Resultados da Impresa melhoram 71,8% mas o grupo continua em terreno negativo

Por a 24 de Outubro de 2017

impresa fachadaO resultado líquido da Impresa apresenta uma melhoria de 71,8% nos primeiros nove meses de 2017 face aos prejuízos de 585 mil euros registados no período homólogo, mantendo-se, no entanto, em terreno negativo (-165 mil euros). De acordo com o relatório enviado esta terça-feira à CMVM pelo grupo liderado por Francisco Pedro Balsemão, apesar de um crescimento de 2,8% nas receitas publicitárias (de 81,2 milhões para 84,4 milhões de euros) e de uma ligeira subida de 0,9% nas receitas de circulação comparativamente aos primeiros nove meses de 2016, as receitas totais sofreram uma quebra de 2,3%, passando de 149,8 milhões para 146,4 milhões de euros.

A descida ficou a dever-se sobretudo a uma quebra na ordem dos 31,9% no item Outras Receitas, cujo valor caiu dos 17,8 milhões para os 12,1 milhões de euros, à qual se acrescenta ainda uma ligeira redução de 0,5% nas receitas provenientes da subscrição de canais. A registar fica o sinal positivo dado pelo crescimento das receitas totais no terceiro trimestre, que subiram 4,3%, de 45,3 milhões para 47,3 milhões de euros, quando comparadas com o trimestre homólogo em 2016. Entre os dois períodos, destaque para a subida de 10,5% nas receitas publicitárias, fixadas em 26,4 milhões de euros quando no terceiro trimestre do último ano ficaram pelos 23,9 milhões de euros.

Para a melhoria do resultado líquido no acumulado de Janeiro a Setembro contribuiu também a redução de 2,3% nos custos operacionais do grupo, que passaram de 141,1 milhões para 137,8 milhões de euros. A fechar estes primeiros nove meses do ano, o grupo que detém a SIC e títulos como o Expresso ou a Visão, e que está neste momento a analisar a alienação de títulos no segmento de publishing, destaca ainda a redução da dívida em 7,9 milhões de euros face ao período homólogo em 2016, com a mesma a fixar-se agora nos 192,6 milhões de euros.

Analisando os resultados do grupo por segmento, as receitas de televisão foram de 111,1 milhões de euros nestes primeiros nove meses de 2017 (-2,2%), enquanto as receitas da área de publishing representaram cerca de 34 milhões de euros (-3,7%). A área de televisão, que representa a fatia de leão do negócio da Impresa, viu o seu EBITDA recuar 17,3% no acumulado de Janeiro a Setembro, apresentando lucros de 9,3 milhões de euros que comparam com os 11,2 milhões de euros alcançados no período homólogo em 2016. A descida deve-se sobretudo à quebra de 41,9% das receitas de multimédia, de 10,9 milhões para 6,3 milhões de euros, a que se soma uma descida de 14,6% nas outras receitas e de 0,5% nas receitas de subscrição de canais. Já as receitas publicitárias registam uma evolução positiva, com os 69,5 milhões alcançados nestes primeiros nove meses do ano a traduzirem um crescimento de 4,1% face aos 66,8 milhões de euros obtidos no mesmo período do último ano. Neste segmento, o grupo levou ainda a cabo uma redução de 0,5% nos custos operacionais, que desceram de 102,4 milhões para 101,8 milhões de euros.

Embora com um volume de negócio com menor peso nos resultados do grupo, o segmento de publishing, que a Impresa pretende alienar para se focar na televisão e multimédia, apresenta um lucro de 1,2 milhões de euros, valor que representa um disparo na ordem dos 1021,6% comparativamente ao lucro de apenas 107,8 mil euros obtido entre Janeiro e Setembro de 2016. Um resultado que tem origem sobretudo do lado dos custos e não da receita, já que esta regista uma quebra de 3,7%, com um encaixe de cerca de 1,3 milhões de euros a menos devido a descidas de 3,1% nas receitas publicitárias, de 39,6% das receitas de produtos associados e de 28,4% nas outras receitas, com a única nota positiva a vir de um crescimento de 0,9% nas receitas de circulação. As perdas do lado da receita foram compensadas com um corte de 6,8% nos custos operacionais, que representaram um encargo de cerca de 2,4 milhões de euros a menos ao passarem dos 35,2 milhões para 32,8 milhões de euros.

Sobre o futuro desta área, a Impresa recorda no comunicado enviado à CMVM que no passado mês de Agosto iniciou “um processo de avaliação do seu portfólio na área do Publishing, que poderia implicar a alienação desses activos, com vista a efectuar um reposicionamento estratégico da sua actividade”, confirmando que “recebeu manifestações de interesse, as quais estão a ser analisadas”. No entanto, refere-se, “ainda não foi tomada qualquer decisão resultante deste processo, pelo que não é possível apurar qualquer impacto da mesma”. Perante os resultados agora apresentados, a administração garante que esta evolução, a par de “medidas de reestruturação implementadas durante os últimos trimestres, e inseridas num contexto macro-económico mais favorável, permitem antever o cumprimento dos objectivos propostos para este ano, e o reforço da rentabilidade do grupo”.

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