Mr. DT

Por a 17 de Fevereiro de 2017

António MelloConfesso que não queria escrever sobre Donald Trump (DT). Acabei por ceder! Fui mais um…
Nunca, na história recente, se deve ter escrito e falado tanto dos primeiros 100 dias de um presidente! OK, falamos dos EUA e isso ajuda… Mas nem Barack Obama chegou a tal score! DT chegou lá pelas piores razões. DT é uma verdadeira tentação, e é irresistível para todos os media. Old & New Media. DT dá um jeitão e alimenta o pipeline de conteúdos. Desde a CNN às redes sociais. O Twitter é a sua Playstation! O seu brinquedo, e quem lhe tira o Twitter tira-lhe tudo. DT é um verdadeiro embaixador da rede venerada por toda a classe jornalística e política. Há que animar o carrossel.
Ninguém apostou em DT como novo inquilino da Casa Branca. Mas a verdade é que ele lá está, com a sua top model. Até perdeu nas urnas, mas o desenho do sistema americano permite. Há sempre um sistema que justifica muita coisa… O espantoso do feito de DT é que foi gozado, caricaturado e deitado abaixo dentro e fora dos States, antes durante e depois da eleição. Talvez demais. E isso, em grande parte ajudou. Ninguém via tal figura na Casa Branca.
A verdade é que o mundo também não acreditava que um afro-americano – negro – pudesse vir a ser presidente dos EUA, mas Barack Obama ganhou, voltou a ganhar e fez dois mandatos. Arrasou e já está na história como um dos melhores. E ganhou porque tinha todos os atributos para isso, ao contrário de DT.
DTDT é o oposto de BO. Em tudo! Se o primeiro gera repulsa o segundo cria engagement.
A eleição de DT à primeira dá que pensar e quem “anda nas andanças” da Comunicação e da Imagem deve estar a pensar duas vezes se acertou na sua escolha profissional. DT contradiz todos os estudos, todo o research e páginas que se escreveram sobre o tema Imagem.
Será que ainda vivemos no mundo da Imagem, tal como a concebemos? E se ela é tudo, ou quase tudo, quando toca a seduzir e convencer alguém, por que carga de água DT, ganha as eleições nos Estados Unidos? E se, particularmente neste caso, as pessoas votam em pessoas, que pessoa é esta?
DT em raio X:
A Forma: O candidato tem um físico. Mau, assim para o orangotango, de braços longos e caídos. Tem um penteado cenoura sinistro e uma popa alta de laca e secador e suscitou tanta dúvida que levou Jimmy Fallon a despentear o presidente no seu live show. Não. Não era capachinho. Era mesmo cabelo real. Veste mal e fica a nadar nos fatinhos, com aquele corpalhaço. A gravata será mais um pêndulo… Pratica um smile plastificado, gesticula e faz likes a torto e a direito (este seu gesto ainda vai dar origem ao novo Like emoji do FB!). Bebe Sunlover e tem o rosto super maquilhado que lhe confere um poder de conquista junto das mulheres, loiraças de preferência.
O Conteúdo: Assustador e Inqualificável! Não vale a pena bater mais no ceguinho…
Qual o prazo de validade de DT? A este ritmo, quero acreditar, expirará num ápice! Até porque sou um admirador da América.
E agora sim! O seu slogan de campanha faz todo o sentido!
MAKE AMERICA GREAT AGAIN.
ASAP, PLEASE!!!
Digo eu…

Artigo de opinião de António Mello, publicitário

2 comentários

  1. António

    23 de Fevereiro de 2017 at 12:47

    Obrigado Duarte, pela reacção. Eu diria que neste caso é um bocado como na Bola. Pelos primeiros dias de jogo tudo aponta para uma tripla. Anything can happen, my friend… We shall see ;)

  2. Duarte Castelo Branco

    18 de Fevereiro de 2017 at 16:33

    Meu Velho, excelente artigo, com, mais que, laivos, diria, queirosianos – sempre deliciosos! -, embora permitindo-me discordar, totalmente, do desejo expresso traduzido na conclusão antecipada do mandato, por almejar exactamente o contrário, inclusivamente, que o N/ Amigo DT consiga convolá-lo num segundo…

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