MIPCOM DIA #2: Netflix, Amazon e… Snapchat

Por a 17 de Outubro de 2017
Mipcom dia 2
ARAC - Convencao Nacional 2017. Rent a Car - Atividade Economica Global. Sintra.

Ricardo Tomé, director coordenador da Media Capital Digital Sintra.

Dia 2 do MIPCOM. O debate central continua (e continuará?) sempre de volta das ideias. Num painel dedicado a novos formatos foi unânime que a crise já passou e se começa a investir mais, embora a grande fatia esteja nos formatos de guião/ficção e muito impulsionado pela entrada de novos players, como operadoras de telecomunicações (Telefonica, Altice, Deutsch Telekom, …) que investem em originais ou os big players mundiais (Amazon, Netflix, …), sendo que esses recorrem sempre aos mesmos, ou seja às grandes marcas de media mundiais (CNN, BBC, ABC, NBC, Guardian, etc).

Sobre a promoção muito parece estar a mudar. Depois de no primeiro dia se ter versado sobre o uso dos mais jovens como embaixadores do word of mouth digital hoje o centro do debate foi a discrepância entre a geração pós-millennial, ou Z, e os próprios millennials contra as gerações anteriores, onde os vários intervenientes (de Israel a Espanha ao Reino Unido) sublinharam como grande diferença que estes confiam 60% ou mais em social media influencers anónimos do que em celebridades, no que toca ao processo de decisão sobre que conteúdos experimentar e ver.

No capítulo do modelo de negócio o Senior Vice President for Content Development da FOX, Jeff Ford, sublinhou que ainda estamos na curva da onda, não há um cenário claro. Hoje as produções ainda se pagam maioritariamente pelo linear. Há claramente aumento de consumo com o Vosdal e o Digital, por vezes na ordem dos 45% mais, mas esse consumo dificilmente tem hoje ainda monetização. Em primeiro devido à tecnologia que leva à ineficácia dos formatos de publicidade tradicionais (quem não passa à frente os anúncios na box?), e depois devido à medição de resultados, ainda muito atrás da estabilidade dos modelos e métricas lineares.

Já pelo lado da produção as mudanças fazem-se sentir profundamente. Mercedes Gameiro, da Atresmedia, e Katie Marsh, da Platform One Media, produtora co-responsável por “Narcos”, explicaram como o novo modelo (com a entrada do Netflix, Amazon, etc,) permitiu a emergência de novos conteúdos e produtoras, que hoje já não precisam ter canais de Tv para conseguir cobrir os custos de entrada, onde muitos desses canais já pertencem a grandes estúdios e assim impediam a emergência da produção independente. 

mipcom geniusCourtney Monroe, CEO da National Geographic Global Networks, surgiu com a chancela no MIPCOM como keynote pela primeira vez. A atenção e novidade foi precisamente a entrada nas séries. Isso mesmo. Se até aqui a National Geographic se centrava em documentários factuais, hoje expande a sua oferta para a ficção factual, muito em redor de temas da atualidade (conflito no Médio Oriente, por exemplo) mas sobretudo com provas e prémios nos biopics, de onde o mais sonante foi “Genius.”, um retrato em 10 episódios da vida de Albert Einstein com Geoffrey Rush a ser novamente nomeado para Emmy. A próxima seri será sobre Pablo Picasso, já a ser rodado em Espanha e França.

Do lado da HBO, o homenageado CEO Richard Plepler, referiu compreender e estar de acordo com a compra da casa mãe, Time Warner, pela AT&T; nas suas palavras o cruzamento de dados permitirá à HBO compreender muito melhor os seus subscritores e espectadores e com isso criar conteúdo muito mais direcionado, evitando o churn e até ajudando a trabalhar na experiência digital da descoberta do contudo disponível, agora liga dos a um ecossistema de telecomunicações e conteúdos integrados.

mipcom 3O dia reservava para o fim a cereja no topo do bolo. Sean Mills, Head of Original Content da Snap Inc., empresa detentora do Snapchat, surgiu em palco para explicar porque está também a Snap a investir em conteúdo próprio e confirmou o número de 173 milhões de unique users/dia que acedem em média 3x, com foco nos millennial. Para Sean e sua equipa o mobile é outro paradigma, e confirmou a visão dos 3 Cs do Snapchat: câmara, conversação e conteúdo. E para este último revelou em palco que será Lauren Anderson a comandar a joint-venture anunciada pela manhã entre o Snapchat e a NBC Universal, em parte iguais. O objetivo será focar está equipa na produção de formatos para o Snapchat, mantendo a lógica dos 3 a 5 minutos, desde o entretenimento às notícias, sempre numa abordagem intimista e ao estilo Snapchat.

Veremos amanhã de manhã como compara com a abordagem que revelará o Facebook.

*Por Ricardo Tomé, director coordenador da Media Capital Digital

 

Deixe aqui o seu comentário