John Hegarty em Lisboa: “Fuck data. O importante é a ideia”

Por a 8 de Novembro de 2017

John HegartyO nome histórico da publicidade mundial John Hegarty, fundador da agência Bartle Bogle Hegarty (BBH), deixou claro que a tecnologia deve estar numa posição de submissão face à criatividade, destacando a importância das agências criativas e das boas ideias perante os inputs dos dados e as potencialidades proporcionadas pelo digital.
De passagem pela Web Summit, para participar num painel sobre influenciadores, o fundador da agência BBH foi claro: “Hoje vivemos num mundo de disrupção, seja na imprensa, no cinema ou na música, mas há algo permanente: o poder do criatividade. O desafio é como se abraça e promove a criatividade. Vivemos numa era fantástica. Quando comecei na publicidade, ela era dominada pelos big media, pela televisão e pela imprensa. Era muito limitada. Hoje vivemos uma democratização fantástica da tecnologia. Mas a tecnologia promove oportunidade, a criatividade é que faz a diferença. Costuma-se dizer que é tudo data, mas eu digo: ‘fuck data’. O importante é a ideia”, apontou.
Com a emergência das redes sociais, dos influenciadores e de formas colaborativas de criar para marcas, John Hegarty considerou que o processo de influência, via media tradicional, deixou de ser do topo para a base, mas sim da base para o topo, via novos media. Não é uma má notícia. “Toda a arte desde o princípio dos tempos é mais poderosa quando vem da base para o topo. Quando olhamos a revolução dos anos 60 no Reino Unido, verificamos que foi uma revolução da classe trabalhadora, que era de onde vinham os The Beatles, os fotógrafos, realizadores e escritores dessa geração. Foi a classe trabalhadora que energizou a criatividade”. Hoje, John Hegarty considera que se está a viver uma nova democratização com o esbater de barreiras de raça, credos ou orientação sexual.
A propósito da ascensão da figura dos influenciadores digitais, o fundador da BBH deixou um conselho: os influenciadores devem ser transparentes, perante os seus seguidores, quanto à relação que têm com as marcas. Aos responsáveis pelas marcas, cabe integrar esses projectos com influenciadores na estratégia de longo prazo, seguindo um pensamento estratégico.

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