Impresa acusada de aproveitar alienação da área de publishing para fazer “despedimentos encapotados”

Por a 14 de Dezembro de 2017

impresa fachadaO processo de transição dos trabalhadores da Impresa Publishing para uma nova editora criada por Luís Delgado estará a ser utilizado para levar a cabo “despedimentos colectivos encapotados”. A acusação foi feita por Arménio Carlos, secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), que afirmou que o grupo Impresa “tem problemas e está a tentar resolver os problemas recorrendo a métodos que, em nossa opinião, são condenáveis, nomeadamente de pressão para a saída de trabalhadores e, simultaneamente, também na transmissão para a opinião pública de um eventual aparecimento de um grupo para depois fazer a transferência desses mesmos trabalhadores”.

Para Arménio Carlos, que falou à Lusa após ser ouvido pelo grupo de trabalho que analisa a alteração do regime jurídico da transmissão de empresa ou estabelecimento, no Parlamento, casos como as transferências na Altice/PT ou na Impresa são exemplos que confirmam “a necessidade de o Governo tomar medidas urgentes, não só para combater as fraudes que estão em marcha e que visam claramente promover despedimentos colectivos encapotados, mas também, a partir daqui, atacar o problema das chamadas interpretações criativas dos grupos económicos”.

A possibilidade de o processo de transição dos trabalhadores da Impresa Publishing para um novo grupo editorial resultar em despedimentos levou recentemente o Sindicato dos Jornalistas a exigir também esclarecimentos ao grupo liderado por Francisco Pedro Balsemão. “O SJ recorda que, nas reuniões que este sindicato manteve com a administração do grupo a que presidem, foi manifesto o compromisso de que evitariam despedimentos e que tudo fariam para que os postos de trabalho envolvidos na transmissão de estabelecimento fossem mantidos”, podia ler-se em comunicado emitido pelo organismo.

Na sequência do acordo com Luís Delgado para a alienação de todas as publicações do segmento de publishing à excepção do semanário Expresso e da revista Blitz, o grupo Impresa fez saber que o processo de transição está em curso e que “transitarão para o novo grupo editorial os trabalhadores da Impresa Publishing afectos às marcas a ceder, incluindo jornalistas, gráficos, comerciais, bem como outros que pertencem à estrutura da organização”. O grupo ressalvou, contudo, que “esse número pode não compreender a totalidade das pessoas que trabalham na área das revistas do grupo, nomeadamente os que estão ligados à estrutura, o que poderá levar a Impresa Publishing a dar início a um processo de reestruturação”.

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