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Ricardo Teixeira: Até os roubos foram transformados com o digital

Por a 16 de Junho de 2017
Ricardo Teixeira (DigitalWorks)

Ricardo Teixeira (DigitalWorks)

A propósito do que se passou no passado dia 12 de Maio, em que voltámos do almoço e as noticias de ultima hora, eram sobre os ataques a grandes empresas por todo o mundo tinham sido alvo, levou-me a escrever este artigo e reflectir sobre o tema, coisa antes nunca me tinha passado pela cabeça escrever um artigo sobre ladrões, nem muito menos sobre os ladrões do futuro!
Para mim e penso que para todos nós, os ladrões roubaram coisas físicas, fosse de forma de abordagem directa ou na nossa ausência, eles roubavam algo físico, carros, casas, carteiras, fios, dinheiro,…
Hackers era coisa de filmes e de total ficção que roubavam bancos, empresas de software mais propriamente o código fonte de programas, formulas e documentos confidenciais de farmacêuticas e a NASA que era o sonho de qualquer hacker. E assim era, jamais nos preocupávamos que um dia um hacker queria nos roubar algo, pois só faziam roubos de coisas grandes “à séria”, para passarem o resto da vida algures numa ilha paradisíaca.
No entanto também esta “actividade” não ficou desactualizada e com a digitalização da sociedade também ela foi alvo de transformação digital e vejamos:
Os carros já há muito que tinham muita electrónica, quando eu era pequeno apareceram os primeiros carros com vidros eléctricos e era top, contudo com a massificação do uso das app mobile, num futuro muito breve todos os carros estarão ligados às app mobile, a partir das quais será possível ligar e abrir o carro com o telemóvel, bem como verificar e analisar diversos parâmetros do carro.
Como tal se há interligação, há comunicação entre o telemóvel e o carro nas suas mais essenciais funções, então será possível a hipótese de um hacker interceptar essas mesmas comunicações.
No entanto, há outro aspecto ainda mais preocupante, pois aquela “ficção” dos carros andarem sozinhos, deixou de ser ficção e já é uma realidade que cada vez mais vai ser massificada. Logo: Se o hacker consegue intersectar o carro e o carro anda sozinho, ele conseguirá roubar o carro há distancia e este vir ao seu encontro? Sim, claro! Estou certo que em breve haverá o primeiro caso.

E as casas? 
Bem, essas felizmente não andam e não vão sozinhas e espero que o que víamos nos filmes das pessoas viverem em naves, esteja muito mas muito longe!
Contudo também as casas, cada vez mais elas são comandadas por apps, pois o conceito da domótica está também a ser todo alterado e massificado, onde empresas como a Apple, Google e Amazon estão a desenvolver conceitos realmente fantásticos e que irão permitir qualquer pessoas ter uma casa inteligente através de dispositivos tipo plug-in que se instalam em casa, sejam eles luzes, temperatura, videoporteiro, sistemas de rega, mas também portões e portas, entre outros aspectos. Neste sentido todas estas comodidades e inovações terão o seu lado “negro” pois também as casas ficam mais vulneráveis a hackers que podem entrar nas nossas casas de uma forma física, mas também de uma forma remota e assim ver a nossas privacidade e expô-la online. Mas não só, pois um hacker pode-nos prender na nossa própria casa e fazer-nos reféns em troco de dinheiro (virtual bitcoins) para nos libertar e abrir as nossas portas. Isto já aconteceu!
Há um princípio básico que poderá responder a mais questões: se está interligado com outros dispositivos e se algum desses dispositivos está ligado à internet, então é possível ser “hackado”, sendo a variável o nível de esforço que o hacker está disposto a ter. No nível de esforço está o nível de protecção/segurança, bem como a recompensa vs o nível de esforço.

Se está interligado com outros dispositivos e se algum desses dispositivos está ligado à internet, então é possível ser “hackado”, sendo a variável o nível de esforço que o hacker está disposto a ter.

A recompensa nem sempre é monetária, pois pode ser apenas “fama”, por exemplo, o que se passou na passada sexta-feira dia 12 de Maio, onde fomos surpreendidos com as maiores empresas do mundo a serem hackadas, nomeadamente a Telefónica, a Altice, Vodafone, o Sistema Nacional de Saúde Inglês, Disney e entre muitas outras.
Os hackers pediam cerca de 300$ por computador em bitcoins, contudo ninguém acreditou que essa seria a real motivação deles, até porque em centenas de milhares de computadores, apenas foram pagos cerca de 50.000$ e mesmo esse valor eles não vão levantar, porque sabem que podem de alguma forma ser “trackados” (seguidos).
A motivação deles era sentirem o seu poder e serem anónimos famosos e procurados, porque são miúdos com cerca de 16 a 20 anos, com enorme inteligência que vivem numa época onde os divertimentos também eles foram transformados, pois no meu tempo e com a idade deles fazer coisas perigosas era andar de mota a fugir à policia, tocar às campainhas,… eles é fazerem coisas realmente grandes para serem noticia no mundo.
No entanto eles vão crescer e no futuro podem vir a ser engenheiros de topo nas maiores empresas e responsáveis pela cyber segurança, como podem ser ladrões de grande escala e de forma remota.
Uma coisa é certa, se estamos online, estamos sujeitos, seja por telemóvel, relógio, computador, casa ou carro, o risco está lá. Mas também já estava anteriormente, a única diferença é que agora cada vez mais é digital, como tudo o que nos rodeia nos dias de hoje e no futuro ainda mais será.

Artigo de opinião de Ricardo Teixeira, CEO da DigitalWorks

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