Cofina com quebra de 69,3% nos lucros nos primeiros seis meses de 2017

Por a 28 de Julho de 2017
Octávio Ribeiro, Luís Santana e Paulo Fernandes (Cofina)

Octávio Ribeiro, Luís Santana e Paulo Fernandes (Cofina)

A diminuição das receitas em toda a linha, juntamente com custos de reestruturação na ordem dos dois milhões de euros, resultaram em lucros de apenas 718 mil euros para a Cofina Media no primeiro semestre, uma quebra de 69,3% face ao semestre homólogo em 2016. Nos primeiros seis meses do último ano, o grupo dono do Correio da Manhã e da CMTV, entre outros títulos, apresentava lucros de 2,3 milhões de euros. Este ano, o mesmo período foi caracterizado por um decréscimo generalizado das receitas, que passaram de 48,5 milhões de euros para cerca de 44 milhões de euros, uma quebra de 9,2%. Este resultado é justificado por descidas nas receitas de circulação (-9,9%), nas receitas publicitárias (-4,6%) e nas provenientes de produtos de marketing alternativo e outros (-15,9%). A redução de 8,7% nos custos operacionais, de 42 milhões de euros para 38,4 milhões, não foi suficiente para cobrir a quebra registada do lado das receitas.

A par do decréscimo das receitas, o grupo sublinha que “o resultado do primeiro semestre foi impactado de forma significativa pelos custos de reestruturação que atingiram dois milhões de euros”. “Tendo em conta o contexto adverso, a Cofina está a implementar um plano de reestruturação que visa preparar a empresa para a realidade actual e futura, garantindo a sua sustentação e níveis de rentabilidade adequados”, explica o grupo em comunicado enviado à CMVM, lembrando que “o referido plano passa pela optimização da estrutura e do portfólio de produtos” e “neste sentido, nas contas do primeiro semestre estão incluídos dois milhões de euros referentes a custos de reestruturação”. Recorde-se que, recentemente, a Cofina avançou para um despedimento colectivo de cerca de 50 pessoas, anunciou que iria abandonar a edição portuguesa da revista de moda Vogue, além de ter transformado a Flash numa publicação exclusivamente online ao descontinuar a edição impressa.

Separando a análise por segmentos, é precisamente nas revistas, onde o grupo detém agora apenas a Sábado, a Máxima e a TVI Guia, além do site da Flash, que os resultados são menos animadores. Este segmento sofreu uma quebra de 19,8% nas suas receitas consolidadas do primeiro semestre, com os 6,9 milhões de euros alcançados a compararem com os 8,6 milhões nos primeiros seis meses do último ano. As receitas de circulação passaram de 4,7 milhões para 3,7 milhões de euros (-22%), enquanto as de publicidade desceram de 2,6 milhões para 2,1 milhões de euros. A este decréscimo somou-se uma diminuição de 11,7% nas receitas com produtos de marketing alternativo e outros, de 1,3 milhões para 1,1 milhões de euros. No total foram menos 1,7 milhões de euros de receita no período em análise que, mesmo com um corte de 17,5% nos custos operacionais do segmento, de 9,1 milhões para 7,5 milhões de euros, levaram a um agravamento dos resultados negativos do segmento. O prejuízo de 575 mil euros registado no primeiro semestre de 2016 aumentou 15,3%, fixando-se agora num resultado negativo de 663 mil euros.

Já do lado dos jornais, onde o grupo conta com os títulos Correio da Manhã, Jornal de Negócios, Record e Destak, e onde estão incluídos os resultados da CMTV, apesar de igualmente em quebra, o impacto foi menos acentuado. A Cofina encerrou o primeiro semestre com um EBITDA de 6,3 milhões de euros no segmento de jornais, uma quebra de 10,4% face ao período homólogo em 2016. As receitas totais desceram 7%, de 39,9 milhões para 37,1 milhões de euros, com reduções de 7,2% nas receitas de circulação (de 20,6 para 19,1 milhões de euros), de 1,5% nas receitas publicitárias (de 12,6 para 12,4 milhões de euros) e de 16,6% nos produtos de marketing alternativo e outros (de 6,7 para 5,6 milhões de euros). Do lado dos custos operacionais regista-se uma redução de 6,3%, passando dos 32,9 milhões de euros do primeiro semestre de 2016 para 30,8 milhões de euros no período homólogo este ano.

No encerramento das contas do primeiro semestre, a dívida líquida nominal da Cofina era de 56 milhões de euros, menos 2,4 milhões do que no final de Março deste ano. No comunicado enviado à CMVM, o grupo Cofina Media informou apenas sobre os resultados semestrais, não referindo os resultados relativos ao segundo trimestre deste ano.

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