Ramos Pinheiro: Projectos únicos e diferenciadores num mercado global

Por a 26 de Novembro de 2016
José Luís Ramos Pinheiro (Renascença Multimedia)

José Luís Ramos Pinheiro (Renascença Multimédia)

Actualmente, o desafio mais apaixonante consiste em procurar as melhores soluções para os media, num quadro de profunda transformação cultural.
Não se trata de uma mudança tecnológica, já de si vasta e acelerada, mas de uma transformação cultural global que envolve atitudes, comportamentos, hábitos e preferências.
É muito diferente governar um grupo de comunicação num ambiente delimitado, relativamente protegido e eminentemente nacional ou gerir essas mesmas empresas num quadro aberto, absolutamente concorrencial e essencialmente global.
A globalização comporta riscos. Mas os riscos são globais. Condicionam, em todo o lado, pessoas e grupos, empresas e mercados, instituições e governos. Por isso, os grupos de media não podem ver as ameaças que a globalização comporta, como algo isolado que apenas afecta a sua actividade específica. Podemos trabalhar para limitar ou contornar ameaças, mas a globalização veio para ficar. E esse é um dado de facto, para as sociedades actuais.
Mas a melhor forma de os media enfrentarem esta onda é descobrir o modo de a aproveitar, para navegar melhor e mais longe. Ainda na metáfora marítima, os barcos para esta ondulação só podem ser diferentes: na estrutura, nas competências e nas ferramentas. Só deste modo se aproveitarão oportunidades que a globalização também abre: outros mercados, novas actividades e diversificação.
Porém, para os media, as novas fronteiras não são apenas geográficas, mas empresariais e profissionais. A concorrência da era analógica, em que rádio, imprensa e televisão se apresentavam como sectores estanques, está a ser substituída por uma visão concorrencial 360º, na qual todos concorrem, ou podem concorrer, com quase todos.
Para isso, os media ou as empresas que os detêm devem oferecer serviços com valor: seja pela diferença que apresentam, pela utilidade que acrescentam ou pela relação que constroem.
E quanto mais diferenciadores forem os serviços, maior será o valor percepcionado pela sociedade e pelo mercado.
Numa era em que todos parecem oferecer tudo a todos, é indispensável redefinir prioridades de modo a entregar aos clientes e ao públicos um valor indiscutível, tendencialmente único e por isso, claramente competitivo. Oferecer mais do mesmo é perda de tempo e dinheiro, desperdiçando o valor de marcas e empresas.
Por outro lado, as novas plataformas significam novas concorrências; plataformas que procuram absorver a fatia de leão dos investimentos publicitários. Nunca houve tantos produtores de conteúdos, mas o investimento nunca esteve tão concentrado como agora, à escala global. Curiosamente, os grandes motores de busca vivem dos conteúdos; precisam deste petróleo que alimenta o interesse dos consumidores. Mas recusam pagar o preço justo, pelos milhões de conteúdos que diariamente os media lhes entregam.
Claramente não estamos num ponto de chegada. Os dados da economia digital estão ainda longe da estabilidade. Todos estes players, incluindo os media, terão que renegociar os termos da equação entre produtores de conteúdos altamente profissionalizados e especializados e as grandes plataformas de comunicação. Trata-se também de uma equação de rentabilidade. E esse é um objectivo de que os media não se podem afastar.
Neste quadro, a resiliência dos media e a relação de confiança gerada com os respectivos públicos e parceiros constituem trunfos que é impensável alienar.
Vivemos um tempo apaixonante, de mudança constante, profunda e incerta. Vamos, seguramente, em direcção a um futuro diferente. Mas não vamos sozinhos. Razão do serviço que prestamos, os nossos públicos e clientes – as pessoas – estão decididamente no mesmo barco.
No grupo Renascença Multimédia profissionais altamente qualificados trabalham diferentes serviços e produtos, com o foco permanente nos clientes e no público. Diariamente procuram afinar-se e desenvolver-se projectos multiplataforma, porque agora alargados, também com sucesso, à esfera digital.
Não nos afastaremos da matriz que justifica a indispensabilidade dos media. Porque as sociedades – e a portuguesa não é excepção – precisam de meios independentes e qualificados, ousados e inovadores; e capazes de arriscar.
No ambiente digital não saber arriscar também pode ser sinónimo de imprudência. O medo sempre mata a imaginação e compromete o futuro.

“Nunca houve tantos produtores de conteúdos, mas o investimento nunca esteve tão concentrado como agora, à escala global”

Pedimos aos representantes dos grandes grupos de comunicação social para nos apresentarem, na primeira pessoa, os seus planos a curto/médio prazo. O terceiro texto é de José Luís Ramos Pinheiro, gerente do grupo Renascença Multimédia

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