Os novos velhos desafios do Design

Por a 16 de Junho de 2017
Emília Duarte (Ph.D) UNIDCOM Coordinator PhD in Design Course Coordinator Master in IxD Course Coordinator

Emília Duarte (Ph.D)
UNIDCOM Coordinator
PhD in Design Course Coordinator
Master in IxD Course Coordinator

A importância estratégica do Design, enquanto disciplina e atividade profissional de carácter cultural (com dimensão económica e social), é hoje inquestionável. Longe vão os tempos em que, muito pela ausência de um sistema educativo que considerasse o Design como área fundamental de estudos (o primeiro curso em Portugal foi criado no IADE em 1969 e em 1974 surgiu na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa) o Design lutou por, primeiro, se definir, depois por se afirmar, conquistando finalmente o reconhecimento e um espaço de intervenção autónomo dos artistas plásticos e arquitetos, libertando-se do rótulo de arte aplicada ou de estética industrial, ressalvando as diferenças entre vectores clássicos como o design industrial e o design gráfico. Este último tipicamente individualista e de forte teor artístico, enquanto que o primeiro mais propenso a práticas interdisciplinares, científicas, colaborativas e centradas no Homem, acompanhando o desenvolvimento tecnológico ao mesmo tempo que pioneiro na procura da sustentabilidade.

Porém, paradoxalmente, pese embora a crescente consciencialização quanto ao valor do Design enquanto atividade agregadora, maioritariamente focada na resolução de problemas, muito há ainda por fazer para que se consiga estabelecer uma interface efetiva entre ensino-investigação-prática do Design em Portugal. Grandes desafios se colocam pois ao nível da institucionalização, da prática profissional e do ensino do Design. No que diz respeito às primeiras, desde logo se destaca a necessária desconstrução de mitos e modelos mentais desajustados face ao que é o Design e o seu valor, bem como quanto ao papel e âmbito de intervenção do designer, que vão naturalmente mudando; a valorização das atividades de investigação, refletindo-se no aumento de projetos de I&D em consórcio e a consequente presença de doutorados em design nas empresas; a criação de políticas de design e de regulação da profissão; o esforço para o acesso aberto e universal ao conhecimento, a par do importante reforço da proteção da propriedade intelectual, entre outros. No que se refere ao ensino do Design, importará que se faça, por um lado, uma continua atualização dos programas, com o enquadrando de áreas emergentes, por vezes difusas e de difícil categorização (e.g., design de serviços, design de interação, design de experiências) mas pertinentes e relevantes, requerendo conhecimentos e competências típicas de perfis híbridos e, por outro lado, haja lugar à inovação dos processos de ensino-aprendizagem. Por fim, e não de somenos, urge a clarificação de processos e objectivos que resultem no fortalecimento duma relação, que se quer profícua, recíproca e de proximidade, entre a academia, o mercado/empresas. Para que tudo isto ocorra, será preciso que todos os atores envolvidos; e.g., empresas, universidades e centros de investigação, assim como os organismos governamentais/tutela, partilhem esforços e riscos, iniciando programas estratégicos, assentes em politicas claras e de longa duração, visando o desenvolvimento sistemático e sustentado do Design em Portugal que, de acordo com estudos recentes, já representa uma percentagem relevante do total de exportações de bens criativos nacionais, área em que Portugal é considerado especializado face ao referencial europeu.

Estas serão algumas das questões em debate na conferência Dimensões do Design no século XXI, que terá lugar no próximo dia 21, a partir das 15h, na Fundação Portuguesa das Comunicações. Com a participação de Guta Moura Guedes (Experimenta Design), Emília Duarte (IADE), Augusto Mateus (Sociedade de Consultores Augusto Mateus & Associados) e Pedro Martins (Larus Design), a conversa será moderada por Carla Borges Ferreira (M&P) e terá início com o visionamento do documetário Design Disruptors

 

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