“Ask people to pay: they will pay.”

Por a 25 de Agosto de 2017
Luís Mergulhão, CEO do Omnicom Media Group

Luís Mergulhão, CEO do Omnicom Media Group

Com esta frase (na sua versão original “When you’re writing, be riveting, be right, and ask people to pay. They will pay.”) Jeff Bezos respondia à pergunta crucial latente na conferência sobre o futuro da imprensa que decorreu há dois meses na cidade de Turim, mas que na realidade tem persistido ao longo da última década tanto na Europa como em outros quadrantes geográficos.
Esta resposta tem a sua importância num momento em que as notícias desta semana sobre um conjunto importante de títulos de revistas em Portugal vieram tornar evidente e assumido aquilo que sob a forma de rumores (e não apenas respeitantes ao grupo editorial que assumiu publicamente as decisões agora enunciadas) circula há algum tempo no nosso país.
Mas, na realidade, as questões do futuro da imprensa não podem deixar de ser enquadradas num âmbito mais alargado sobre o futuro dos vários media e do seu modelo tradicional de negócio. De facto, situações de certa forma semelhantes são extensíveis com maior ou menor relevância também à rádio, à televisão – sem falar do meio (publicitário) de outdoor – e são recorrentes aqui, em Espanha, no Reino Unido, nos EUA e em tantos outros países.
Sejamos honestos e práticos:
– uma imprensa, ou seja, um jornalismo independente e proactivo é um elemento fundamental das sociedades modernas, e mesmo nas novas formas que estas se revestem.
– esse jornalismo/informação é chave para que as marcas nas plataformas digitais se nobilitem e assumam valor para o cidadão/consumidor.
– os media (e as marcas) não devem ser reféns da tecnologia mas antes devem servir-se dela.
– não está encontrado um modelo de negócio consistente e estável para a manutenção/evolução destes meios, mas isso não significa que morreram!
Se o percebermos teremos meio caminho andado para saber que os media (imprensa incluída) são fundamentais na comunicação das sociedades, e têm capacidade de evoluírem da sua versão tradicional de informação/publicidade para novas versões mais atuantes e versáteis.
Mais importante do que saber o que está a acontecer, ou por que acontece, é o de saber o que queremos: é certo que o que queremos nunca é seguro, mas cingirmo-nos apenas ao que se passa é ficarmo-nos pelas notícias na coluna de Necrologia. Ora disso não se faz o futuro, apenas se molda a memória do passado.
Sejamos pois lúcidos, clarividentes e positivos: a informação e a publicidade não morreram. Têm novas formas, novos desafios e, nisso, teremos de ser muito bons para vencermos.
É a nossa obrigação: ao trabalho!

 

Por Luís Mergulhão,  CEO Omnicom Media Group

 

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