Muito mais que porco no espeto

Por a 20 de Janeiro de 2017

Joaquim VicêncioO grande momento da agenda política de 2017, caso não tenhamos surpresas, serão as eleições autárquicas de fim de Setembro. Para além de serem um teste à popularidade do Governo, são também um momento chave para as lideranças da oposição (em diferentes moldes). Para muitos, as autárquicas já começaram a ser planeadas (pelo menos deviam). Mas será que, para além da escolha dos candidatos, está a ser preparada uma (verdadeira) estratégia de modo a captar o eleitorado? Apesar de ser um apologista da máxima de que todos os dias são dias de campanha, aqui ficam cinco pontos importantes no momento de preparar o posicionamento do seu candidato, sem falar exclusivamente de porcos no espeto (que são muito importantes).

1 – Invista o que puder em informação sobre o meio a que se candidata. Desde há alguns anos que a análise de dados é o caminho certo para desenhar uma estratégia mais eficiente. Quando digo mais eficiente, quero dizer isso mesmo: que lhe permite fazer uma gestão mais eficiente dos recursos. Os recursos, como sabemos, são escassos. Não quero com isto dizer que sejam aplicados os famosos algoritmos a realidades em que não faça sentido (aposto que vai ter alguém a bater-lhe à porta para lhe dizer que é vitória certa se comprar “o algoritmo”). Recolher informação pode não ser caro e difícil, como por vezes parece.

2 – Crie uma narrativa. Com base na informação obtida, e de acordo com o que acredita, e se adapta ao seu perfil (evite falta de coerência com o seu passado – O Google sabe tudo), crie uma narrativa com princípio, meio e fim. Se se limitar a andar na rua a distribuir panfletos a dizer que vai “construir uma incubadora de empresas”, “um centro de dia” e “ criar postos de trabalho”, não vai estar a dizer como, quando e porquê.

3 – Crie momentos de comunicação. São (quase sempre) grátis e eficazes. Se tiver ideias, mas as estiver a enviar via imprensa e redes sociais, vai ser mais um. E que tal organizar eventos por tema que sejam uma preocupação real do eleitorado? Assim ouve, anota e até vê o eleitorado ajuda-lo a fazer um programa eleitoral. É uma espécie de programa participativo.

4 – Estamos em 2017, não deixe de usar as redes sociais. No entanto, antes de investir tempo e recursos neste meio, veja quanto tempo e quantos recursos deve investir. Quero com isto dizer… veja a taxa de penetração destes meios na realidade a que se candidata. Outra coisa.. fora os slogans, é bom que crie conteúdos para colocar nos seus suportes digitais.

5 – Para além da equipa que o acompanha, contrate também alguém que o ajude a pensar a sua campanha sem os vícios locais. Atenção! Os quadros locais são importantes, mas quem vem de fora poderá ter uma visão distanciada, o que, na maioria dos casos, prova ser benéfico para as campanhas. É aquele outsider que ninguém conhece, e de quem, a princípio, toda a gente desconfia, mas que lhe poderá criar uma vantagem face às outras campanhas. Afinal de contas, fazer uma campanha já não é só fazer uns outdoors, andar na rua e terminar com um porco no espeto. É que os portugueses mudaram.. estão mais exigentes.

Artigo de opinião de Joaquim Vicêncio, consultor de comunicação

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