Salvador da Cunha em Cannes: “A criatividade nunca foi o ponto forte das agências de comunicação” (com vídeos)

Por a 16 de Junho de 2017

salvador da cunha
O júri de Relações Públicas já está a avaliar os trabalhos inscritos, onde constam 15 trabalhos portugueses. A shortlist será revelada domingo e esta segunda-feira ao fim da tarde serão conhecidos os vencedores.
No grupo de jurados encontra-se Salvador da Cunha, CEO do Lift World (segundo à direita na foto). O responsável, antes de embarcar para Cannes, comentou ao M&P que “ganhar em Cannes é sempre muito difícil, porque estamos a competir com todo o mundo. Mais ainda quando grande parte da criatividade que vemos é importada e adaptada ao nosso país”, acrescenta. No entanto, o CEO da Lift mostra-se mais optimista ao afirmar que “Portugal tem demonstrado que tem grande capacidade criativa e crescente, por isso não me admira que possamos repetir o feito do ano passado”. “Temos de trabalhar muito mais do que os criativos de países onde os grandes clientes tem as suas sedes”, resume. Salvador da Cunha acredita que “há trabalhos portugueses muito bons” mas diz não saber se são candidatos, preferindo também não fazer comentários sobre projectos específicos por ser um dos elementos do júri.
Foi na categoria de Relações Públicas que foi arrecadado o único leão de ouro da última edição com o trabalho de O Escritório para a Emirates, um trabalho que, nas palavras do CEO do grupo Lift World “é muito bom, foi inovador, divertido, aumentou a notoriedade. Mas foi um stunt, não contribui para a reputação nem posicionamento da Emirates”. E, de acordo com o jurado português na categoria, “não é esse tipo de casos que os jurados deste ano estão a privilegiar, mas mais os que efectivamente contribuem para uma melhoria da imagem do cliente no longo prazo, com efeitos reais no negócio”. Foi também de Relações Públicas o único leão para Portugal em 2015, com uma prata para o Stiletto da Renault criado pela Publicis. Em ambos os casos, leões em RP ganhos por agências de publicidade, reforçando a velha questão de que as agências de comunicação perdem para as de publicidade aqueles que deveriam ser os seus prémios. Sobre esta questão, Salvador da Cunha admite que “as agências tradicionais de relações públicas ainda estão a milhas de distância no que toca a criatividade”. “Até agora, diria que a criatividade era o principal factor na avaliação, o que fazia deste novo segmento um campo relativamente fértil para as agências criativas. Penso que as coisas estão a mudar porque os efeitos e resultados estão a ser vistos numa óptica de mais médio/longo prazo”, acredita, lembrando que “os stunts normalmente muito criativos funcionam muito bem no curto prazo mas só actuam ao nível da notoriedade”. “O engagement e relacionamento continuado é um objectivo que não se alcança desta forma”, remata. Segundo o profissional, “a criatividade era até agora o factor principal na avaliação dos casos em relações públicas, faz parte do ADN de Cannes” e, reconhece, “a criatividade nunca foi o ponto forte das agências de comunicação”. No entanto, assegura, “esse paradigma está a mudar com o surgimento de agências integradas de comunicação, muito mais criativas e muito estratégicas”. A presidir os trabalhos do júri de Relações Públicas está Karen van Bergen, CEO do Omnicom Public Relations Group.


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