“Um Clube onde ninguém se candidata a nada não é uma instituição viva”

Por a 12 de Outubro de 2017

PedroPires2Pedro Pires, presidente do Clube de Criativos de Portugal (CCP) desde 2013, faz um balanço do trabalho desenvolvido pela actual direcção destacando como principal vitória o alcançar de uma sede fixa para o Clube no Mercado de Santa Clara. A um ano do fim do segundo mandato, o profissional, entrevistado pelo M&P na sequência da distinção como Personalidade de Publicidade do Ano nos Prémios M&P, considera que é preciso sangue novo no CCP e deixa alguns recados à próxima direcção e ao mercado.

M&P: É, desde 2013, presidente do Clube de Criativos de Portugal (CCP). A um ano do final do segundo mandato, que marcas considera que a equipa que lidera deixa no Clube?

PP: A primeira, e a que vai ficar por mais tempo, é o protocolo que assinámos com a Câmara Municipal de Lisboa, que finalmente dá uma sede fixa ao CCP. Além de nos dar uma responsabilidade sobre a gestão de um equipamento da cidade, o Mercado de Santa Clara, o CCP vai ter responsabilidades sobre a programação dos seus conteúdos, que são conteúdos relativos à actividade das indústrias criativas em Lisboa, sejam elas mais da nossa área, da área de media ou do empreendedorismo criativo. Portanto, vamos ter a responsabilidade de animar e de programar o Mercado de Santa Clara, além de termos lá a nossa sede. Essa é a primeira grande vitória, a segunda foi a recuperação da imagem do clube e da sua dinâmica. O Clube teve períodos muito bons no passado mas depois acabou por esmorecer a relação que as pessoas tinham com o Clube ia pouco além do ir à gala. Isso mudou um pouco, o Clube conseguiu renovar a sua relação com os organismos internacionais, com o ADCE, com as universidades e agora com a escola de Berlim. Conseguiu mandar todos os anos, duas ou três vezes ano, jovens criativos lá para fora para participar em bootcamps e em iniciativas do ADCE. Conseguiu ter sempre uma presença importante no festival em Barcelona. Conseguiu cá dentro transformar aquilo que era um festival de entrega de prémios numa semana criativa de Lisboa e, com isso, congregar à volta do clube uma série de curadores que foram também incentivando o Clube a alargar a sua área de influência.

M&P: O que falta fazer para que o clube seja ainda mais relevante?

PP: Falta fazer tanta coisa. Falta recuperar a história… A história estava mal-tratada quando chegámos. Está armazenada, é preciso digitalizar. Essa é uma missão que alguém vai ter que continuar porque esta direcção não vai conseguir acabá-la. Há eleições no próximo ano, esta direcção já está em funções há seis anos. Somos todos da opinião de que é preciso uma renovação, é preciso sangue novo. O Museu da Publicidade está a nascer mas está preocupado ainda com o muito antigo, mas a história recente, desde 1974 e especialmente desde 1999, quando o Clube foi criado, essa história está em livros, em casa de pessoas, mas de resto não está. É algo que fica para a próxima direcção fazer. E depois falta conseguir fazer com que as pessoas sejam sócias do clube, porque o nível de adesão é baixo e há aqui qualquer coisa na proposta de valor, naquilo que o Clube entrega no sentido mais físico que tem de ser repensada. Quanto mais profissionalizado for o Clube mais tendência terá a poder ter outro tipo de serviços, poder prestar assistência a pequenas empresas ao nível da contabilidade, apoio jurídico, coisas mais complexas que não estamos, de forma alguma, preparados para fazer. Nunca será uma Ordem, mas será algo que poderá dar apoio aos seus sócios.

M&P: Ficam os recados para uma próxima direcção?

PP: Já nas últimas eleições tinha dito que não me recandidatava e acabei por avançar… Mas é altura de renovação. Isto é sempre difícil, porque são horas ou noites da semana que desaparecem. Há muito para fazer, exige muitos telefonemas, muita relação, muita ligação, networking, muita disponibilidade mental e, às vezes, pessoal. Ao fim de seis anos, é altura de vir alguém com ideias novas e, em cima do que já fizemos, construir e evoluir. O mercado tem de se chegar à frente. Até ao próximo festival essa é uma das nossas missões, fazer com que o mercado se chegue à frente. Porque um Clube onde ninguém se candidata a nada, não é uma instituição viva. Gosto muito de todas as pessoas no nosso mercado, mas a malta não se chega à frente, não assume a responsabilidade de dizer que está numa indústria e que essa indústria precisa que as pessoas se preocupem com ela. Não existe essa noção colectiva de indústria, e isso tem que nascer. Também têm de dar um bocadinho sem receber nada de muito concreto em troca do ponto de vista material. Portanto, se puder fazer algum apelo é este: o Clube precisa de pessoas a candidatar-se, precisa de mais listas, de pessoas que venham contradizer aquilo que é feito ou que venham acrescentar valor.

Excerto de uma entrevista que pode ler na íntegra na edição desta quinzena do M&P

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