Quebras nas receitas levam a despedimentos na Cofina (rect.)

Por a 7 de Março de 2017
Octávio Ribeiro, Luís Santana e Paulo Fernandes (Cofina)

Octávio Ribeiro, Luís Santana e Paulo Fernandes (Cofina)

O grupo Cofina Media, dono do Correio da Manhã, do CMTV, Record  e Jornal de Negócios, entre outros, está a levar a cabo uma reestruturação com o objectivo de reduzir custos que poderá levar ao despedimento de dezenas de trabalhadores. Vários jornalistas do grupo têm sido nos últimos dias abordados com propostas de rescisão de contrato de acordo com o Sindicato dos Jornalistas, que se mostra “profundamente preocupado com as informações que lhe têm chegado através de trabalhadores da Cofina”. A mesma entidade revela que, numa reunião – que terá sido privada – com a administração da Cofina no passado dia 24 de Fevereiro, Luís Santana e Alda Delgado terão justificado a necessidade de redução de custos com os resultados dos dois primeiros meses deste ano, perante as quebras nas vendas das publicações detidas pelo grupo e a diminuição das receitas publicitárias. Nessa reunião, diz o Sindicato, a administração da Cofina “reconheceu que o grupo poderá avançar para o despedimento de dezenas de trabalhadores”.

O M&P tentou perceber junto da administração do grupo Cofina Media qual a dimensão dos cortes e o número de trabalhadores que poderão ser alvo de despedimento mas fonte oficial do grupo, apesar de confirmar a informação, limita-se a referir que “tem vindo a ajustar as suas equipas, reduzindo na imprensa escrita e apostando cada vez mais no digital, na multimédia e na CMTV”, não precisando o valor do corte de custos que se pretende com a reestruturação mas admitindo que “não coloca de lado a utilização dos meios legais disponíveis, se tal for necessário, para ajustar a sua actividade às tendências de mercado”.

O Sindicato dos Jornalistas diz-se preocupado e afirma entender que “houve uma inversão no discurso da administração da Cofina em relação à reunião anterior, realizada no dia 30 de Novembro de 2016”, altura em que “estava afastado qualquer cenário de despedimento colectivo e se falava apenas na necessidade de ‘rescisões pontuais com alguns trabalhadores menos adaptados’”. Já na segunda reunião, refere o SJ em comunicado, “a administração admitiu recorrer a ‘todas as armas legais’, num ‘exercício transversal a todos os departamentos’ da empresa, para ‘emagrecer a estrutura’, sublinhando que as receitas actuais não aguentam ‘a folha salarial’ corrente”.

Os lucros do grupo Cofina Media fixaram-se nos 4,3 milhões de euros em 2016, uma quebra de 14,4% comparativamente aos quase 5,1 milhões registados no ano anterior. O período foi marcado por um ligeiro decréscimo das receitas operacionais do grupo, que passaram dos 100,7 milhões de euros em alcançados em 2015 para os 99,9 milhões de euros, uma descida de apenas 0,7%. Na origem desta diminuição das receitas esteve uma quebra de 3,2% nas receitas de circulação, de 52,8 milhões de euros para 51,1 milhões, e de 2,5% nas receitas publicitárias, de 33,8 milhões de euros para os 33 milhões. No seu conjunto, a descida traduz-se em menos 2,5 milhões de euros a entrarem nas contas do grupo, tendo-se revelado insuficiente para compensar esta descida o aumento de 1,8 milhões nas receitas de produtos de marketing alternativo, que cresceram 12,8% passando de 14 milhões de euros para 15,8 milhões.

Um comentário

  1. INFORMADO

    13 de Março de 2017 at 2:12

    É normal que jornais e revistas vendam menos, Já não compro jornais e revistas há muitos anos. Tudo o que quero e preciso está na net , no digital.

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