Estão os táxis online?

Por a 9 de Dezembro de 2016
Nuno Lopes (AdClick)

Nuno Lopes (AdClick)

Já todos estamos saturados de textos Uberversus Táxis, não é verdade? Este não é mais um, a ideia desta partilha é antes perceber o motivo pelo qual os táxis não têm a relevância que podiam no digital.
O mundo evolui numa frequência exponencial, as mudanças acontecem a um ritmo alucinante, tudo está em constante mutação e, como tal, também o mundo dos transportes teria a sua data de viragem. Tantos modelos de negócio morreram com a internet assim como tantos mais surgiram pela mesma via – alguns acabam, outros, como é (ou deveria ser) o caso dos transportes, podem alavancar ou reinventar-se com essa magnífica poção mágica que é a internet, a velocidade da informação, a tecnologia. Modelos de negócio como as plataformas de economia partilhada nascem no seio da tecnologia, foram pensadas para o utilizador moderno, a sua rápida ascensão nada tem de aleatório. No entanto, não estou aqui para analisar os diferentes modelos de negócio, quero antes analisar como as mensagens podem ser mais fácil e eficazmente passadas se utilizarmos, e bem, o digital.
Se analisarmos a classe dos taxistas em Portugal, mais propriamente os seus representantes, como o caso da Antral, facilmente percebemos que estão praticamente offline. E como é isto possível quando o uso da televisão está a cair; o uso da rádio igual – e do outro lado temos a internet, que respira confiança e o seu horizonte é tão auspicioso quanto desafiante.Em Portugal existe 65,4% de penetração da internet (Fonte: Bareme Internet, da Marktest).Sendo que nos “quadros médios e superiores e estudantes, a taxa de penetração de internet atinge o pleno e entre os jovens dos 15 aos 24 anos e os indivíduos da classe social alta os valores superam os 99%”.
Os representantes da classe dos taxistas deveriam aproveitar todo este buzz que anda à volta do tema e capitalizá-lo. A força que vemos nas manifestações convocadas, por exemplo, pela Antral, não é representativa no online. O seu portal tem somente 3.800 visitas mensais e conteúdos estáticos, a par de uma página de Facebook, com uma audiência de 790 pessoas quando existem 4,7 Milhões de contas em Portugal. Os números são do mesmo estudo da Marktest e, para além da evidente leveza da audiência que segue a Antral, é muito relevante aquilo que é feito na página. O que qualquer página precisa é de criar engagement com os seguidores, fazer com que eles interajam – este é o caminho para se tornarem socialmente relevantes no online.
Com ou sem razão, generalizando ou não,o facto é que a classe trabalhadora dos táxis está toda ela a ser maltratada na internet há meses. E porquê ? Precisamente porque não se adaptaram, não utilizam o potencial do digital que seria o meio primordial para veicular mensagens, as mesmas mensagens que no meio de tanto “ruído” na opinião pública lhes faltou que fossem disseminadas.
Veja-se ainda o potencial da internet quando podemos capitalizar tudo o que são notícias sobre, táxis e plataformas, e se os trabalharmos bem podemos colocar anúncios que nos interessem nessas páginas, os tais anúncios (banner) de AdSense. Em Portugal apenas as plataformas o fazem e isto é duplamente punitivo para a classe dos taxistas – como se já não bastasse a conotação negativa que têm nos media, ainda aparece um anúncio para lhes “roubar” mais um cliente, precisamente naquele momento em que é posto em causa o serviço de táxis. E isto é muito bem capitalizado pelas plataformas.
Sejamos então construtivos e esperemos que a classe dos taxistas veja aqui a oportunidade de se começar a fazer ouvir nos meios certos, na hora certa, com a mensagem certa. E esse é outro ponto da internet, não chega comunicar, é preciso fazê-lo com o conteúdo, pessoa e momento certos. Não é por acaso que a Uber chega ao primeiro lugar da AppStore no dia da greve dos taxistas. E os clientes que estão a perder, são aqueles que mais anos de vida têm pela frente, aqueles que mais negócio irão gerar ao longo dos anos. Estas gerações mais novas não consomem os meios de comunicação tradicionais com a mesma regularidade que as anteriores. Basta pensarmos que quando vemos, por exemplo, o jornal da noite já consumimos as mesmas notícias antes, que nos chegaram aos smartphones durante o dia, em muitos dos casos pelo Facebook, onde cada português “gasta” em média 1,5 horas por dia (Fonte: Estudo “Os portugueses e as redes sociais”, da Marktest).
A ideia deste artigo não é decidir o que está ou não correto, o objectivo é abrir a porta para as vantagens da internet e a urgente necessidade de esta (e muitas outras) indústrias se digitalizarem. E nós, a indústria da Internet, cá vos esperamos, de braços abertos, prontos a ouvir os vossos desabafos e desafios para vos fazer dar o tão grande e necessário passo para o Online. Não queremos mais empresas offline.

Artigo de opinião de Nuno Lopes, senior business developer na AdClick

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