GMG: Sai Montez e Mosquito, entram José Pedro Soeiro e KNJ

Por a 6 de Novembro de 2017
Global Media

O grupo macaense KNJ, com 30%, o empresário José Pedro Soeiro, também com 30%, Joaquim Oliveira, com 20%, e os bancos Millennium BCP e Novo Banco, cada um com 10%. É, a partir de hoje, esta a estrutura accionista do Global Media Group, proprietário de marcas como o DN, JN ou TSF.  “Nenhum accionista deterá o controlo do grupo”, frisa em comunicado a Global Media, que na administração executiva mantém Victor Ribeiro (CEO), José Carlos Lourenço (actual COO) e Maria Teresa da Graça (actual CFO).  O jornalista Paulo Rego, indicado KNJ, também fará parte deste órgão, prossegue o grupo, que terá como administradores não executivos Daniel Proença de Carvalho (chairman), Kevin Ho (vice-chairman), Philip Manuel Eusébio Yip, Rolando Oliveira, Jorge Carreira e José Pedro Soeiro.

“A Global Media Group infoma que os seus accionistas chegaram a acordo com o empresário de Macau Kevin Ho, nos termos do qual este empresário aportará ao capital da empresa holding do Grupo o montante de 15 milhões de euros, passando o novo investidor a deter 30% do capital social da sociedade. O capital investido no Grupo vai ser utilizado, fundamentalmente, em projectos destinados a reforçar a liderança do Grupo no digital e à sua internacionalização especialmente nas geografias onde se fala português e junto das nossas comunidades no estrangeiro”, diz o grupo em comunicado, terminando assim o impasse relacionado com a entrada do grupo macaense no capital da Global Media, que estava previsto para o início do ano.

Em simultâneo, o grupo adianta que as participações de António Mosquito, alienada no dia 8 de Outubro, e de Luiz Montez, passam para José Pedro Soeiro, “empresário e gestor com participação em empresas portuguesas, angolanas e do Reino Unido”.

“A estrutura accionista resultante destas operações facilitará os objetivos do Grupo, num momento de grandes transformações no setor e de dificuldades no mercado doméstico”, assegura a Global Media.

“A injeção de capital permite que a GMG invista no futuro, implementando um plano estratégico ambicioso, focado em melhor a capacidade jornalística, produção de conteúdo multimédia e globalização. Os mercados de língua portuguesa serão cruciais para a nova estratégia do GMG”, que pretende “impulsionar todas as principais marcas GMG para um processo digital de migração e globalização baseado no conceito de “economia da língua”, acrescenta em comunicado Paulo Rego, representante da KNJ. “A modernização e a globalização são conceitos chave que combinam GMG e KNJ (…) Por um lado, a GMG descobriu recentemente a estabilidade económica, por meio da reestruturação financeira bem-sucedida, permitindo que a GMG se concentre no crescimento futuro. Por outro lado, uma migração digital forte, combinada com uma nova ambição em todos os mercados portugueses também contribui” para o interesse da operação, prossegue. A “KNJ é uma empresa privada de investimentos com sede em Macau. Nós procuramos o lucro e este negócio não é diferente. Esta injeção de capital será utilizada para aumentar seu valor de participação. Mas também somos pessoas de Macau e sentimo-nos felizes em contribuir, ajudando a Região Administrativa Especial de Macau a ser conhecida, em todo o mundo, como uma plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, finaliza Paulo Rego.

Em conversa com o M&P, o representante do novo accionista adiantou, sobre as motivações para o negócio, que quando “se compra uma empresa se analisam os assets que se estão a comprar e a margem que tem para acrescentar valor. E em quanto, e em quanto tempo, é que se podem transformar os 15 milhões que estão a ser investidos. Se fosse só a pensar no lucro, comprar prédios ou montar startups era mais rápido”, começa por dizer. Mas, “em Macau há um consenso político, económico e até social de que, quando se quer internacionalizar e diversificar assets, se olha para o mundo de língua portuguesa”, continua. E, nessa perspectiva, a entrada no capital da Global Media “é vista como a oportunidade de aquisição de um asset que já está sobrevalorizado – ficou após a reestruturação financeira -, que já tem mais valor e vai ter muito mais”, servindo em simultâneo para tornar Macau uma plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

Deixe aqui o seu comentário