Impresa espera que reguladores salvaguardem concorrência leal e pluralismo no negócio da Media Capital

Por a 17 de Julho de 2017
Francisco Pedro Balsemão, CEO da Impresa

Francisco Pedro Balsemão, CEO da Impresa

O grupo liderado por Francisco Pedro Balsemão reagiu esta segunda-feira de manhã à aquisição da Media Capital por parte da Altice, dona da PT e do Meo. Analisando aquele que se assume como um dos maiores negócios na área dos media em Portugal, fonte oficial da Impresa sublinha que “é, e sempre foi, a favor da concorrência leal num mercado que funcione de forma sã, bem como do pluralismo na comunicação social”. “Estamos confiantes de que os reguladores portugueses e europeus terão estes dois princípios em conta quando se pronunciarem sobre a operação em causa”, aponta o grupo que detém a SIC e o semanário Expresso, entre outros títulos.

Com a aquisição da Media Capital, num negócio que ronda os 440 milhões de euros, o grupo francês Altice passa a incluir nos seus activos, além da estação generalista TVI, líder de audiências em Portugal, o canal de informação TVI24, os canais temáticos por cabo TVI Ficção e TVI Reality e a aplicação OTT TVI Player, aos quais se junta a produtora de ficção Plural. Há ainda os núcleos da Media Capital Rádios, onde se incluem as estações Comercial, M80, Cidade FM, Smooth FM e Vodafone FM, e da Media Capital Digital, que integra o portal IOL (através da PT a Altice já detém também o portal Sapo), além de projectos como o site desportivo Mais Futebol ou o site de informação automóvel Autoportal.

A reacção da Impresa chega numa altura em que a venda da Media Capital à Altice já está a mexer com o mercado, com as acções do grupo liderado por Francisco Pedro Balsemão a reagirem positivamente aos rumores de que a NOS poderá responder à investida do Meo. De acordo com analistas de mercado ouvidos pela Reuters, grupos de media como a Impresa, dona da SIC, ou a Cofina, que detém o Correio da Manhã e o canal de informação CMTV, podem ser os próximos alvos na mira dos investidores e as operadoras de telecomunicações NOS e Vodafone podem vir a responder ao movimento agora levado a cabo pela dona do Meo. “Assumindo como válido o cenário em que a Altice adquire a Media Capital, somos da opinião de que uma nova disputa entre os operadores de telecomunicações por conteúdos possa intensificar-se”, pode ler-se numa nota de análise do Caixa Banco de Investimentos, citada pela Reuters. Por outro lado, os analistas do Haitong Bank acreditam mais no estabelecimento de “acordos comerciais” entre NOS e Vodafone e “outras empresas de media” já que a aquisição da Media Capital, considera o banco de investimento, “não deverá dar origem a grandes mudanças no panorama competitivo, uma vez que os conteúdos relevantes vão continuar disponíveis para todos os operadores ao mesmo preço”.

A este respeito, Paulo Neves, presidente-executivo da PT, garantiu que “a ideia não é fechar conteúdos”. “A convergência de conteúdos com telecomunicações é o futuro”, afirmou, sublinhando que “os clientes da PT vão beneficiar dos conteúdos da Media Capital, que vão enriquecer a oferta que temos hoje”. No mesmo sentido, Michel Combes, CEO da Altice, referiu que “a Media Capital irá enriquecer a oferta da PT” mas “obviamente não iremos restringir a nossa oferta aos nossos concorrentes e tencionamos expor a Media Capital ao maior número de pessoas possível”.

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