Concorrentes contestam escolha para publicidade de Lisboa. Duarte Cordeiro diz que é ao “júri que compete a avaliação”

Por a 21 de Julho de 2017

Duarte CordeiroO executivo camarário de Lisboa prefere não comentar o desenvolvimento do concurso de publicidade exterior que poderá mudar a relação de forças entre as principais empresas do sector. O relatório preliminar coloca como vencedoras duas empresas (Cartazes e Panoramas I e II) detidas pelo Explorer Investments, o mesmo fundo que controla a MOP.
Até ao momento, o mobiliário urbano da capital encontra-se repartido pela JCDecaux e pela Cemusa. Do lado da Explorer Investments o objectivo será que o vencedor se apresente ao mercado com a marca comercial MOP. A contestação dos três concorrentes ao concurso preteridos, sabe o M&P, está a passar pelo facto de as empresas colocadas em primeiro lugar no relatório preliminar terem menos de uma semana de existência à data de entrega das propostas. No entanto, a argumentação não fica por aqui. Os concorrentes põem em causa a solidez financeira das empresas vencedoras, a validade técnica das suas propostas e a capacidade de instalar e assegurar a manutenção dos equipamentos.
“Todas as empresas estão no direito de afirmar as suas posições, no âmbito normal do que é um concurso, que é defender a sua posição e proposta. Encaramos com toda a normalidade tudo o que possa correr a partir daqui”, considera o vice-presidente da Câmara de Lisboa, Duarte Cordeiro, em declarações ao M&P. “O júri é soberano e deve ser ele a tomar a decisão com base nos poderes que tem e com as regras do concurso. Estamos ainda na fase de reacção ao relatório preliminar, só depois é que haverá um relatório final”, reforça Duarte Cordeiro. “Só depois do relatório final é que faz sentido pronunciarmo-nos. O concurso ainda não está finalizado”, completa o vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa. O fecho do concurso permitirá à autarquia passar de receitas anuais de 2,5 milhões para mais de oito milhões de euros.

Quem ofereceu o quê
O concurso de exploração publicitária do mobiliário urbano, válido por 15 anos, está repartido por três lotes. O primeiro diz respeito a mupis, abrigos e sanitários públicos, o segundo lote a grandes formatos digitais e o terceiro a uma proposta única para os dois lotes anteriores.
O grupo Explorer Investments apresentou propostas através das recém-criadas Cartazes & Panoramas I e Cartazes & Panoramas II. Para o primeiro lote, sabe o M&P, a Cartazes & Panoramas I ofereceu 5,24 milhões de euros, a JCDecaux 4,1 milhões e a Cemusa quatro milhões. Para o lote 2, a Cartazes & Panoramas II propunha 3,16 milhões de euros, pouco mais de 10 mil euros do que a segunda classificada, a Alargâmbito (DreamMedia). A JCDecaux apresentou uma proposta de 2,8 milhões de euros e a Cemusa de 2,25 milhões. Para o lote 3 apenas a JCDecaux (8,3 milhões de euros) e a Cemusa (7,67 milhões) concorreram. Como o critério preço era o determinante, ficaram em primeiro lugar a Cartazes & Panoramas I e Cartazes & Panoramas II.
A questão MOP/Cartazes e Panorama surge também no relatório preliminar do júri. Na apresentação para um dos lotes, a Cartazes e Panoramas I escrevia a dado momento que “dos 900 mupis a concurso, a MOP considerará 90 unidades digitais dupla face”. O júri considerou que esta referência à MOP era “certamente efectuada por lapso, visto não ser essa a designação social do concorrente, por um lado, e dado a empresa MOP não se ter a apresentado a concurso, por outro. O júri entende, todavia, que essa referência em nada afecta a vinculação contratual do concorrente, pelo que não tem relevância excluente”, pode ler-se no relatório.

Mudar a face os suportes da capital
O concurso de exploração publicitária do mobiliário urbano promete mudar os suportes publicitários da capital. “O concurso tem como objectivo mudar a publicidade na cidade de Lisboa, reduzir a publicidade, qualificá-la e simplificar a tipologia dos formatos existentes. No fundo, acrescentar valor à cidade que beneficiará de uma concessão que trará um retorno superior àquele que beneficiamos até aqui”, contextualiza Duarte Cordeiro. No lote 1 do concurso, estão previstos 900 mupis dos quais 10 por cento digitais, 75 sanitários públicos e dois mil abrigos. Para o lote 2 até 125 painéis digitais de grande formato e 20 mupis e 5 painéis digitais para informação municipal.

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