e algum picante. A pensar no leitor… que é como quem diz, no seguidor.
A equipa do papel adaptou-se? Totalmente! E reinventou-se. E foi incansável na busca de um novo olhar.
Para onde caminhamos? Para onde os seguidores, os leitores e fãs do site quiserem.
#thefuturehasjustbegun
Vamos continuar a percorrer os tais novos caminhos – que num ano mudaram – vamos inovar, ousar, e seguir em frente à procura de mais e mais público. Na certeza de que continuaremos a reinventarmo-nos a cada segundo. Porque no mundo digital é assim. É agora. Já. Ontem.
A rentabilização de um site com estas características faz-se nesta procura constante de descobrir novas fontes de receita que, grande parte das vezes, são resultado de abertura de novas frentes de negócio e de chegar a um público cada vez maior. Se 2017 foi o ano do lançamento do projecto e de chegar ao topo, este ano vai ser o da abertura e da exploração. Vêm aí muitas novidades, a desenvolver ao longo do ano. Para já, acabou nascer uma nova newsletter, dedicada em exclusivo à moda e beleza – imagens de marca da Flash! Mas este é só o começo do nosso trajecto este ano.
Espreite. www.flash.pt. E vai ver como as nossas próprias “boas práticas” (que nem sempre são as tradicionais) trazem os resultados pretendidos.

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